Na Fiesp, Marta Suplicy propõe cota para mulheres parlamentares no Congresso

Encontro contou com a participação dos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha

Alice Assunção e Bernadete de Aquino, Agência Indusnet Fiesp

Pelos cálculos de Marta Suplicy, a presença de mulheres na Câmara dos Deputados chegaria a 30% somente em 2114. E para acelerar a ascensão de representantes femininas no Congresso, a senadora lançou nesta quinta-feira (26/3) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) um manifesto a favor de cota de cadeiras para mulheres parlamentares.

“Desejamos mais mulheres na política, nós desejamos que as mulheres tenham condição de exercer esse olhar de política que é muito diferente da maioria do Congresso Nacional, com quase 90% dos eleitos homens”, disse Marta Suplicy.

Os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, participaram do lançamento da campanha nacional Mais Mulheres na Política, na capital paulista.  Durante o encontro, Cunha informou que deve agilizar para maio a votação da Reforma Política.

“Do ponto de vista do Senado, temos ajudado bastante com relação a todas as demandas das mulheres. Fizemos uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para materializamos todas as propostas. Ultimamente caracterizamos o feminicídio e agora vamos fazer o que for preciso para apoiar a reserva a de cadeiras para as mulheres”, disse Renan Calheiros.

Campanha Mais Mulheres na Política, lançada na FIesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Segundo Marta, a cota de legenda para mulheres de 10% já está defasada. “Não está funcionando, por isso estamos propondo uma cota de cadeiras e das mulheres mais votadas, 30% entram”.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, recebeu as responsáveis pela campanha e os líderes no Congresso. O encontro foi organizado pela Procuradoria Especial da Mulher no Senado Federal, pela Secretaria de Mulheres da Câmara dos Deputados e pelo gabinete da senadora Marta Suplicy.

“É uma satisfação um movimento desse tipo, que fará tão bem ao país e à política brasileira, iniciar em São Paulo, na casa da produção, do emprego, do desenvolvimento, que gera riquezas ao país e ao nosso estado”, afirmou Skaf.

A atriz Maitê Proença também participou do lançamento da campanha. “Se você não gosta da palavra feminismo, troque a palavra, mas, por Deus, aceite e apoie o conceito e a ideia”.

Parlamento no mundo
Segundo o presidente da Fiesp, 49% do Parlamento em Cuba é formado por mulheres. Na Itália 30% do Congresso são mulheres e já foi aprovada uma lei para elevar essa cifra para 50%.

“No Brasil, 13 senadoras entre 81 senadores, é muito pouco”, disse Skaf. “Nós precisamos da participação muito maior da mulher que já tem uma participação enorme na economia. Aqui na Grande São Paulo, a cada 100 mulheres em idade ativa, 60 já trabalham”, acrescentou.

De 1.627 candidatas, somente 178 mulheres conseguiram se eleger, informou Marta Suplicy. “Esses índices dizem que as mulheres, a maioria da população é alijada de opinar, de propor leis”, completou a senadora.

Reforma Política
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, aproveitou a ocasião para informar que pretende acelerar a votação da Reforma Política, incluindo a PEC que amplia a participação das mulheres na política.

“Vamos fazer uma semana, que será em maio, para votar única e exclusivamente tudo que tivemos que votar de Reforma Política. E lá sairá algumas alterações certamente da legislação eleitoral, da Constituição Federal e é claro que, se tratando do tema de Reforma Política, estou trazendo para que isso seja debatido e apreciado dentro da Câmara dos Deputados”, afirmou.