‘Muitas indústrias ainda estão na era 2.0’, afirma diretor presidente do Conselho Técnico da Fapesp no 1º Congresso Brasileiro da Indústria 4.0

Carlos Américo Pacheco foi um dos participantes do debate sobre apoio às empresas na era da quarta revolução industrial, realizado na tarde desta terça-feira (05/12), na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

O apoio às empresas e a construção de vantagens competitivas  no contexto da indústria 4.0 foram debatidos, na tarde desta terça-feira (05/12), no 1º Congresso Brasileiro da Indústria 4.0, aberto hoje no Teatro do Sesi-SP, na sede da Fiesp, em São Paulo. O evento segue até esta quarta-feira (06/12), com uma visita à Escola Senai Armando de Arruda Pereira, em São Caetano do Sul. A unidade é uma referência em pesquisa dos rumos da manufatura mundo afora.

A quarta revolução industrial ou indústria 4.0 envolve o aumento da informatização na indústria de transformação, com máquinas e equipamentos totalmente integrados em redes de internet.  Como resultado, tudo pode ser gerenciado em tempo real, até mesmo a partir de locais diferentes.

“Precisamos considerar fatores como mercado, infraestrutura e regulação”, afirmou o diretor presidente do Conselho Técnico Administrativo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Américo Pacheco. “Muitas indústrias ainda estão na era 2.0, faltam políticas de fomento e subsídios”.

Ele destacou ainda a coordenação de várias instituições para apoiar as empresas. “O foco da Fapesp está na pesquisa e no conhecimento tanto com viés acadêmico como tecnológico”, disse.

Nessa linha, Jorge Almeida Guimarães, diretor presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Emprapii), lembrou que a instituição presta serviços de fomento entre grupos de pesquisa aplicada e empresas no Brasil, com 42 unidades no país. “Um terço dessas unidades tem pesquisas sobre manufatura avançada”, disse.

Analista da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Valdênio Araújo foi outro participante do debate. E destacou a importância de avaliar a maturidade tecnológica das empresas. Prototipar, validar e multiplicar são passos seguidos pela ABDI em suas atividades com as empresas. “Para isso contamos com parceiros como a Fiesp”, disse.

A ABDI organiza workshops com o título “Rumo à Indústria 4.0” em diferentes cidades. Até hoje, 120 empresas já participaram da iniciativa.

Investimento privado

Para o superintendente regional da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Oswaldo Massambani, é importante estimular o aumento do investimento privado em pesquisa, desenvolvimento e inovação. “Isso é fundamental para o país”, disse. “O governo já faz muitos aportes, mas sem o investimento privado não vamos conseguir avançar muito”.

O painel foi mediado pelo vice-presidente e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho. Ele também fez o encerramento do primeiro dia do congresso. “Está muito mais perto do que a gente imagina”, disse, em relação à Indústria 4.0, ao arrematar as atividades, após a mesa 4 do evento (Como Preparar sua Empresa para a Quarta Revolução Industrial? Passo a Passo e Lições Aprendidas).

Osvaldo Lahoz Maia, gerente de Inovação e de Tecnologia do Senai-SP, fez a moderação da mesa 4. Ele explicou que o convite às empresas foi feito para que mostrassem como a coisa é feita na prática.

Marcos Pinto do Amaral, gerente de Planejamento Powertrain da Volkswagen, disse que várias empresas podem trilhar o mesmo caminho. A Indústria 4.0, uma revolução, precisa estar na cultura da empresa. É necessário mudar o “mindset” das pessoas, sensibilizando todos na empresa, além de qualificar e requalificar todos seus níveis.

Há, explicou, ganhos também em células manuais de montagem. Indústria 4.0 não é sinônimo de robôs.

A Internet das Coisas (IoT) é ponto muito discutido na Volkswagen, afirmou. Destacou que apenas 27% dos projetos de IoT têm sucesso. Deu como receita redefinir o mindset, começar pequeno e adotar uma estratégia de longo prazo, selecionar parceiros que vão ajudar na pavimentação dessa estrada, reavaliar o negócio, inovar, pôr em foco um número limitado de tecnologias de IoT, daí construindo o próprio caminho.

Há, destacou, redução do custo das tecnologias disponíveis para a Indústria 4.0. Tanto grandes quanto pequenas empresas se beneficiam disso, afirmou. A renovação natural e o uso inteligente dessas tecnologias ajudam a pavimentar o caminho para a Indústria 4.0. Isso é feito a cada processo novo na Volkswagen, para depois tudo isso ser interligado.

A empresa espera atingir a produção autônoma interligada com o mundo todo em 2030, passando antes por soluções de manufatura inteligente, fábricas inteligentes, controle em rede de toda a linha, fábricas auto-otimizáveis.

Maia destacou que o Senai-SP acredita que vai haver no Brasil uma Indústria 4.0 verde-amarela, com a cara do Brasil, respeitando o que já está instalado nas fábricas.

Eduardo Almeida, vice-presidente para a América Latina da Unisys, disse que o software para permitir a interoperabilidade da cadeia de produção deixa de ser industrial. Há tendência cada vez maior de fim dos protocolos próprios e adoção de protocolos abertos, para permitir a interoperabilidade. A segurança precisa permear tudo, mas a superfície de ataque cibernético é muito maior, afirmou. As empresas precisam de colaboração entre equipes, de conhecimento, da criação de forças-tarefa para estudar vulnerabilidades. A segurança deve fazer parte de tudo que uma empresa faz, e é preciso ter em mente que ela sempre estará sob risco, deixou como recomendação.

Marcos Giorjiani, diretor geral da Beckhoff, explicou que o que interessa para uma empresa é fabricar bem. Lembrou que o caminho não poder ser complicado, demorado e caro para chegar à Indústria 4.0. A automação, disse, tem que estar integrada à tecnologia da informação. A Indústria 4.0 requer o mais alto desempenho, o mais alto grau de funcionalidade integrada, a melhor integração com TI, a plataforma de automação mais aberta, o mais alto grau de liberdade de engenharia.