imagem google

Panorama da biotecnologia e soluções inovadoras são apresentados em seminário

Possibilidade de parcerias na área tecnológica com empresas holandesas foram o enfoque do encontro

Dulce Moraes, Agência Indusnet

O Seminário “Tecnologias & Soluções Inovadoras para Cidades Inteligentes” abriu a programação desta quinta-feira (05/06) dentro da 16º Semana de Meio Ambiente, realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Imagem relacionada a matéria - Id: 1545017621

Nelson Vieira Barreira, diretor doDepartamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, abre Seminário. Foto: Tâmna Waqued/FIESP

O encontro contou com a presença do Cônsul Geral do Reino dos Países Baixos [Holanda] em São Paulo, Jan Gijs Schouten, participação elogiada pelo diretor titular adjunto do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, Nelson Vieira Barreira.

“Esse evento tem grande importância não só pelo momento tecnológico vivido pela biotecnologia mas também pela presença do Cônsul Geral da Holanda que tem dado uma grande colaboração a essa Casa”, destacou o diretor do DMA.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1545017621

Consul-Geral da Holanda, Jan Shouten. Foto: Tâmna Waqued/FIESP

Shouten classificou a Fiesp como fiel parceira de seu país em São Paulo e agradeceu o convite. “Hoje estamos aqui para apresentar as melhores empresas da Holanda na área de biotecnologia e soluções inovadoras para cidades criativas. E o que eu posso dizer é que não é a última vez que o Consulado Geral e a Fiesp irão trabalhar em conjunto”, afirmou o Consul-Geral.


A Biotecnologia do Brasil

Em sua palestra “Panorama da Biotecnologia do Brasil”Eduardo Giacomazzi, coordenador adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria e Biotecnologia (Bio Brasil/Combio) da Fiesp, destacou que é uma honra realizar esse evento no Dia do Meio Ambiente e com parceiros holandeses.

Ele relembrou que, desde 2006, a Holanda vem estabelecendo constantemente parcerias e eventos com a Fiesp, entre eles, a vinda do Rei da Holanda, em 2012, momento que coincidiu com a própria criação do Bio Brasil/Combio da Fiesp.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1545017621

Eduardo Giacomazzi, coordenador adjunto do Bio Brasil/Combio da Fiesp. Foto: Tâmna Waqued/FIESP

“O Comitê da Bioindústria representa as empresas de diversos setores, na área da Saúde Humana (como cosméticos e setor farmacêutico), da Saúde Animal, da Agricultura, da Energia, no Meio Ambiente (serviços e insumos) e na área de Defesa. E essa ação multissetorial tem sido fundamental para mostrar à indústria que biotecnologia e bioindústria não significam um setor, mas, uma ação coordenada entre setores. Por isso, ela precisa, necessariamente, ser multidisciplinar”.

Ele relembrou que o Brasil vem trabalhando sua base biotecnológica desde 1887, quando foi criado o Instituto Agronômico de Campinas, que trouxe a base de desenvolvimento de todas as novas espécies de cana-de-açúcar, algodão e café produzidas no país.

Giacomazzi fez questão de desmistificar a crença de alguns países estrangeiros de que a larga produção agrícola do Brasil provoca o desmatamento da Amazônia. No mapa do cultivo de cana-de-açúcar, ele sinalizou que as produções se concentram principalmente na região Sudeste do país, bem distante da região amazônica. “O Sudeste representa 90% dessa produção de cana, 10% está na região Nordeste. Portanto, o Brasil está muito consciente em relação a sua expansão da sua fronteira agrícola, sem desmatar a Floresta Amazônica.” Além disso, ele destacou 64% das nossas florestas estão preservadas, 30% é utilizado para produção agrícola, onde temos 1% da produção da cana-de açúcar e 0,4% dessa cana-de-açúcar vai virar etanol”.

Liderança paulista

Segundo Giacomazzi, o estado de São Paulo concentra 40% das empresas de biotecnologia. Essas, somadas as dos estados de Minas Gerais e Rio Grande Sul, representam 80% das empresas de biotecnologia do Brasil. “A liderança paulista é bem percebida, o que faz se ter uma responsabilidade ainda maior da Federação das Indústrias [Fiesp] em liderar esse processo”, afirmou.

Giacomazzi destacou uma preocupação das indústrias em torno da nova Lei da Biodiversidade que deve ser votada em agosto. “O resultado dessa Lei terá impacto direto no desenvolvimento da bioindústria no Brasil, pois a lei atual não incentiva, mas pune as empresas”.

O coordenador do Combio ressaltou as diversas parcerias internacionais que a entidade vem realizando, inclusive com a Holanda e enfatizou a necessidade de se pensar, tanto na economia como nas cidades, dentro de um conceito circular e sustentável.

Economia Circular

Refletindo sobre o futuro, Giacomazzi, acredita que a Economia Criativa, que vem da educação para essa nova economia, ainda está por vir. “Vamos precisar pensar como vamos fazer o gerenciamento das nossas águas e como vamos tratar da nossa saúde relacionado a isso. Significa também que vamos precisar pensar também em energia, agricultura e novas formas de economia”.

O coordenador do Combio expressou que o que se busca na interação com parceiros holandeses é a realização de programas conjuntos que sejam específicos para atender a realidade do país. “Aqui já começa essa primeira sinergia para descobrir como vamos transformar o que é linear circular, fechando o ciclo de água, energia, nutrientes. E quando estamos falando de economia circular estamos falando de novos materiais, de arquitetura e de novos modelos construtivos para as cidades”, afirmou.