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Oficina de capacitação na Fiesp aborda mitigação de emissões de gases de efeito estufa

Objetivo foi demonstrar construção de cenários possíveis para os setores industrial e energético

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Opções de mitigação de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) em setores-chave, no Brasil, foram o foco de oficina de capacitação, realizada no dia 30 de julho na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com especialistas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Tratou-se de metodologia para “Mapeamento de Tecnologias de Baixo Carbono” e “Construção de Cenários de Baixo Carbono” nos segmentos industrial e energético.

O treinamento integrou as ações de projeto que mobiliza 11 ministérios com vistas ao esforço do país quanto à mudança climática em setores-chave, como indústria, energia, transportes, edificações, LULUCF (Uso da Terra, Mudança de Uso da Terra e Florestas), gestão de resíduos e outras alternativas intersetoriais. O projeto está sendo implementado em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Segundo Régis Rathmann, do MCTI, as opções de mitigação auxiliam na identificação de seus respectivos potenciais e custos quantificados a fim de minimizar incertezas. “Muitos setores são produtores de energia e também dependentes”, avaliou. Rathmann detalhou os três componentes avaliados, na oficina:

1 – opções de mitigação identificadas e seus respectivos potenciais e custos quantificados para os períodos 2012-2035 e 2036-2050.

2 – análise integrada das diferentes opções de mitigação em estrutura de otimização integrada, considerando a não-aditividade das diferentes opções e outras considerações econômicas; e avaliação dos possíveis impactos dos custos de abatimento e diferentes políticas climáticas sobre a economia brasileira.

3 – capacitação de instituições, governo federal, estaduais e cidades-sede da Copa do Mundo 2014, bem como organizações da sociedade civil para implementação de ações de mitigação de emissões de GEE em setores-chave da economia.

Já Pedro Rochedo teve como foco a energia e frisou que o sistema energético brasileiro é bem diferente dos demais, no mundo. Aqui, há forte concentração de energia renovável, com 46% da energia primária renovável em 2013 (Fonte: EPE, 2014), contando com hidroelétricas como maior fonte de eletricidade, além do etanol, que representa cerca de 14% do consumo de combustível no setor de transporte.

Rochedo tratou, em detalhes, da estrutura do setor energético, composto por óleo e gás, carvão, sucroalcooleiro, biomassa e setor elétrico. Em termos de óleo e gás, por exemplo, o pré-sal oferece recurso enorme, com reserva entre 70 e 100 gigabarris de petróleo, porém, presente entre 200 a 300 km da costa, e a 8 mil metros abaixo do nível do mar, o que requer tecnologia, inclusive para o aproveitamento do gás acumulado nessa área. Em sua avaliação, óleo e gás contam com tecnologias maduras e, portanto, com baixa perspectiva de inovação.

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Oficina sobre mitigação de emissões de GEE, realizada na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Em termos de carvão mineral, predominante na região Sul do país, seu uso é pouco representativo em função da baixa qualidade que oferece e, em função do baixo preço, acaba sendo destinado ao uso térmico. O setor sucroalcooleiro brasileiro, como maior produtor de cana-de-açúcar, especialmente no Sudeste, só perde em etanol para os Estados Unidos, cujo etanol é feito à base de milho. Esse processo demanda vapor e eletricidade, e o bagaço deixou de ser avaliado como resíduo para se tornar fonte de energia.

Outro exemplo dado por Rochedo diz respeito à controversa energia nuclear. O Brasil conta com a 5ª maior reserva mundial de urânio, mas não domina toda essa cadeia produtiva. No entanto, a reserva existente é capaz de atender a demanda por mil anos.

O especialista do MCTI alertou para um caráter prático quanto à demanda energética: “Nos Estados Unidos, entregam-se à população de baixa renda, em algumas localidades, geladeiras mais eficientes porque isto é mais fácil do que expandir a base do setor elétrico”, exemplificou.

A Fiesp – por meio de seu Comitê de Mudança do Clima – participa das Conferências Climáticas Mundiais desde 2009, quando foi assinado o Acordo de Copenhague. Na ocasião foi reconhecido que o aumento da temperatura global não deve exceder 2º Celsius, até o final do século, para evitar mudanças irreversíveis no sistema climático. Desde então a Fiesp tem integrado a delegação brasileira, acompanhado a agenda internacional e participado de todas as Conferências das Partes (COP) da Organização das Nações Unidas (ONU). Na agenda nacional, a Fiesp integra os fóruns governamentais e da sociedade civil, defendendo a competitividade brasileira na construção dessa nova economia de baixo carbono. Outra iniciativa é a divulgação do tema para as pequenas e micro empresas, como a oficina realizada no dia 30 de julho. O Comitê de Mudança do Clima da Fiesp participará da COP21, em Paris, no final deste ano.