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Para ministro do Esporte, é preciso enxergar as oportunidades que a Copa proporciona

Aldo Rebelo elogia iniciativa da Fiesp no sentido de buscar aumentar o dinamismo e a interação nos negócios relacionados ao esporte

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

É importante mudar a visão pessimista diante dos grandes eventos esportivos que o Brasil sedia entre 2014 e 2016, afirmou na manhã desta segunda-feira (31/03) o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, durante reunião do Comitê da Cadeia Produtiva do Desporto (Code) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Todos os países querem acolher e sediar os Jogos Olímpicos e a Copa. Nenhum evento é capaz de reunir tanto interesse como esses dois eventos”, enfatizou o titular da pasta.

A estimativa é que a competição tenha 40 bilhões de telespectadores, dos quais três bilhões somente na final da Copa. Com esses números em mente, o ministro disse que é momento do Brasil se questionar de que modo pode tirar melhor proveito desses dois empreendimentos.

“A projeção é de que só a Copa do Mundo possa gerar 3,6 milhões de empregos e acrescentar ao PIB [Produto Interno Bruto] do Brasil 0,4% até 2019. E que pode atrair investimentos privados na ordem R$ 3,4 para cada R$ 1 de investimento público firmado”, disse Rebelo, citando um estudo da empresa de consultoria Ernst Young e da Fundação Getúlio Vargas.

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Imagem do Brasil

Para Aldo Rebelo, o desempenho nos esportes pode ajudam a projetar a imagem e a influência do país. “Foi o caso do Emerson [Fittipaldi, presente na reunião] que ajudou a projetar o Brasil no automobilismo, do Pelé com o futebol, e outros astros em outras modalidades.”

O ministro citou o estudioso francês Pascal Boniface, autor do livro “A Terra é Redonda como uma Bola: Geopolítica do Futebol”, para quem um país precisa ter três condições básicas (território, população e governo) e uma seleção nacional de futebol se quiser entrar na geopolítica mundial.

“Os maiores objetivos da China são: classificar a seleção chinesa para uma Copa do Mundo, sediar uma Copa do Mundo e ganhar uma Copa do Mundo. E nós já fizemos tudo isso. Somos o único a participar de todas as Copas, somos o país que teve o maior astro do futebol. Sempre fomos grandes protagonistas. E nas Olímpiadas também temos alcançado destaque.”

Caminhos para o país

Como a Copa e os Jogos Olímpicos podem gerar efeito curador e permanente nos negócios e na economia do Brasil? Como integrar o esforço no sentido de dar dinamismo aos negócios do esporte? Quais são as ações que devem ser adotadas?

Segundo o ministro, a iniciativa do Comitê de Desporto da Fiesp em buscar respostas a essas perguntas é pioneira e constitui um importante passo para o Brasil.

“A meu ver, o desenho institucional dessa ação deve reunir os ministérios do Esporte, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, das Relações Exteriores, a Apex [Agência Brasileira de Promoção de Exportações], o setor produtivo, as entidades relacionadas à cadeia produtiva do esporte, as entidades e confederações ligadas ao esporte e nossos representantes nos organismos internacionais”, afirmou.

O passo seguinte, segundo o ministro, é, a partir daí, construir um caminho para remover os obstáculos ao crescimento e a consolidação do setor no país.

Rebelo também considerou importante realizar estudos para se detectar o quanto representa o PIB do esporte nacional e qual o tamanho da economia do esporte no Brasil na economia mundial.

“Os cálculos que são realizados, por aproximação, para o futebol nos apresenta uma tragédia. O PIB do esporte estaria mais de 30% nas mãos dos ingleses, pouco mais de 20% na mão dos alemães, entre 15 e 20% para a Espanha e nós estaríamos lá embaixo, no degrau de 2%. Então, esse país, que é um grande protagonista dentro de campo, tem essa posição.”

Sobre as críticas contra a Copa

Aldo Rebelo fez críticas aos setores da imprensa que tentam desqualificar o Brasil por sediar a Copa do Mundo. “Há poucos dias, um editorial do jornal Folha de São Paulo citou que a Copa do Mundo no Japão ajudou a recuperar a economia daquele país e a colocá-lo como protagonista na Ásia.”

Ele afirmou que não há motivos para se questionar se o Brasil é capaz de realizar a Copa, ressalvando que os projetos dos estádios são tecnicamente mais simples do que outras obras realizadas por essas construtoras e que os aeroportos terão capacidade acima da demanda projetada – os aeroportos militares, de acordo com o ministro, estão à disposição para algumas operações.

Com relação à possibilidade de violência durante os eventos, Rebelo reconheceu  que o tema preocupa, mas que esse tipo de problema não é exclusividade do Brasil, citando os incidentes na estação de trem durante os últimos Jogos de Inverno e os sequestros de atletas nos Jogos Olímpicos de Munique, em 1972.

“Nós vamos fazer esses dois eventos com as virtudes e os defeitos no nosso esforço da construção nacional”, concluiu.