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Políticas públicas para fomentar a inovação nas empresas é debatida na Fiesp

Para especialistas e membros do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da federação, estímulos à área são fundamentais para o crescimento econômico do país

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

A importância de políticas públicas para o desenvolvimento da inovação na indústria brasileira foi ressaltada nesta sexta-feira (08/08), durante reunião do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O encontro teve como convidados o deputado federal Newton Lima Neto, o secretário do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) Luiz Antonio Elias, e o professor Rodrigo Menezes.

Para Menezes, acadêmico da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Eaesp) e coordenador do Comitê de Empreendedorismo e Venture Capital da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap), o Brasil ainda não alcançou o estágio adequado em inovação devido à falta de segurança jurídica para alocação de recursos.

Menezes: Brasil ainda não alcançou o estágio adequado em inovação. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Menezes: Brasil ainda não alcançou o estágio adequado em inovação. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Para o especialista, há também a necessidade de entender que a inovação se constrói a longo prazo. “Incentivos para fomentar a área em países estrangeiros são de longo prazo, pois inovação requer tempo”, destacou.

A relevância de investimentos em pequenas e médias empresas e indústrias inovadoras, em sua visão, é enorme. Segundo o especialista, Itália e Espanha foram países que não realizaram muitos investimentos na área nos últimos anos e, não por acaso, foram duas nações que entraram “fortemente” na crise. “A falta de incentivo em inovação prejudicou a economia desses países e mostrou a relevância do investimento em pequenas e médias empresas inovadoras”, afirmou.

A reunião do Conic: foco também nas pequenas empresas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A reunião do Conic: foco em inovação também nas pequenas empresas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Descentralização

Para Luiz Antônio Elias, coordenando o departamento de Relações com o Governo do Bndes, políticas públicas são fatores altamente impactantes no desenvolvimento regional.

Na visão dele, é preciso haver descentralização do “poder inovador” e dos centros de excelência acadêmica. “Empresas inovadoras continuam centralizadas na região sudoeste. É necessário descentralizar a inovação, como também a educação superior”, afirmou.

Elias: Empresas inovadoras continuam centralizadas na região sudoeste”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Elias: Empresas inovadoras continuam centralizadas na região sudoeste”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O dirigente ainda ressaltou a necessidade da participação do setor público e privado na capacitação de recursos humanos com foco em setores estratégicos, do apoio financeiro às atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação e também a importância de se criar formas de fomentar a expansão de venture capitals.

Momento propício

No encerramento do encontro, o deputado federal Newton Lima Neto, membro da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados, afirmou que “nunca houve momento e ambiente mais propícios para avanços que estimulem a inovação de empresas como ferramenta fundamental para o crescimento econômico do país”.

Em sua opinião, foi incorporado o entendimento pelo governo que a inovação faz parte do desenvolvimento nacional. Prova disso é a Embrappi, que, com aporte de R$ 1 bilhão do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), já opera com 27 projetos empresas em modelo de parceria e deve estabelecer parcerias com mais 30 instituições de pesquisas

Roberto Paranhos, vice presidente do Conic, coordenou o encontro.