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Roberto Simonsen: alunos da Olimpíada do Conhecimento ‘são o sonho das empresas’

Com investimento de R$ 30 milhões nos últimos quatro anos, unidade conta com tecnologia de ponta e é considerada uma referência na formação de bons profissionais no mercado

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

Os melhores equipamentos, os professores mais bem preparados e as tecnologias mais avançadas. É esse o cenário na escola Roberto Simonsen, unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) localizada no bairro do Brás, na capital paulista.

De acordo com o diretor da escola, João Roberto Campaner, esse é o grande diferencial de toda rede do Senai-SP em São Paulo. “Só nessa escola passam 5 mil alunos por dia, que estão em contato com novos parâmetros, no caso de usinagem, e novas tecnologias, na área de eletrônica”.

“Nossa unidade recebeu um investimento de R$ 30 milhões nos últimos quatro anos e isso permite que os estudantes estejam sempre trabalhando com a tecnologia de ponta, com os professores transferindo o conhecimento da melhor qualidade para eles”, afirmou o diretor.

Campaner: novos parâmetros em nome da boa formação dos alunos. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Campaner: novos parâmetros em nome da boa formação dos alunos. Foto: Everton Amaro/Fiesp


O ex-aluno Alasi Silva dos Santos, de 20 anos, é testemunha dessas boas condições de trabalho. “Os equipamentos disponibilizados pelo Senai-SP são de tão alto nível que, em muitos casos, são até mais tecnológicos que os da própria indústria”, explica ao lembrar que a entidade já tinha uma impressora 3D, desde que ele começou a estudar, em 2009.

“Para nós, ter a oportunidade de trabalhar com esse tipo de equipamento é um diferencial, porque a experiência com que chegamos ao mercado de trabalho é superior. Não é à toa que, na época em que cursei o curso técnico em mecatrônica, em 2012, a taxa de empregabilidade era de até 96%”, diz Santos.

Na opinião de Santos, o investimento do Senai-SP se prova pelo fato de que há muitas indústria que buscam o Senai-SP em busca de novos talentos.

“O Senai-SP se adianta em relação à necessidade da indústria. E isso faz com que os empresários nos procurem”.

Olimpíada do Conhecimento

Para o diretor Campaner, a Olimpíada do Conhecimento traz diversos ganhos para o Senai-SP. “Os competidores já são profissionais prontos, não só tecnicamente, mas do ponto de vista de postura, de ser cidadão.”

Na visão de Campaner, esses alunos são referência. “Como o treinamento é de alto nível, os alunos passam, muitas vezes, a saberem mais do que o próprio professor que os preparou”, explica.

“Esses meninos são o sonho de qualquer empresa”, afirma o diretor. “O Senai-SP contrata como trainees os campeões das últimas etapas, o que foi uma visão estratégica muito importante, pois são excelentes profissionais que acabaram ficando dentro da casa e alimentam esse ciclo virtuoso.”

Para ele, os professores que preparam os competidores transferem mais que o conhecimento de ponta, mas também as competências pessoais que já fazem parte do perfil dos cursos do Senai-SP, como responsabilidade e dedicação. “São alunos que trabalham muito para terem sucesso na Olimpíada do Conhecimento, mas que também sabem expressar suas ideias”, explica.

Na onda

Santos não tem dúvidas disso. Formado eletricista de manutenção e técnico de mecatrônica, ingressou no Senai-SP aos 15 anos. “Eu tinha uma visão um pouco preconceituosa do que era o Senai-SP, me imaginava trabalhando de terno algum dia”, conta. “Mas descobri que ser eletricista é bem diferente do que eu pensei, principalmente com a visão técnica que eu tenho hoje.”

Ele entrou no Senai-SP seguindo uma “onda”, porque tinha vários amigos se inscrevendo na instituição. “Passei na prova, me matriculei e, assim que eu comecei a fazer o curso, minha visão do Senai-SP mudou”, diz.

Competidor da Olimpíada do Conhecimento na Modalidade Fresagem CNC, Santos conta que conheceu a competição desde que ingressou no Senai-SP e, desde então, esse se tornou o seu principal foco: “queria tentar entrar na olimpíada, participar e vencer”.

Santos: “Queria tentar entrar na olimpíada, participar e vencer”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Santos: “Queria tentar entrar na olimpíada, participar e vencer”. Foto: Everton Amaro/Fiesp


“Meu pai sempre me apoiou. Como ele não pôde estudar, então, por ele, eu só estudava. Minha mãe é que tinha uma resistência no começo, com medo de eu me dedicar demais à Olimpíada e não atuar no mercado de trabalho”, conta Santos, que já foi campeão da etapa estadual, em 2011, na modalidade Manufatura Integrada. “Eu consegui a medalha de ouro, mas, no desempate para o Nacional, não consegui a classificação.”

Tente outra vez

Santos não desistiu e tentou novamente. Em 2013 foi vencedor, dessa vez pela modalidade Fresagem CNC e passou pela classificação para representar o estado de São Paulo na etapa nacional, que acontece de 03 a 07 de setembro, em Belo Horizonte.

“Hoje, sou muito grato ao Senai-SP porque foi lá que eu me tornei adulto. Entrei uma criança e aprendi tudo sobre responsabilidade e disciplina”, afirma o competidor que enxerga a instituição como um ambiente transformador.

Futuro

Sem pensar suas vezes, Santos diz que vê seu futuro no Senai-SP. “Quero trabalhar como instrutor e seguir a carreira dentro da entidade. É muito gratificante ver o retorno do aluno e saber que você fez a diferença na vida de alguém”, afirma.

Na visão dele, o tempo em que o competidor da Olimpíada do Conhecimento e seu instrutor o passam juntos é determinante. “É possível moldar o competidor e transferir todo o conhecimento para ele.”

A vontade de se dedicar ao Senai-SP tem um motivo: gratidão. “Tudo o que eu sou, hoje, devo ao Senai-SP. Tudo o que tenho, minha vida, minha carreira, eu consegui por aqui”, diz. “Foi o Senai-SP que me moldou e me formou como profissional, como ser humano.”