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Para diretor do Deconcic, crédito baixo compromete desempenho do setor da construção

Na análise de Carlos Eduardo Pedrosa Auricchio, do Departamento da Indústria da Construção da Fiesp, setor da construção precisa de maiores investimentos para poder crescer

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Acima da burocracia e das questões ambientais, o grande problema da construção no país é o baixo investimento realizado no setor. A opinião é do diretor titular do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Carlos Eduardo Pedrosa Auricchio, em reunião plenária do departamento na tarde desta quarta-feira (27/08), realizada em meio à oitava edição do Concrete Show, importante feira do setor.

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Auricchio: "A média percentual dos países, em 2013, é de 3,8% do PIB revertida em obras infraestruturais. Nos desenvolvidos a parcela é de 5,1%”. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Na visão de Auricchio, o crédito imobiliário, que corresponde a 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, “continua muito baixo”.  Além disso, os investimentos governamentais em infraestrutura seguem a mesma linha: apenas 2% do PIB é revertido em obras e projetos de infraestrutura.

“A média percentual dos países, em 2013, é de 3,8% do PIB revertida em obras infraestruturais. Nos desenvolvidos a parcela é de 5,1%”. Na análise de Auricchio, tais fatos freiam o crescimento do setor produtivo da construção no Brasil.

GT Responsabilidade com o Investimento

Durante o encontro realizado na feira, Manuel Carlos de Lima Rossitto, coordenador do GT e diretor titular adjunto do Deconcic, explicou o funcionamento e os objetivos do grupo.  

Buscamos planejamento com ética, transparência e responsabilidade social, buscando o lucro para empresas do setor. Nossas reuniões são ricas e contam com as participações de analistas, especialistas e acadêmicos”.

Além disso, Rossitto destacou a produção de uma publicação, que mencionará os principais gargalos para a execução de uma obra. A publicação deverá  ser lançada em novembro.

GT Construção Industrializada

Em seguida foi a vez de Walter Cover, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) e conselheiro do Conselho Superior da Indústria da Construção (Consic) da Fiesp, falou sobre as ações em andamento do GT Construção Industrializada.

Segundo o dirigente, o grupo trabalha temas relacionados à falta de isonomia entre sistemas convencionais e sistemas construtivos. Outra questão trabalhada pelo grupo é estimular a indústria a comunicar os benefícios dos sistemas industrializados aos consumidores.

“Paradigmas precisam ser superados para a melhoria do setor.  Precisamos de conversas transparentes e diretas com as construtoras”, analisou Cover.


GT Segurança em Edificações

Outro grupo destacado durante o encontro foi o GT Segurança em Edificações, coordenado por Valdemir Romero, do Deconcic. Segundo Romero, o objetivo do grupo é “trazer uma nova cultura para o setor”.

“O grupo luta pela segurança continua em prédios e edifícios”, explica. Na visão de Romero é fundamental a criação de uma lei que torne compulsórias as inspeções periódicas em edificações, para averiguar as condições de instalações elétricas, hidráulicas e das fundações.  “Um trabalho coletivo é fundamental para que uma lei assim seja criada”, disse.


ConstruBusiness 2014

Ainda durante a reunião, os participantes abordaram os pontos principais que serão tratados durante o ConstruBusiness 2014, congresso que ocorre em novembro.

Os obstáculos e ferramentas para melhoria dos processos de construção no Brasil, abrangendo etapas de planejamento, contratação e execução de obras serão um dos assuntos levantados durante o congresso, segundo os participantes.

“Preocupação, como em todo o Contrubusiness, é que o setor valide todas as demandas”, disse Auricchio, ressaltando a importância da união dos atores do setor produtivo.

Parceria

Ainda durante o encontro foi anunciado uma parceira entre o CJE (Comitê de Jovens Empreendedores) da Fiesp e o Deconcic para a quinta edição do Acelera Startup,  que acontecerá no segundo semestre deste ano. Durante o evento, haverá uma categoria especial que premiará soluções e projetos inovadores para o setor da construção.

Falta de água

No encerramento da reunião plenária, a especialista do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp Priscila Freire Rocha falou sobre questões relacionadas à escassez de água e como isso pode prejudicar a indústria paulista.

Segundo a especialista, o Sistema Cantareira, principal fonte de água do estado de São Paulo, perde, por semana, 0,9% de sua capacidade, que, hoje, é de apenas 11% do seu total original.

Priscila explicou que o diálogo com entidades e autoridades é uma das principais ações da Fiesp para poder auxiliar a indústria nesse cenário de escassez de recursos hídricos. “Dialogamos com o Estado para que nenhuma medida rígida, que prejudique a indústria, seja tomada sem o conhecimento do setor”, disse.