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Novo comércio internacional passou e o Brasil não viu, diz coordenadora do CCGI

Segundo Vera Tortenssen, proteção ao comércio internacional por tarifas ficou ultrapassado

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Há uma revolução que acontece no comércio internacional conhecida como barreiras regulatórias e o Brasil está distante dessa nova realidade, avaliou na tarde desta sexta-feira (22/08), a coordenadora do Centro do Comércio Global e do Investimento (CCGI), Vera Thortenssen, durante seminário na Federação Internacional das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) sobre inserção internacional do país.

“É um mundo de comercio totalmente novo. A Organização Mundial do Comércio (OMC) está totalmente fora disso. A probabilidade e consequência é que o Brasil está cada vez mais isolado de toda essa nova montagem do comercio internacional”, alertou.

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Vera Thorstensen: nova realidade de comércio internacional está descolada da OMC. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Ao participar do debate sobre estratégia de integração regional do Brasil durante seminário organizado pela Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Vera explicou que a nova configuração de comércio internacional se baseia em barreiras regulatórias por equivalência, que implica barreiras criadas pelos Estados.

“A Europa inteira está de um conceito chamado precaução. Esse conceito a União Europeia espalhou para [produtos] químicos e alimentos. Ou seja, por precaução eles não importam mais prejudicial. Eles não têm evidência, mas é por precaução. Esse é o grande choque das duas filosofias de criação de barreira”, esclareceu.

A coordenadora do CCGI alertou ainda para o fato de a nova realidade de comércio internacional estar descolada da OMC.

“É tudo padrão privado. De repente o mundo que eu vivi dos meus 30 anos de OMC ruiu porque não é nada mais palpável”, disse.


Sem ideologia

Vera Thortensen também reiterou que o comércio internacional não precisa de ideologia. Segundo ela, se ideologia fosse positiva para a orientação do comércio “Cuba seria um país rico e a gente estaria em condições muito melhores”.

“Esse é o drama: como a gente vai discutir o que queremos da próxima política de comércio exterior”, completou.


Mercosul

Renato Baumann, diretor da Diretoria de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais do IPEA, também participou do seminário da Sobeet. Em sua avaliação, as negociações do Mercosul, bloco comercial da Argentina, Paraguai, Uruguai, Venezuela e Brasil, não avançaram nos últimos 15 anos uma vez que questões políticas e sociais se sobrepuseram à questões econômicas.

“Nos últimos 12 a 15 anos, a meu ver, houve mudança de ênfase bastante preocupante: o econômico ficou debaixo do tapete e se enfatizou o lado político e social, o qual não sobrevive sem o econômico”, alertou.

Para Baumann, as negociações do Mercosul caminhavam bem até o final da década de 1990, quando “questões mais sensíveis” foram deixadas de lado.

“Em 1997, 1998 tudo era mapeamento de barreira comercial estava feito. Do ponto de vista de mercadoria está tudo mapeado. Convenientemente começou a aparecer o fantasma da Alca, da negociação com a União Europeia, e o fantasma da Rodada do Milênio na OMC. Como eram as mesmas equipes de negociadores, foi colocado debaixo do tapete as coisas mais sensíveis e nunca mais voltaram à mesa negociadora”, explicou.