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País precisa de uma política forte para o setor de Petróleo e Gás

Indústria nacional tem potencial para atender maior parte da demanda da Petrobras e das operadoras, mas patina em fatores que dificultam a concorrência com produtos estrangeiros

Odair Souza, Agência Indusnet Fiesp

O Brasil precisa se posicionar estrategicamente para garantir que a indústria nacional tenha capacidade de aumentar o conteúdo local nos investimentos em petróleo e gás. Este foi o entendimento dos palestrantes do painel Política Industrial para o Setor de Petróleo e Gás e a Demanda de bens e Serviços do Pré-sal, durante o 12º Encontro Internacional de Energia, promovido pela Fiesp nestas segunda e terça-feira (15 e 16).

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Eloy Fernandez y Fernandez, diretor da Onip

Apesar das medidas que o governo vem tomando para posicionar melhor o fornecedor brasileiro, as entidades representantes da indústria de petróleo e gás advertem para os gargalos críticos que podem dificultar a geração de empregos, o aumento da competitividade e o sucesso da participação das empresas nacionais como fornecedoras de bens e serviços ligados ao petróleo, que pode totalizar US$ 400 bilhões até 2020. “O Brasil tem escala suficiente para desenvolver uma sólida cadeia de bens e serviços”, observou o diretor geral da Onip, Eloy Fernández y Fernández.

O diretor da Onip considera que, para o País alcançar esse patamar, o setor de petróleo precisa de uma política ampla por parte do governo. “Se os fatores de competitividade não forem implementados com êxito, a geração de empregos nos próximos 10 anos, que poderia totalizar entre 1,7 milhão e 2,1 milhões, não acontecerá nessa projeção”, alertou Fernández.

O diretor da Onip elencou alguns fatores capazes de influenciar positiva ou negativamente no aumento do conteúdo local:

  • Sistema tributário, custo de capital e câmbio;
  • Inovação dentro das empresas;
  • Desenvolvimento da Engenharia nacional;
  • Educação básica e técnica;
  • Ganhos de produtividade; entre outros

Para o diretor do IBP, Antonio Carlos Guimarães, o discurso de que as empresas operadoras só têm interesse em produtos importados virou jargão. “Ao contrário, as operadoras entendem que comprar no Brasil é um bom negócio. O desenvolvimento sustentável do País está no DNA delas”, sublinhou.

Guimarães vislumbra um aumento significativo da produção industrial destinada ao setor de petróleo e gás. “Juntos, virão o aumento da arrecadação e a geração de novos empregos”, previu. O palestrante também considerou que para aumentar a capacidade produtiva das empresas nacionais são necessários incentivos que viabilizem o predomínio de fornecedores nacionais. “Hoje, o predomínio é dos produtos estrangeiros, há um ‘gap’ enorme do ponto de vista da capacidade das empresas nacionais”, refletiu.

Mais empregos

O plano de investimento da Petrobras vai aumentar consideravelmente o número de empregos na cadeia naval, segundo o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (Abenav), Augusto Mendonça. “Dos atuais 60 mil trabalhadores, o setor deverá ter mais de 100 mil funcionários, em decorrência do aumento da fabricação de plataformas e navios de transporte”, disse. Mendonça também considerou a necessidade de uma política concreta para o setor.

Mobilização da Indústria

O diretor de Infraestrutura da Fiesp e do Ciesp, Julio Diaz, fez um relato da mobilização que a Fiesp/Ciesp tem feito para conscientizar a indústria paulista sobre o potencial de investimentos que o setor de petróleo e gás terá nos próximos anos.

“Há 10 anos, o setor representava 5% do Produto Interno Bruto brasileiro. Hoje, corresponde a 10%, em 2010 será responsável por 20%”, frisou. “Estamos perdendo para o mercado externo em competitividade”, disse ao enumerar o leque de incentivos que a Petrobras e seis instituições financeiras oferecem à indústria fornecedora do setor. O painel foi coordenado pelo diretor da Fiesp, Paulo Guirro Pacheco.

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Acompanhe a cobertura do 12º Encontro Internacional de Energia