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‘Olimpíada prepara os alunos para a vida, que é uma competição’, diz diretor do Senai

No competitivo ambiente automobilístico, a escola forma técnicos e treina funcionários das maiores montadoras do país

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

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Fabio Rocha: medalha de ouro é importante, mas o mais importante é o processo. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Nos laboratórios da unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) no Ipiranga, especializada em automobilística, montadoras concorrentes estão lado a lado. Veículos nacionais e importados, motos, carros e até caminhões, são quase 60 empresas parceiras que confiam na escola para treinar seus funcionários.

Resultado de um trabalho que inclui investimento, formação de docentes e busca constante por melhores, ela é uma das escolas de referência da rede Senai-SP e com ótimos resultados na Olimpíada do Conhecimento. O diretor da escola do Ipiranga, Fabio Rocha, é um incentivador da competição, por já ter participado na década de 90, quando chegou ao Mundial.

“Qual o legado da Olimpíada? Prepará-los para a vida, porque a vida é uma competição. No trabalho, é entregar uma peça com boa qualidade, na hora certa, no prazo certo”, diz Fabio.

“É o que a Olímpiada exige: planejamento, experiência em competir, ter que apresentar resultado de qualidade, trabalhar sob pressão, com metas e resultados. Os competidores carregam isso para a vida. A medalha de ouro é importante, mas o mais importante é o processo.”

Além do benefício para o aluno que participa da competição, Fabio defende a importância da Olimpíada para a escola, que recebe equipamentos e ferramentas atualizadas com o que há de melhor mundialmente e mantém os professores treinados. Mas acredita que a Olimpíada é um dos processos educacionais do Senai.

“Ao longo dos 50 anos dessa escola, o Senai sempre vem fazendo um trabalho sério. Por isso, a cada ano conquistamos novos parceiros, melhora a formação dos docentes e mais gente quer estudar aqui”, diz o diretor que chega a ter uma média de 15 inscrições por vaga no curso e forma 18 mil profissionais por ano.

As empresas da área automobilística também dão o aval de qualidade do Senai-SP do Ipiranga. “Não sou eu que digo que essa escola é uma referência, é o mercado. Temos muito orgulho por ter o reconhecimento das marcas que estão aqui. E por meio dessas parcerias, estão sempre atualizados com relação ao veículo, equipamento, ferramenta, insumos.”

Para o professor de funilaria Francisco Ivo Miranda, no Senai-SP há 17 anos, colocar o que se aprende em prática, uma característica de todos os do Senai, é o que garante o interesse dos alunos. “A parte teórica é 25% do curso, ou seja, 75% é de prática, em que o aluno vai realmente para a oficina fazer o serviço. No Senai, o aluno aprende fazendo.”

Mais do que isso, os professores vão além da técnica e buscar formar cidadão. “A gente não está ensinando apenas alunos, estamos formando homens para o mercado de trabalho, passando conceitos de organização, limpeza, responsabilidade. Queremos que eles saiam da escola como profissionais completos, sabendo teoria e prática, cumprindo horário, entregando trabalhos com perfeição.”

Alunos

Os competidores da unidade do Senai-SP do Ipiranga na Olimpíada do Conhecimento são a prova que o investimento (que inclui equipamentos, capacitação dos docentes, acompanhamento psicológico, preparação física, nutricionista e assistência médica e odontológica) dá resultado.

“No Senai-SP que eu descobri a vocação para a funilaria. Eu conhecia, mas não atuava nessa área”, conta Fernando Marcos José Reis Silva, 19 anos, competidor da modalidade funilaria automotiva.

“Antes eu não sabia muito o que eu queria, em que área ia trabalhar, que é normal para qualquer jovem quando acaba o ensino médio, pensar “e agora? O que eu faço?”. Mas o Senai-SP me deu essa oportunidade. Agora tenho um bom currículo, me sinto mais capacitado para o mercado de trabalho. Como pessoa e como profissional, o Senai-SP me instruiu bastante”, afirma.

Para Caio Freitas, de 19 anos, competidor em pintura automotiva, o diferencial do Senai-SP é a exigência pela qualidade. “Nos treinos, o que eu sou mais demandado é O que mais sou demandado é pela qualidade do serviço, também pelo planejamento e ser criterioso”, diz o estudante.

“É uma modalidade que exige isso, desde a limpeza de uma peça que vai ser pintada até a qualidade de um lixamento. Se o trabalho tiver um defeitinho no começo, vai refletir no final, no resultado. Vou levar isso para o meu trabalho para o resto da vida”, revela Caio, que pretende seguir na carreira, mas ainda está em dúvida sobre o curso superior: química, para aprender sobre a produção da tinta, e tecnólogo em automobilística.

Com cursos voltados para pessoas com deficiência, o Senai-SP do Ipiranga também tem representante na categoria PCD: Robson Expedito de Paula Braz, de 20 anos, na modalidade mecânica.

Morador da zona leste de São Paulo, ele chega a demorar até três horas para chegar a escola, diariamente. Mas sabe que é um esforço que compensa. “A cada dia que passa, conheço coisas novas, obtenho mais conhecimento. Pretendo dar sequência na carreira de mecânica, sem deixar de lado o esporte”, conta o aluno, que é halterofilista e tem chance de disputar as Paralimpíadas.

“A deficiência é um desafio a mais para mim. Acho que se eu não tivesse uma deficiência, não teria realizado sonhos”, imagina Robson, que busca o otimismo sempre. “Todo mundo tem seus altos e baixos, mas quando estou nos meus baixos, luto para levantar a cabeça e seguir em frente.”