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“Mudanças estruturais são fundamentais para o Brasil sair desta crise”, diz Roriz no Ciesp Sorocaba

Presidente em exercício destaca que o desempenho econômico do país depende de seu grau de competitividade

Carla Acquaviva, Agência Indusnet Fiesp

Na manhã de 14 de setembro, o presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp, José Ricardo Roriz, participou da reunião plenária do Ciesp Sorocaba e palestrou sobre o “Cenário econômico recente, perspectivas e macrotendências mundiais”.

Segundo o presidente em exercício das entidades, o país tem hoje dois grandes desafios para voltar a crescer: fazer as reformas da Previdência e tributária e reduzir a taxa de desemprego. “As reformas são sim bastante necessárias, mas não adianta fazer as reformas e continuar com quase 13 milhões de pessoas desempregadas. É importante criar um ambiente de negócios favorável para que o país volte a crescer”, disse.

Roriz ressaltou também que o atual ciclo de recuperação está sendo um dos mais lentos da história da economia brasileira. “Alguns fatores estão contribuindo para que a recuperação seja lenta, tais como: as incertezas políticas acerca das eleições e das reformas, o tímido aumento da oferta de crédito, a pequena redução das taxas de juros, sendo que os spreads continuam altos, e a geração de emprego com baixa remuneração e vínculo informal”, pontuou.

O presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp observou que o desempenho econômico do país depende de seu grau de competitividade. “Um estudo realizado entre 43 países que representam 90% do PIB mundial identificou que o Brasil está em primeiro lugar em taxas de juros, spread bancário e volatilidade cambial. Na outra ponta, estamos nas piores posições em taxa de investimento e escolaridade”, resumiu.

Ele alertou para a necessidade de o Brasil fazer mudanças estruturais. “Temos que fazer o dever de casa diminuindo a carga tributária e a burocracia, que afetam a produtividade e a competitividade das empresas nacionais. As ações que tomarmos hoje terão reflexos daqui a alguns anos. Precisamos preparar as pessoas para terem empregabilidade no futuro, tendo em vista que o mundo passa por grandes transformações – que vão do crescimento da renda e das populações à mudanças no modo de produzir, consumir, se locomover e se relacionar”, disse.

Megatendências

Neste contexto, Roriz destacou oito megatendências mundiais que irão moldar a indústria e a sociedade em longo prazo e que se apresentam como oportunidades para as empresas brasileiras crescerem.

“No futuro teremos maior demanda por alimentos, uma vez que a população mundial está crescendo, e a renda em alguns países está aumentando. Também teremos uma maior demanda por energia, o que para nós é uma grande oportunidade, uma vez que o Brasil é uma dos países mais ricos do mundo em potencial energético de fontes renováveis e está entre os dez maiores produtores mundiais de energia eólica”, ressaltou.

Outras áreas que terão grande expansão no futuro são a de entretenimento e o turismo. “O setor de bens e serviços já representa uma parcela importante da economia brasileira, com aproximadamente 1 milhão de ocupações formais. Além disso, o aumento do consumo pode estimular a chamada economia criativa, com destaque para as áreas de cultura, software e games, mídia audiovisual, design, moda, arquitetura e publicidade. A impressora 3D, por exemplo, está mudando significativamente a indústria da moda”, explicou Roriz.

Outra megatendência é a mudança no padrão de produção, que no futuro terá que ter maior eficiência energética, ou seja, será necessário produzir mais com menor consumo de energia e redução da emissão de poluentes, visando o equilíbrio ambiental.

No âmbito urbano, serão necessárias novas formas de transporte, com gestão do trânsito por meio de “big data” (termo usado na área de tecnologia da informação que refere-se a um grande conjunto de dados armazenados), transporte público interconectado, além de veículos elétricos ou híbridos. “Serão investidos mais de US$ 230 bilhões em sistemas de saúde digitalmente interligados com diagnósticos remotos e monitoramento das pessoas; cerca de US$ 240 bilhões em plataformas de educação à distância, além de US$ 8 trilhões em casas modulares ou pré-fabricadas.  Outra demanda será a urbanização em áreas públicas e de lazer”, destaca Roriz, complementando que essas necessidades serão procedentes do surgimento de megacidades que exigirão infraestrutura mais moderna e competitiva para atender o crescimento e envelhecimento da população.

Roriz durante reunião plenária do Ciesp de Sorocaba. Foto: Kika Damasceno

Roriz durante reunião plenária do Ciesp de Sorocaba. Foto: Kika Damasceno

Sorocaba e região

Para o diretor titular do Ciesp Sorocaba, Erly Domingues de Syllos, independentemente de problemas políticos e da crise que afetou o setor industrial, Sorocaba está mais preparada para aproveitar as oportunidades.

“Hoje a cidade está em uma situação diferente de outras partes do país, primeiro porque temos mão de obra qualificada. Além disso, alguns segmentos, como os setores automotivo e de autopeças, que são fortes aqui, estão mostrando sinais de recuperação. Outro diferencial da região metropolitana de Sorocaba é a produção de equipamentos para um setor que está em franca expansão, que é o de energia eólica”, afirmou Erly.

Segundo ele, o cenário é fruto de um trabalho que já vem sendo realizado há alguns anos pelo Ciesp aliado ao poder público e às universidades. “Mas somente isso não basta, precisamos estar antenados com as tendências do futuro e como as empresas vão se preparar para a indústria 4.0, que é uma nova revolução industrias e para atender as demandas de mercado apresentadas pelo presidente em exercício”, completa o diretor titular do Ciesp Sorocaba.