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Objetivos de desenvolvimento sustentável e boas práticas da indústria em seminário na 20ª Semana de Meio Ambiente da Fiesp

Evento reuniu especialistas e empresários na manhã desta quinta-feira (07/06) na sede da federação

Graciliano Toni e Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Hora de debater práticas e metas. Com essa proposta, foi realizado, na manhã desta quinta-feira (07/06), o seminário “Exemplos de Sucesso do Setor Industrial na Implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável”. O encontro fez parte das atividades da 20ª Semana de Meio Ambiente da Fiesp e do Ciesp, aberta nesta terça-feira (05/06), na sede da federação, em São Paulo.

O debate foi conduzido pelo diretor do Departamento de Desenvolvimento Sustentável da Fiesp, João Carlos Redondo. E teve a participação de nomes como Grácia Fragalá, diretora titular de Responsabilidade Social da federação.

Sergio Kelner, representante do Departamento de Educação para Cidadania e Inovação Social do Governo Federal, foi um dos debatedores.

“O que é bom para a Suécia não necessariamente é bom para o Brasil, é preciso considerar as especificidades”, disse ele sobre as metas da chamada Agenda 2030 da ONU e seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “Romper as barreiras culturais e resolver conflitos”.

Segundo Kelner, o Brasil tem “a Agenda 2030 para viabilizar”. “Temos um plano de ação e eixos estratégicos para trabalhar, como gestão e governança da Comissão Nacional para os ODS, disseminação da agenda 2030, agenda 2030 Brasil, acompanhamento e monitoramento”, disse. “Vamos criar uma câmara temática formada por estudiosos, representantes do governo e da sociedade com o objetivo de estabelecer meios de colocar em prática as metas de forma integrada”.

Nesse contexto, é preciso considerar finanças, tecnologia, capacitação, comércio e questões sistêmicas, conforme Kelner.

Assessora especial para Assuntos Internacionais do Governo de São Paulo, Ana Paula Fava destacou as ações em âmbito estadual em prol da sustentabilidade. “Elaboramos um livro digital para cada ODS, para usar como suporte de treinamento na rede pública de ensino”, disse.

Foram organizados ainda concursos em parceria com consulados como o da China para crianças e jovens. “Levamos um tema universal para as escolas públicas de São Paulo”, afirmou. “São 645 municípios no estado, cada um com os seus projetos”, disse. “O governo tem informações conectadas sobre o tema, estamos desenvolvendo uma forma de divulgação”.

A meta é fazer dos ODS “políticas públicas”. “Que esse trabalho siga atuante até 2030”.

Entre as ações nesse sentido, Ana Paula cita a elaboração de um fluxograma que ensina aos refugiados que caminho percorrer para se inserir na sociedade brasileira, uma parceria com Fundo de Solidariedade para a oferta de cursos para a população carente e a formação de um grupo de trabalho específico sobre os ODS com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

“A Agenda 2030 não é uma utopia”, disse. “Com engajamento e boa vontade, as coisas acontecem”.

Diálogo entre setores

Pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária da (Embrapa), Daniela Lopes reforçou a importância de “estabelecer ambientes de diálogo entre os setores”.

“A Agenda 2030 é uma agenda aspiracional, cheia de oportunidades e desafios”, disse.

Ela lembrou que, na época de sua fundação, há 40 anos, a Embraapa tinha a sua pauta inicial de trabalho focada em pontos como o aumento da produção e a segurança alimentar. “Hoje o foco vai além e envolve a inovação para toda a cadeia produtiva”, disse. “Trabalhamos com biotecnologia, nanotecnologia, geotecnologia, automação, precisão”.

Isso sem falar no “alinhamento da Embrapa com os ODS”.  “O primeiro passo foi o alinhamento na busca da sustentabilidade agropecuária”, explicou. “Existe uma influência direta da Embrapa na erradicação da pobreza, por exemplo”.

Agora, segundo Daniela, o desafio é internalizar a Agenda 2030 na Embrapa. “Temos que identificar conhecimentos e tecnologias já disponíveis que possam contribuir para o alcance dos ODS”, disse. “Atualizar o nosso planejamento estratégico.”

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Mesa de abertura do seminário sobre objetivos de desenvolvimento sustentável. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Cases da indústria

Patricia Iglesias Lemos, superintendente de Gestão Ambiental da Universidade de São Paulo, foi a moderadora do debate no painel Exemplos de Sucesso na Implementação dos ODSs.

Representante da Metalúrgica Inca, empresa de pequeno porte, Luis Bello explicou que a indústria produz peças como roscas e braçadeiras. E que, mesmo sem seguir exatamente os objetivos da Agenda 2030, trabalha com um programa sólido de gerenciamento ambiental.

“Diante do crescimento dos asiáticos no mercado, encaramos o desafio da concorrência, fomos buscar informação para trabalhar melhor, de modo mais econômico e sustentável”, disse.

Dessa forma, a Inca tem um trabalho com escolas de Mococa, onde fica a empresa, no interior paulista, para coleta seletiva. “Distribuímos kits, fazemos palestras, promovemos essa conscientização”, explicou. “Incentivamos as boas práticas e compartilhamos experiências”.

Com 69 anos de fundação, a Inca só manda “para o aterro o papel do sanitário”, conforme explicou Bello. “Também economizamos energia com o uso de biomassa, com queimadores feitos dessa forma”, afirmou. “Assim temos ganho financeiro e somos mais competitivos”.

Patricia Lemos destacou que pode ser trabalhado o fato de haver vários benefícios ambientais, ajudando a imagem da empresa.

O case de uma empresa de médio porte foi o da Micro-Química Ltda, apresentado por Claudio Hanaoka. Com 27 colaboradores, a empresa é 100% nacional e está há 32 anos no mercado. Ela começou desestruturada, disse Hanaoka, que quando foi trabalhar nela encontrou gestão improvisada. Ele pôs na cabeça que seria preciso montar uma empresa anticrise, pensando no que era importante para seus clientes. Percebeu nos sites de seus fornecedores o destaque à sustentabilidade. Havia uma resistência cultural a isso na Micro-Química, explicou.

Elegeu a área de lavagem de embalagens para começar a mudança cultural, por perceber que seria impossível fazer na empresa inteira. Dali começou a doutrinação, a troca de mão de obra, a implantação da ISO 9000. Na lavagem de embalagens, houve como resultado a economia de água. Entre os investimentos feitos está a coleta de chuva do telhado.

Hanaoka destacou que o crescimento da empresa é orgânico, sem empréstimos bancários e com investimento feito a partir do lucro. O faturamento cresceu de 2016 para 2017 (15% em volume e 30% no lucro). Houve ganho de eficiência e minimização de riscos, disse.

Coragem, resiliência, paciência, capacidade de comunicação, aconselha Hanaoka a quem for iniciar o trabalho de sustentabilidade. Ter autoconhecimento, estudar, disse, é importante, porque o tema do desenvolvimento sustentável é solitário. “E acreditar.”

Foi uma lição, disse Patricia Lemos ao comentar a apresentação de Hanaoka.

Embraer foi o case de empresa de grande porte. A apresentação foi feita por Mayara Ribeiro. Signatária do Pacto Global desde 2008, a Embraer começou em 2015 a tentar a implantação dos ODS. A empresa tem um programa de apoio a ONGs de comunidades onde a Embraer está inserida. Editais de apoio privilegiam os ODS identificados em consulta pública entre as ONGs em 2015. O plano de sustentabilidade para 2020 tem metas para todos os temas identificados, que passam a ser acompanhadas.

O monitoramento, destacou Patricia Lemos, é bastante importante.