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Para 69% dos brasileiros, aumentos de preços foram grandes, aponta pesquisa da Fiesp

Levantamento destaca o fato de que essa percepção é muito parecida entre as diferentes faixas de renda, graus de instrução e faixas etárias

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A inflação é um problema para a maioria dos brasileiros. Para 69% da população, houve grandes aumentos de preços nos últimos seis meses. A conclusão é de estudo do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), realizada em parceria com o instituto de pesquisa Ipsos, uma das maiores empresas de pesquisa e inteligência de mercado do mundo. O objetivo é levantar a opinião dos entrevistados a respeito de suas percepções quanto à inflação e suas possíveis causas e consequências. Foram ouvidas 1 mil pessoas em todas as regiões do país entre os dias 17 e 31 de maio.

Para o diretor titular do Depecon, Paulo Francini, além da “percepção ampla da presença da inflação”, revelada pela opinião de 69% dos entrevistados a respeito do tema, chama a atenção o fato de que essa análise é muito parecida entre as diferentes faixas de renda, grau de instrução e faixas etárias.

No item faixa de renda, a percepção de grandes aumentos de preços é apontada por 67% das pessoas ouvidas pelo estudo que se encontram na classe AB, com 67% compartilhando da mesma opinião na classe C e 70% na classe DE.

Segundo o critério do grau de instrução, 72% dos analfabetos ou com primário incompleto ou completo dizem sentir a inflação, com 68% pensando da mesma forma entre os que têm ginásio incompleto ou completo, 69% com colegial incompleto ou completo e 63% com curso superior incompleto, completo ou mais.

Na sondagem por faixa etária, a inflação está alta para 66% das pessoas com idades entre 16 e 24 anos, para 72% daquelas entre 25 e 34 anos, 69% entre 35 e 44 anos, 70% entre 45 e 59 e 65% para quem tem 60 anos ou mais.

“Praticamente não há diferenciação por faixa de renda, grau de instrução e faixa etária”, diz Francini.

Conforme o diretor titular do Depecon, a inflação “de cada um é diferente e depende de quanto e como cada um gasta o próprio orçamento”, mas que, por motivos variados, o aumento de preços se faz sentir entre todos. “Para os brasileiros com renda menor, a inflação de itens como alimentação pode se fazer sentir mais, enquanto os gastos com serviços podem pesar mais entre aqueles com renda maior”, disse. “De qualquer modo, todos sentem o aumento dos preços.”

Francini: “Não haveremos de ter redenção em 2014 referente a 2013”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Francini: “De qualquer modo, todos sentem o aumento dos preços.” Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Segundo Francini, a taxa de inflação aplicada ao setor de serviços está em torno de 9,5% ao ano, com 6,5% para o índice geral.

Maiores variações

Entre os itens citados na pesquisa como os que mais sofreram variações de preços, alimentação e bebidas foi citado por 90% dos entrevistados, seguido por habitação (44%) e alimentação fora do domicílio (30%).

Ao mesmo tempo em que a alta dos preços é sentida, os reajustes no salário, conforme o estudo, não são suficientes para equilibrar as contas em casa. Assim, a maioria dos entrevistados, 87% do total, declarou que o salário “não tem compensado o aumento de preços”.

Política econômica

Para 73% das pessoas ouvidas no levantamento, a política econômica do governo é indicada como responsável pela elevação dos preços. Já para 10%, a responsável é a crise econômica internacional. Em seguida, aparecem as empresas (para 7%) e os próprios consumidores (3%). Os demais 9% ouvidos não sabem ou não responderam.

Perguntados a respeito de soluções para conter a inflação, os entrevistados citaram pontos como o controle dos gastos públicos (opinião de 38% do total), o congelamento de preços (para 37%), o controle dos aumentos contratuais de preços (14%) e o aumento da taxa de juros (3%). Para 1% das pessoas ouvidas, o governo não precisaria fazer nada. Outros 7% não sabem ou não responderam.

Juros, juros

Mesmo diante desse cenário, a maioria dos entrevistados (89%) não concorda com o aumento de juros como forma de controle da inflação. Entre aqueles com renda familiar superior a R$ 1,8 mil, essa proporção chega a 93% das pessoas ouvidas.

Em suas próprias vidas, 45% dos entrevistados acreditam que o principal impacto do aumento da taxa de juros é o desestímulo em contrair novas dívidas, enquanto 38% apontam a elevação do valor das dívidas contraídas como o principal impacto.

“A inflação é um tema de grande importância”, afirma Francini. “Existe uma opinião formada a respeito dessas responsabilidades. As pessoas sabem que a inflação é consequência do exercício de determinada política econômica.”

Para acessar o estudo completo, clique aqui.