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Nanotecnologia tem potencial disruptivo, diz especialista em reunião do Comtextil da Fiesp

Especialistas do Senai-SP explicam aplicações atuais e futuras de nanopartículas

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Reunião nesta terça-feira (31 de julho) do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário da Fiesp (Comtextil) priorizou a tecnologia, com apresentações feitas pelo Senai-SP. Nanotecnologia Aplicada à Área Têxtil: Presente e Futuro foi o tema da palestra de Augusto Teruo Morita, especialista em tecnologia III do Senai Mario Amato, e Paulo Sérgio Salvi, coordenador de Atividades Técnicas do Senai Brás.

Elias Miguel Haddad, diretor titular do Comtextil, lembrou que reunião anterior teve como tema o grafeno, também um nanomaterial. Haddad destacou também a presença na reunião de Jorge Hamuche e Roberto Paranhos do Rio Branco.

Carlos Alberto Pereira Coelho, diretor do Senai Mario Amato, explicou o funcionamento da unidade que administra e as oportunidades que oferece ao setor. A lista inclui serviços ambientais, com a realização de mais de 5.000 ensaios por mês.

Coelho falou também sobre o Instituto Senai de Inovação (ISI), com infraestrutura dedicada e pesquisadores com experiência industrial para prover pesquisa aplicada, serviços tecnológicos de alta complexidade e serviços de tecnologia. Entre suas competências tecnológicas está a reciclagem de materiais compósitos.

Até junho de 2018 há 16 projetos contratados, 13 projetos e 2 contratos em negociação. São 10 pesquisadores dedicados aos materiais avançados e nanocompósitos.

Nanotecnologia

Morita explicou que a nanotecnologia tem potencial disruptivo, acrescentando funcionalidades sem afetar os têxteis. Morita disse que o futuro deve misturar eletrônica aos tecidos.

Nanotecnologia, segundo Morita, é definida como a que abrange dimensões de 1 a 100 nanômetros, com alinhamento sistemático das partículas.

Paulo Sérgio Salvi, do Sesi Brás, ressaltou que não se pensa em têxtil sem a química. O Senai tem plantas piloto, de fiação, malharia, tecelagem, beneficiamento e laboratórios. Toda a estrutura pode atender às demandas das empresas, entre elas as relacionadas a design.

Salvi exemplificou com o design de peças para os escoteiros brasileiros. Um diferencial é o estudo das dimensões do corpo humano, para adequação da roupa a todos os tamanhos.

Entre as atividades do design estão a pesquisa de tendências, mercado e público-alvo, o planejamento e criação de coleções. O Senai-SP também dá consultoria na gestão. Dentro do processo produtivo há várias atividades, e o Senai-SP presta diversos serviços operacionais. Seus laboratórios são credenciados para mais de 70 ensaios pelo Inmetro, atendendo aos requisitos da norma NBR ISO IEC 17025.

Salvi mostrou exemplos de nanotecnologia, com a aplicação de nanopartículas no beneficiamento do material têxtil. Um grande desafio para a nanotecnologia é a resistência à lavagem, que retira o material.

Óxido e dióxido de titânio podem ser aplicados, para proteção UV e antimicrobiana, com duração aproximada de 40 lavagens. O aumento é significativo com a adição de nanopartículas.

Óxido de silício ajuda a manter a roupa limpa por mais tempo. Dura até 60 lavagens, não afeta o ambiente e pode ser aplicado em qualquer superfície.

Outras nanopartículas são nitrato/cloreto de prata; fluorcarbonos, permetrina, betalamina. Nanopartículas de carbono retardam chamas e são antiestáticas, sendo usadas em uniformes de alto desempenho para baixo risco eletrostático.

Como exemplo do uso na área de produção, Salvi citou as nanopartículas de ferro, usadas para tratamento de efluentes têxteis.

O Senai-SP também faz análises de caracterização, para checar a presença de nanopartículas.

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Reunião do Comtextil com a participação do Senai-SP. Foto: Everton Amaro/Fiesp