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Para diretor do Senai Nacional, educação profissional ‘ainda é uma realidade de poucos’

Segundo Rafael Lucchesi, embora o ensino profissionalizante tenha aprovação de 90% da população brasileira, apenas 6% dos jovens cursam algum tipo de atividade nessa área

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

Há um paradoxo entre a opinião da sociedade brasileira em relação à formação profissional e a realidade da participação efetiva neste tipo de ensino.  A opinião é de do diretor geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Rafael Lucchesi, durante a coletiva de imprensa que apresentou a Olimpíada do Conhecimento 2014, na manhã desta quinta-feira (31/07), no Hotel Tivoli, em São Paulo.

“Atualmente, apenas 6% dos jovens brasileiros, até 25 anos, cursam educação profissionalizante, enquanto que nos países desenvolvidos este número é de 35%”, afirmou Lucchesi.

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Lucchesi:“O desafio é importante: temos que treinar e qualificar milhões de trabalhadores que estão na indústria e milhões de jovens que estarão amanhã na indústria”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Essa porcentagem, segundo ele, representa apenas 10% da população brasileira, contra 48% da população de países desenvolvidos.

“Países como Finlândia, França, Alemanha, entre outros, possuem índices extremamente elevados, o que influencia fortemente na produtividade do trabalho”, destacou.

Mas  o que chama atenção é que pesquisas realizadas pelo Senai indicam que a população brasileira aprova o ensino profissionalizante. “Atualmente, 90% da sociedade brasileira reconhece que o ensino técnico cria oportunidades no mercado de trabalho”, destacou Lucchesi, ao acrescentar que 82% acreditam que ensino profissional melhora a remuneração.

Para ele, isso é um paradoxo.  “A educação profissional emancipa oportunidades de carreira estável e inserção no mercado de trabalho. É um diferencial importante.”

Competitividade

Durante sua apresentação, Lucchesi falou sobre a agenda da CNI apresentada aos candidatos à presidência da República, nesta quarta-feira (30/08).

“Um item fundamental nesta agenda é a produtividade”, disse, acrescentando que a produtividade média de um trabalhador brasileiro corresponde a 20% da apresentada, em média, por um trabalhador dos Estados Unidos.

De acordo com ele, a indústria se moderniza, investe, adota equipamentos mais modernos e isso modifica o perfil do trabalhador. “O desafio é importante: temos que treinar e qualificar milhões de trabalhadores que estão na indústria e milhões de jovens que estarão amanhã na indústria”, disse.

“A indústria brasileira, para avançar e gerar empregos, precisa ser forte e competitiva”, concluiu.

Olimpíada do Conhecimento

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Lucchesi: Olimpíada existe para repensar o nosso sistema educacional e redimensionar sonhos para a grande maioria da população brasileira. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Segundo o diretor geral, o Senai está absolutamente comprometido com o ensino profissional.

“Em 2010, tínhamos dois milhões de matrículas e houve um enorme esforço para ampliar a capacidade de formação de pessoas. Encerraremos 2014 com quatro milhões de alunos matriculados em todo o país”, disse.

Na opinião de Lucchesi, o Senai vem ao encontro com uma indústria que se moderniza e se amplia.

“O Brasil é um dos poucos países emergentes com um parque industrial amplo. Por isso a necessidade de estabelecer padrões de excelência técnica para estimular a produtividade da indústria brasileira, a fim de torná-la mais competitiva.”

Nesse sentido, o diretor geral enxerga a Olimpíada do Conhecimento com um papel fundamental.

“A competição é de uma significância maior, no sentido de cidadania, de equidade social. Ela existe para repensar o nosso sistema educacional e redimensionar sonhos para a grande maioria da população brasileira. Não há nada mais dignificante do que isso”, afirmou.

Parceria internacional

Para o diretor geral do Senai, a parceria com o WorldSkills é muito importante. “Nós temos aprendido muito com padrões de excelência da WorldSkills e isso é fundamental para assegurar a competência técnica que o Senai tem”, disse.

“Nossa meta é trabalhar em todas as 48 ocupações da WorldSkills. E nosso objetivo é que, na soma das medalhas e dos pontos, possamos alcançar a primeira colocação”, afirmou.

Na opinião de Lucchesi, o Senai e o Brasil são fundamentais para o conceito da etapa internacional. “O Brasil, representado pelo Senai, é uma grande força dentro da WorldSkills”, encerrou.