Novo Centro Cultural Fiesp é um oásis, diz arquiteta que projetou a reforma

Moema Wertheimer agora faz parte de um time formado por estrelas da arquitetura brasileira como Rino Levi e Paulo Mendes da Rocha. E fala com orgulho de seu trabalho

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Ela veio para fazer a diferença num marco da Avenida Paulista que leva a assinatura de dois gigantes da arquitetura brasileira: Rino Levi e Paulo Mendes da Rocha. E, com o seu talento, ajudou a indústria paulista a entregar à cidade o novo Centro Cultural Fiesp. Um projeto que começou a ser pensado em 2012, quando, convidada a fazer uma outra intervenção no prédio, a arquiteta Moema Wertheimer apresentou uma proposta diferenciada para a área. O resultado? Mais de 5 mil metros quadrados de espaços de exposições, galeria de fotos, teatro e um café com vista para um jardim que leva a marca de Burle Marx. Prova de que na sede da manufatura do maior estado brasileiro as mulheres são respeitadas, ela diz que nunca se sentiu intimidada por assumir uma obra grande, como antes apenas profissionais do sexo masculino assumiram. “Sempre fui muito bem recebida aqui”, diz.

A relação da arquiteta com a Fiesp começou bem antes da inauguração do novo Centro Cultural, no último dia 19 de fevereiro, quando 19.047 pessoas passaram pelo espaço. Em 2008, Moema renovou o restaurante localizado no 16º andar do prédio. “Havia uma demanda grande por eventos e pouco aproveitamento da luz natural”, conta. “Melhoramos a cozinha e a acessibilidade ao local, tornando a área flexível”. Assim, foi criado um “cardápio de uso” com mais de dez formas de utilização da área.

Moema com o jardim de Burle Marx ao fundo: para usufruto de quem passa pela Paulista. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Não menos importante, o Salão Nobre, que recebe eventos, palestras e debates no 15º andar, também foi reformado por ela. “Criamos uma cozinha de apoio e assim conseguimos triplicar o uso da área”, diz. “Fico orgulhosa de saber que assim pode haver mais sinergia, contatos e negócios entre os empresários.”

Ferramenta de transformação

Orgulho foi algo que também não faltou na história de Moema com o novo Centro Cultural Fiesp. Até porque o projeto que criou a estrutura, nos anos 1990, foi feito por Paulo Mendes da Rocha, o mais renomado arquiteto brasileiro em atividade e orientador dela em seu projeto de conclusão de curso na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. “Fiquei muito honrada quando me deparei com a chance de trabalhar com algo feito por ele”, lembra. “Com o Paulo Mendes da Rocha aprendi que a arquitetura pode ser uma ferramenta de transformação, um meio para melhorar a qualidade de vida das pessoas.”

Assim, convidada a melhorar o acesso do público ao prédio na recepção, ela fez questão de circular pelo piso e conhecer melhor a área destinada à cultura no número 1313 da Paulista. “Vi aquele jardim nos fundos da construção e na hora achei que tinha a cara do Burle Marx”, lembra. “Fui consultar os arquivos, confirmei a informação e pensei que aquele trecho merecia se transformar num espaço de contemplação.”

O passo seguinte foi apresentar um projeto de renovação da área. “Fiz por minha conta e risco”, diz. Valeu a pena. “Ouvi muito de companheiros de trabalho que ia dar em nada, mas não desisti”, lembra. “Hoje o resultado está aí”.

Está aí e lotou a sede da indústria de São Paulo em fevereiro, num domingo que começou com uma apresentação da Bachiana Filarmônica do Sesi-SP e terminou com a apresentação da peça Tróilo e Créssida no teatro da casa, à noite. Com visitantes circulando e aproveitando as exposições oferecidas ao longo de todo o dia. “Estamos falando de um espaço importante de usufruto do público da Paulista”, diz Moema. “O novo Centro Cultural da Fiesp é um oásis.”

A inauguração do novo Centro Cultural Fiesp: 19.047 visitantes num único domingo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Aula de marcenaria

Paulistana, 54 anos e filha de uma suíça e de um brasileiro, sendo o avô paterno um austríaco, a arquiteta acredita que chegou até aqui em grande parte devido à formação que teve. “Na Escola Suíço-Brasileira de São Paulo, onde estudei, tinha aulas de arte, teatro, idiomas, marcenaria”, diz. “Esse contato com conhecimentos variados hoje me estimula a ir fundo na cultura das empresas antes de fazer um projeto, a conhecer bem os clientes, entender o que eles fazem e do que precisam.”

Assim, mergulhando em universos tão variados, Moema já atendeu empresas como os laboratórios Roche e Boehringer Ingelheim, Nokia e Google, entre muitas outras.  “Além dos projetos no Brasil, fizemos obras nas sedes da Nokia na Argentina, no Chile e no México”, diz. “Também cuidamos da sede da Roche em Istambul, na Turquia, e da loja conceito da marca Melissa no bairro do Soho, em Nova York, nos Estados Unidos.”

Mas não só os clientes estrelados que fazem os olhos da arquiteta brilharem. “Sou apaixonada pelo que faço e tenho um carinho especial por todas as obras: as menores e as maiores”.

Entre as maiores, o novo Centro Cultural Fiesp é uma prova de que, juntos, talento e arquitetura podem, sim, fazer toda a diferença.

Conheça o novo Centro Cultural Fiesp: www.centroculturalfiesp.com.br.