Participação da indústria no PIB pode cair para 9,3% em 2029, aponta estudo da Fiesp

Fatia do setor no PIB em 2012 foi de 13,3%, a menor desde 1955, segundo levantamento do Departamento de Competitividade e Tecnologia da entidade

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A participação do setor manufatureiro no Produto Interno Bruto (PIB) está próxima do menor patamar desde 1947, quando as primeiras informações a respeito foram levantadas no Brasil. Na ocasião, a indústria foi responsável em 11,3% do PIB.  Os dados são da pesquisa “Por que reindustrializar o Brasil?”, elaborada pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Se a participação da indústria se reduzir em mais 2,2 pontos percentuais, chegando a 11,1%, retornaremos a uma participação que o Brasil teve quando era um país rural e primário-exportador”, afirma o documento.

Entre 2004 e 2012, a participação industrial na atividade econômica totalizou uma perda de 30,8%. Assim, a fatia de contribuição do setor manufatureiro para o PIB caiu de 19,2% em 2004 para 13,3% no ano passado. A taxa já é a menor desde 1955, quando a participação chegou a 13,1%.

Para 2029, o Decomtec estima uma perda total de participação de 30,5% a partir deste ano, podendo chegar a 9,3% do PIB se um plano de reindustrialização não for proposto e colocado em prática.

“Para tornar a economia brasileira ser desenvolvida em 15 ou 20 anos, precisamos reverter o atual cenário, reindustrializar o Brasil e elevar sua taxa de investimento”, considera o departamento em nota.

Dobrar a renda per capita

Para reindustrializar o Brasil e retomar a trajetória de expansão do país, o Decomtec sugere dobrar a renda per capita (principal indicador de desenvolvimento de um país) dos atuais US$ 10 mil para US$ 20 mil pelos próximos 20 anos, com um crescimento de PIB de 4,01% ao ano e aumento médio de 3,52% da renda per capita. Outra opção é alcançar essa meta em 15 anos, com alta do PIB a 5,29% ao ano. Se isso acontecer, conforme o estudo, o país alcançará “nível de entrada para ser desenvolvido”.

O Decomtec selecionou 25 países responsáveis por 80% do PIB mundial em 2012 para comparar seu grau de industrialização e renda per capta com os níveis brasileiros. Dos 25, apenas nove foram capazes de dobrar a renda per capita de US$ 10 mil para US$ 20 mil e todos tinham em comum uma participação industrial do PIB acima de 20%.

Segundo o departamento, os Estados Unidos dobraram sua renda per capita em 25 anos com uma participação industrial de mais de 27% do PIB norte-americano. A Alemanha demorou 20 anos para dobrar a renda per capita enquanto a indústria foi responsável por mais de 29% do PIB.  Já o Japão dobrou a renda em 13 anos e a fatia da indústria no PIB do país chegou a 27%.

O Brasil, por sua vez, levou 39 anos para duplicar sua renda per capita de US$5 mil para US$10 mil.

Investimento

Com exceção dos Estados Unidos e do Reino Unido, que apresentavam elevado estoque de capital na ocasião, a taxa de investimento dos países que conseguiram dobrar a renda per capita de US$ 10 mil para US$ 20 mil também foi acima de 20%.

No ano em que dobrou sua renda per capita, o Japão contou com 31% de investimento do PIB. A Alemanha investiu 23%, enquanto os Estados Unidos investiram 18%.

“Vale ressaltar que a realidade dos países que duplicaram seu nível de renda per capita de US$ 10 mil para US$ 20 mil contrasta com a situação atual do Brasil. Em 2012, a participação da indústria de transformação brasileira no PIB foi de apenas 13,3% e a taxa de investimento correspondeu a 18,1%”, analisa o Decomtec no documento.

 

Seminário

Para discutir o tema, a Fiesp realizou, em sua sede, na Avenida Paulista, no dia 26 de agosto, o seminário “Reindustrialização do Brasil”. Na abertura do evento, o presidente da entidade, Paulo Skaf, destacou que debater a desindustrialização é falar de “leite derramado”. “Precisamos realmente é discutir a reindustrialização do país”. “Estamos unidos nessa grande missão que é a recuperação da indústria do Brasil”, afirmou. “A indústria de transformação é de suma importância para qualquer país”.

Paulo Skaf abriu o seminário sobre reindustrialização no dia 26 de agosto, na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Para saber mais sobre o seminário, só clicar aqui.