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Próximo governo federal precisará adotar medidas para reforma tributária e financeira

Paulo Rabello de Castro, um dos coordenadores do Movimento Brasil Eficiente (MBE), foi o convidado da reunião do Cosec da Fiesp

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Para superar o cenário de estagnação da indústria e de recessão da economia, com gastos públicos elevados e alta carga tributária, é preciso estabelecer uma meta de controle de gastos e de objetivos de crescimento, com estímulos econômicos para o mercado de capitais, repactuação das dívidas estaduais, reorganização previdenciária e dedicação de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) em investimentos.

A receita é de Paulo Rabello de Castro, economista, presidente do Instituto Atlântico e um dos coordenadores do Movimento Brasil Eficiente (MBE), convidado desta segunda-feira (08/09) da reunião do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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Paulo Rabello. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


“A situação a qual chegamos é limite”, alertou o especialista. Ele apontou tributação, burocracia, juros e câmbio como algumas das causas para o atual cenário. “Indústria estagnou não apenas pela produtividade cadente ou pela perda de mercados”, explica.
Em sua visão, os juros altos são decorrência de um modelo de expansão crescente do gasto público. Em decorrência, avalia, cria-se o que ele classificou como a “tributarização da economia”.

“A economia brasileira que era inflacionada é agora ‘tributarizada’”, disse o presidente do Instituto Atlântico.

Para Castro, o Brasil precisa repensar o modelo atual. “Podemos ser um país de bem estar social, mas sem quebrar o país”.

Na visão de Castro, o próximo governo federal precisará, impreterivelmente, adotar medidas reformistas. “[Precisamos] de uma reforma tributária simplificada e de reforma financeira, para vivermos com juros normais, com redução de gastos, controle da burocracia e meta de crescimento estabelecida.”

A reforma tributária, na visão dele, é inicialmente um simplificação neutra, com repartição imediata da receita e criação de uma operadora nacional de distribuição de arrecadação.

Além disso, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) passaria a ser nacional e partilhado e haveria a criação de um Conselho de Gestão Fiscal. “A ideia é aumentar fundos para investimentos”, explicou.

Castro acredita que para a economia do país voltar ao eixo também é necessário um “Plano Real dos impostos”.

“Uma revolução fiscal acrescentaria 1% do PIB permanentemente à economia. Com normalização de juros mais alinhamento cambial, o resultado seria de 1,25% do PIB”, concluiu.

Participaram da reunião Antônio Delfim Netto, presidente do Cosec; o diretor titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, Paulo Francini; o presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Rafael Cervone e Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp.