‘O trabalho em equipe ainda é o melhor’, diz Ferruccio Lamborghini em reunião do Comitê dos Jovens Empreendedores na Fiesp

Neto do lendário Ferruccio Lamborghini, o herdeiro esteve na sede da federação, em São Paulo, nesta terça-feira (10/04)

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

Ele sabe que ter nascido um Lamborghini foi um privilégio e tanto. Em suas palavras, “uma oportunidade em 7 milhões”. E se esforça, todos os dias, para fazer valer o sobrenome. “Carrego a grande responsabilidade de fazer o melhor por tudo que foi deixado pelo me avô”, disse Ferruccio Lamborghini, vice-presidente da italiana Tonino Lamborghini, na reunião com o Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Fiesp, na noite do último dia 10 de abril. O evento foi realizado na sede da federação, em São Paulo.

Ferruccio fez questão de contar em detalhes a história da família e falar sobre o seu DNA empreendedor. Isso destacando as marcas e produtos associados à tradição e ao estilo italiano.

O empresário disse que, apesar de ter sido criado na cultura agrícola, seu avô, de quem herdou também o primeiro nome, gostava muito de mecânica. “Quando foi chamado para a 2ª Guerra Mundial, ele furtou os manuais dos tanques que vieram dos Estados Unidos para estudar”, contou. “Leu tudo em tempo recorde e enterrou os materiais. Por isso se ofereceu para trabalhar com mecânica na época”.

Quando acabou a Guerra, já com a família, o avô teve a sorte de comprar um lote dos carros que não voltaram para os EUA.  Para isso, teve a ajuda do bisavô de Ferruccio, que emprestou o dinheiro para tanto. Foi a partir daí que Lamborghini começou a fazer tratores com os motores dos tanques. Logo depois contratou uma série de engenheiros de renome para construir os seus veículos.

Na época, a maior parte da elite circulava com automóveis da marca Ferrari. Incomodado com o sistema de embreagem dos carros da montadora, Ferruccio avô decidiu encontrar Enzo Ferrari, o presidente da marca, para reclamar do problema, sugerindo inclusive modificações.

Ferruccio Lamborghini ao microfone: inspiração que vem do avó. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Ferruccio neto conta que a recepção de Enzo não foi das melhores. “Ele falou para o meu avô que ele só sabia dirigir tratores”, contou. “Muito ofendido, meu avô decidiu que montaria um carro para competir com a Ferrari”, disse. “Pouco tempo depois, apresentou seu primeiro protótipo, o 350 GTV, que se transformou no primeiro carro de produção da Automobili Lamborghini”, explicou. O carro fez bastante sucesso e foi produzido entre 1964 e 1968.

Segundo o empresário, de 1966 a 1988 vários lançamentos como Lamborghini Miura, Lamborghini Islero, Espada, Islero, Jarama, Urraco e Countach foram sucesso de vendas e arrancaram suspiros mundo afora.

Crise nos negócios

De acordo com Ferruccini, a empresa começou a passar por dificuldades financeiras numa época em que os carros esportivos começaram a ser mal vistos. Em 1981, a marca foi vendida para os irmãos Mimram. Foi quando surgiu a Lamborghini Jalpa, um veículo off-road.

Em 1987, a marca norte-americana Chrysler comprou a Lamborghini e, além do substituto do Countach, começou a preparar um motor para equipar carros de Fórmula 1. A estreia nesta competição automobilística ocorreu em 1989, mas nunca foi bem-sucedida. Desde 1998 a Lamborghini pertence ao grupo Volkswagen.

Um dos mais jovens Lamborghini é o Huracán, que chegou em 2014 para substituir o Gallardo. O modelo traz uma nova tecnologia que é os chassis híbrido, feito de carbono e alumínio.

Ídolo

“Quero visitar o Morumbi, o cemitério onde está enterrado o meu ídolo Ayrton Senna”, disse. Ferruccio lembrou do tempo em que a Lamborghini investiu na Fórmula I. “Sem dúvida, Ayrton foi um exemplo. Seria uma honra se tivéssemos tido a oportunidade de tê-lo na equipe”.

Para os jovens empreendedores, o empresário deixou algumas dicas de sucesso. “O trabalho em equipe ainda é o melhor”, disse. “A curiosidade é fundamental”. E, por fim: nunca se sinta apagado”.