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Novo Plano Diretor de São Paulo pode elevar preços dos imóveis

Ricardo Yazbek foi um dos convidados a debater o assunto com representantes do Deconcic na tarde de terça-feira (30/04)

Agência Indusnet Fiesp

O debate em torno do novo Plano Diretor Estratégico (PDE) da cidade de São Paulo, aprovado em primeira votação no último dia do mês de abril (30/04) na Câmara Municipal, deu o tom em reunião do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), realizada na véspera (29/04).

Para debater o assunto foram convidados o vice-presidente do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (Secovi-SP), Ricardo Yazbek, e o coordenador executivo da vice-presidência de Assuntos Legislativos e Urbanismo Metropolitano do Secovi-SP, Eduardo Della Manna.

Também estiveram presentes o diretor titular adjunto do Deconcic Manuel Carlos de Lima Rossitto e o gerente do departamento, Filemon Lima, entre outros representantes de departamentos da Fiesp, que continuam analisando o assunto, visando preparar um relatório para a direção da entidade.

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De acordo com representante do Secovi_-SP, com o aumento nos custos dos projetos, produção imobiliária tende a se deslocar para as cidades próximas da capital, como as do ABC paulista. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Entre os principais pontos envolvidos na discussão está a organização do espaço urbano em função do problema da mobilidade. “A mobilidade é o pano de fundo do plano, com a necessidade de adensar os eixos de transporte nos eixos de estruturação do desenvolvimento”, explicou Yazbek, para quem a segunda votação na Câmara deve acontecer até o início de junho.

Segundo ele, o objetivo da prefeitura é tentar “aproximar a moradia do trabalho, diminuindo o tempo dos deslocamentos”.

“O conceito de cidade compacta e eficiente”, acrescentou.

Nessa linha, um dos pontos a aprofundar é a restrição da altura de novos projetos imobiliários a serem construídos em determinadas áreas da região central da capital paulista, o chamado “gabarito de altura de 28 metros, com térreo mais oito pavimentos”.

“Se antes construíamos uma torre única com três elevadores, uma caixa d’água e uma fundação, agora teremos que erguer três torres menores e, com isso, incluir nove elevadores, três caixas d’água e três fundações”, explicou Yazbek. “Com isso, o custo dos imóveis vai subir e podemos caminhar para uma elitização do produto imóvel.”


Congestionamentos

Sobre a acusação de que os grandes empreendimentos são os vilões dos congestionamentos nas grandes cidades, o vice-presidente do Secovi-SP afirmou que o setor apenas atende às demandas de mercado. “Não produzimos carros, mas temos que pesquisar o comportamento dos nossos compradores”, disse. “Uma das aspirações de quem compra um imóvel é ter vagas na garagem.”

De acordo com Della Manna, isso acontece ao mesmo tempo em que há uma tendência de desestimular o uso do carro no mundo inteiro. “Precisamos ver a realidade de São Paulo, onde qualquer jovem que começa a trabalhar quer logo comprar um carro, ou uma moto, para fugir do transporte público”, explicou o coordenador executivo da vice-presidência de Assuntos Legislativos e Urbanismo Metropolitano do Secovi-SP.

Ele destacou o fato de que São Paulo tem mais de 7 milhões de veículos. E que esses carros circulam com uma média de 1,2 pessoa cada um. “Nos últimos dez anos houve um aumento de 20% no número de domicílios na cidade, enquanto a frota de veículos cresceu 61%”, afirmou Della Manna.

Uma realidade diretamente relacionada à baixa qualidade do transporte público paulistano. “Em Londres tem pedágio urbano, mas lá o transporte público é extraordinário”, disse Yazbek. “Em Cingapura, nenhum imóvel está a mais de 600 metros de distância de uma estação do metrô”.

Um ponto positivo citado por Yazbek dentro dessa discussão foi o incentivo à adoção de “projetos de uso misto”, como aqueles prédios residenciais com escritórios no térreo. “É mais uma forma de aproximar o trabalho da moradia”.

Outro aspecto do Plano que, conforme o vice-presidente do Secovi-SP, merece ser melhor discutido, é a destinação de 10% da área construída para “habitação de interesse social” em todos os projetos com mais de 20 mil metros quadrados de área. “Nos últimos dez anos, construímos, em média, 30 mil unidades residenciais por ano”, disse Yazbek. “Desse montante, 40% foram em projetos de dois dormitórios e 32% de três quartos. Ou seja, uma produção voltada para a classe média, para atender à demanda que está aí”.

Nessa linha, segundo ele, com o aumento nos custos dos projetos, a produção imobiliária tende a se deslocar para as cidades próximas da capital, como as do ABC paulista. “As pessoas vão morar em Santo André ou São Bernardo, por exemplo, mas continuarão tendo que se deslocar todos os dias para São Paulo para trabalhar”, disse. “Como está, a proposta do novo Plano Diretor vai elevar os preços dos imóveis.”

“A principal preocupação com relação a indústria, é que seja preservada a prerrogativa em cima dessas mudanças”, apontou o diretor titular do Ciesp Distrital Norte, Mario Serqueira dos Santos, para quem existem dois problemas básicos, o da valorização da terra e a mobilidade urbana/logística. “A indústria não vai ser expulsa; ela só não poderá ficar, porque não dá para operar uma indústria sem logística.”

Yazbek informou ainda que o Secovi-SP deve se reunir com representantes do poder municipal e colocou-se à disposição para levar as demandas da indústria.

Para conferir o material apresentado durante a reunião, clique aqui.