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Novo usuário cria desafio para infraestrutura de telecomunicações

Workshop ‘Lei Geral das Telecomunicações: 20 anos’, na Fiesp, tem debate sobre ‘As Novas Demandas da Sociedade e o Papel do Setor’

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

As Novas Demandas da Sociedade e o Papel do Setor, painel do workshop Lei Geral das Telecomunicações: 20 anos, realizado nesta sexta-feira (21 de julho) na Fiesp, teve como moderador Aluizio Bretas Byrro, diretor de Telecomunicações do Departamento de Infraestrutura da entidade. O usuário, frisou, quer serviços de alta qualidade a preço justo, usando qualquer dispositivo em qualquer lugar, a qualquer hora.

Abraão Balbino e Silva, superintendente de Competição da Anatel, traçou um panorama da evolução da regulação do setor de telecomunicações. Lembrando que há uma crise de rentabilidade no setor, destacou que as empresas são mais endividadas no Brasil que em outros países, que o investimento em relação à receita é mais alto aqui e que há distribuição mais baixa de dividendos. É preciso eclodir uma nova indústria, rentável, para fazer frente às necessidades futuras de comunicação.

O ecossistema da internet das coisas é muito mais complexo que o de hoje, destacou. É um desafio para a regulação, que precisa manter a sustentabilidade do setor.

O investimento necessário no setor é muito maior do que o que é feito atualmente, disse. E deixou como alerta a necessidade de flexibilidade na regulação, provocada pela mudança tecnológica.

A melhor exploração de novas fronteiras de negócios (big data e serviços de TI; internet das coisas; serviços financeiros; conteúdo) precisa estar no foco do setor, defendeu Silva.

Carlos Fernando Ximenes Duprat, diretor-executivo do SindiTelebrasil, lembrou que a cobertura ainda fica ainda muito aquém das necessidades da população. Há com as regras atuais aumento da desigualdade.

Fábio Gandour, especialista em inovação e cientista-chefe da IBM Brasil, afirmou que o usuário da telecomunicação no futuro precisa ser compreendido – é algo como um extraterrestre. A tecnologia está afetando a espécie humana, disse. Enquanto a medicina impede a atuação da seleção natural, a tecnologia empurra para a frente e muda as necessidades básicas do ser humano.

A informação passou a ser vital, uma espécie de alimento. O ser humano passou de onívoro para “informívoro”. E é essa espécie que precisa ser atendida pelo setor de telecomunicação.

Quem vai habitar nosso futuro? Como usar descrição para chegar a essas pessoas? Segundo Gandour, a telecomunicação deve deixar de ser vista como fim para ser vista como meio. É preciso considerar tecnologia, comportamento e negócio. Citando o astrofísico Stephen Hawking, disse que vivemos o século da complexidade.

Wilson Cardoso, diretor de Tecnologia da Nokia, afirmou que o 5G é visto em sua empresa como o motor da quarta revolução industrial. Frequências, regulação flexível, interiorização da infraestrutura, surgimento do homo digitalis [totalmente conectado] são fundamentais para que isso aconteça.

Jayro Navarro Junior, diretor de Desenvolvimento de Tecnologia da Intel Brasil, destacou que o enorme volume de dados e de dispositivos conectados leva à necessidade de construção de infraestrutura. Para localidades afastadas, defendeu infraestrutura alternativa, em vez de datacenters/nuvem.

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Painel 'As Novas Demandas da Sociedade e o Papel do Setor', do workshop 'Lei Geral das Telecomunicações: 20 anos'. Foto: Everton Amaro/Fiesp


O seminário teve também um painel sobre o Novo Marco Legal das Telecomunicações, com a participação de Leonardo Euler de Morais, conselheiro da Anatel, Carlos Ari Sundfeld, advogado da Sundfeld Advogados, Silvia Regina Barbuy Melchior, advogada da Melchior, Micheletti, Amendoeira Advogados, Eduardo Levy Cardoso Moreira, presidente-executivo do SindiTelebrasil, André Moura Gomes, analista de Telecomunicações e Economia Digital da Cullen International.

Sylvia Melchior disse que é preciso refazer a regulamentação, de forma mais enxuta. “Não se trata de regular à exaustão os serviços.”

Para André Gomes, da Cullen, a proposta do novo modelo aproxima o regime de prestação do Brasil ao modelo europeu.