Ofélia, de Hamlet, ganha voz em peça do Centro Cultural Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

Arquétipo da donzela indefesa em Hamlet, de Shakespeare, a personagem Ofélia ganha novas vozes na peça Quero Morrer com Meu Próprio Veneno, que estreia nesta terça-feira (30 de maio) no Mezanino do Centro Cultural Fiesp, com entrada gratuita.

A montagem inédita do texto forte de Ana Carolina, autora do Núcleo de Dramaturgia Ssei-British Council 2017, discute o que aconteceria na cabeça da personagem se ela pudesse escolher e se apoderar de seu próprio destino, seja ele qual for.

“Fui percebendo, aos poucos, que diferentemente de Lady Macbeth e Julieta, Ofélia não tem sua própria voz dentro da narrativa. É uma personagem totalmente sufocada pelos homens que a cercam: Hamlet, Laertes, Polônio, Cláudio. Quero Morrer com Meu Próprio Veneno é a oportunidade que encontrei para questionar se uma personagem é definida pelo que ela fala, faz e o que falam dela, que exemplos de mulheres foram (e vêm sendo) criados”, afirma a autora.

Para evidenciar essa Ofélia contemporânea, que carrega o peso de viver em uma sociedade pautada pelo homem, a diretora Mika Lins divide o palco entre três vozes. Uma é o presente e a visão de Ofélia sobre si mesma (interpretada por Luisa Micheletti); a outra, o pensamento e a visão sobre a realidade das situações (papel de Luiza Curvo), e a última, os olhares de várias pessoas, pelo seu ponto de vista (vivida por Luna Martinelli).

Para a diretora “é estimulante olhar e ouvir mulheres de uma geração que não é a minha, pensando em maneiras cada vez mais potentes de se colocar em um mundo comandado por homens. Um mundo em que, vira e mexe, você se vê em posição de Ofélia, sendo levada pelo rio, tentando se agarrar na vegetação, tentando não sucumbir (e às vezes sucumbindo) a um papel que ainda nos é imposto e esperado”.

Luisa Micheletti, Luiza Curvo e Luna Martinelli em Quero Morrer Com Meu Próprio Veneno. Foto: Divulgação

Sobre Ana Carolina

Radialista pela Universidade Anhembi Morumbi, dramaturga pela SP Escola de Teatro​, Ana Carolina Oliveira, 23 anos, integrou a 9ª turma do Núcleo de Dramaturgia Sesi-British Council, de onde surgiu seu texto mais recente, Quero Morrer com Meu Próprio Veneno. Foi uma das coautoras da peça Vira-Latas de Aluguel (indicada ao 27º Prêmio Shell, na categoria Inovação), além de ter atuado no mesmo projeto como a personagem Carteira. Participou com seus textos Humanoide 2963x; Chá das Três e Ela não Mora mais Aqui, além de eventos como Dramas Paralelos; SP Dramaturgias e 1ª Mostra de Teatro de Heliópolis​.

Sobre Mika Lins

Mika Lins, 52 anos, estreou nos palcos em 1984 na peça A Casa de Bernarda Alba, pela qual foi indicada aos prêmios Mambembe e Governador do Estado, levando o último. No teatro, também atuou na direção das montagens Seria Cômico se não Fosse Trágico (1996), Dueto para um (2010), Festa no Covil (2013), Palavra de Rainha (2014), entre outras. Ao longo da carreira, já trabalhou ao lado de diretores teatrais consagrados, como Antônio Abujamra, Zé Celso e Jô Soares. Iniciou-se no cinema com o filme norte-americano O Quinto Macaco (1989), ao lado de Vera Fisher e Ben Kingsley. Atualmente, Mika dirige o programa Terra Dois (vencedor do Prêmio APCA como melhor programa de TV 2017), na TV Cultura, com a atriz Maria Fernanda Cândido e o psicanalista Jorge Forbes. Em 2017 dirigiu o espetáculo A Tartaruga de Darwin, texto de Juan Mayorga com Ana Cecilia Costa, Tuna Dwek, Marcos Suchara e Diego Machado.

Serviço:

Quero Morrer com Meu Próprio Veneno

Temporada: de 30 de maio a 22 de julho

Horários: quarta a sábado, 20h30; domingo, 19h30

Local: Mezanino do Centro Cultural Fiesp (avenida Paulista, 1313 – em frente à estação Trianon-Masp do Metrô)

Capacidade: 50 lugares

Duração: 60 minutos

Gênero: Drama, Adulto

Classificação indicativa: 14 anos

Grátis. Reservas antecipadas de ingressos pelo site www.centroculturalfiesp.com.br ou ingressos remanescentes na bilheteria, meia hora antes do espetáculo.

Ficha Técnica: Texto: Ana Carolina | Direção: Mika Lins | Elenco: Luisa Micheletti, Luiza Curvo e Luna Martinelli | Iluminação: Caetano Vilela | Cenário e Figurino: Cassio Brasil | Música original: Marcelo Pellegrini | Preparador corporal: Diogo Granato | Assistente de Direção: Daniel Mazzarolo | Fotografia e vídeo: Edson Kumasaka | Criação visual: Luciano Angelotti | Cenotécnica: Domingos Varella | Assistente de Iluminação: Tom Vieira | Assistente de Produção: Luana Gouveia | Estagiária de direção: Lorena Anderáos | Direção de Produção: Dani Angelotti | Produção: Cia Instável e Cubo Produções | Realização: Sesi-SP