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Mostra de Música Instrumental do Sesi-SP movimenta Piracicaba

Encerrada neste domingo (03/08), a iniciativa reuniu atrações como a banda do baterista Pipi Piazzola

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp, de Piracicaba

Há seis anos, a Mostra Sesi de Música Instrumental de Piracicaba vem recrutando novos admiradores da música instrumental no interior paulista. Por enquanto, afinal, o desejo do diretor da escola do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) da cidade é de que a iniciativa faça parte de um circuito estadual.

“Eu gostaria que essa mostra não fosse algo que ficasse nos portões do Sesi de Piiracicaba, mas que ganhasse outras unidades. Por que não?”, disse, neste domingo (03/08), no encerramento da Mostra, Marcelo Astolphi Mazzei, diretor da unidade da instituição no município, a 160 quilômetros da capital paulista.

Após seis anos, o balanço que Mazzei faz do programa é positivo. Em sua primeira edição, a Mostra de Música Instrumental apresentou três atrações. Este ano foram 11, além de workshops com músicos renomados como os bateristas de jazz Alexandre Cunha e o argentino Daniel Pipi Piazzolla, neto de Astor Piazzolla.

Mazzei: balanço positivo da iniciativa, com 11 atrações em 2014. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Mazzei: balanço positivo da iniciativa, com 11 atrações em 2014. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Uma novidade da edição de 2014 do evento foi a divulgação do primeiro da DVD com shows da edição anterior. “A gente firmou a parceria com a editora do Sesi para a gravação de um DVD. É o primeiro selo de música da editora Sesi”, diz Mazzei.

Jazz e tango

Pouco antes das 18h do domingo (03/08), as cadeiras do Teatro do Sesi de Piracicaba iam aos poucos sendo ocupadas por músicos, instrumentistas e curiosos. O motivo: um workshop que seria administrado pelo baterista argentino Daniel Pipi Piazzolla em poucos minutos.

Por volta das 18h05, Pipi entrou no palco para falar sobre jazz contemporâneo. De camiseta branca, calças jeans e boné, o baterista apresentou ritmos, andamentos e rudimentos (padrões) aplicados à bateria de jazz.

“Para mim o mais importante é saber todos os 40 rudimentos básicos. E, no jazz contemporâneo, é importante identificar o acento de cada um deles, dessa maneira você está apto para improvisar em qualquer melodia”, disse Pipi.

O artista alertou para a necessidade de treinar o ouvido escutando muita música, além de estudar as técnicas. “Todas essas influências que tenho foi por ter ouvido muita música. Muitas vezes nos agarramos só aos exercícios, mas é importante escutar de tudo”, aconselhou.

Piazzolla, o avô

A influência do tango e, principalmente de Astor Piazzolla, é nítida na música de Pipi. Entre outras histórias, ele falou um pouco da relação com o avô e seu trabalho.

Pipi: “Todas essas influências que tenho foi por ter ouvido muita música”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Pipi: “Todas essas influências que tenho foi por ter ouvido muita música”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Piazzolla dissolveu paradigmas do tradicional tango argentino entre as décadas de 1950 e 1960 ao incluir elementos do jazz em suas composições. Inovações como a quebra de ritmo foram tão fortes que eclodiram em um movimento conhecido como Novo Tango, o que acarretou, no entanto, em críticas ao artista antes dele alcançar fama internacional.

“Meu pai tocava muito com o meu avô nos anos 1970. Então eu tenho muita influência do tango e, especialmente, do meu avô”, conta Pipi.

Outra influência forte, segundo ele, foi o baterista de jazz Tony Williams, que ganhou fama ao tocar pela primeira vez com o jazzista Miles Davis em um grupo que ficaria conhecido como Miles Davis Quintet.

Ouvintes e curiosos

A presença de Pipi atraiu bateristas e guitarristas de diferentes gêneros musicais ao Teatro do Sesi de Piracicaba.

Um deles foi o professor de música Fabrício Felix, de 40 anos, curioso em ouvir as histórias de Pipi. “Um cara que vem de fora, com o parentesco que ele tem, chamou a minha atenção”, disse.

Ele veio acompanhado do seu ex-aluno de bateria Jean Gimenez, de 37 anos. Embora seja baterista de hardcore, Jean conta que ficou curioso para conhecer Pipi Piazzolla e técnicas de bateria de jazz. “Eu vim na base da curiosidade mesmo. Não conhecia a técnica de jazz e fique bem impressionado”, afirmou.

Jean, à esquerda, e Fabrício: curiosos para ouvir Pipi Piazzolla. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Jean, à esquerda, e Fabrício: curiosos para ouvir Pipi Piazzolla. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Outro colega de Fabrício, o guitarrista Fernando Groppo, de 26 anos, também prestigiou ao workshop com Pipi. “Como guitarrista de rock, eu tenho uma influência muito grande do blues, que é a mesma influência do jazz, então, apesar de ser diferente, vem da mesma raiz”, disse.

Hora do show

Após o workshop, Pipi Piazzolla trocou as palavras por baquetas e timbres, tocando clássicos de seu avô Piazzolla repaginados por sua banda de jazz contemporâneo, a Escalandrum, e algumas composições autorais. O grupo está em seu terceiro álbum.

Com um trio de metais agulhado, um contrabaixo enérgico, piano e bateria virtuosos, muito improviso e variações, Escalandrum tirou o fôlego da plateia ao remontar temas como Primavera Porteña e Vayamos al Diablo, de Astor Piazzolla.

Entre uma canção e outra, Pipi se manifestou. “Essa é a nossa proposta, fazer um jazz com a cor da nossa música”. Em outro momento, ele retribuiu ao carinho transmitido pela plateia de Piracicaba. “Para nós é um sonho tocar nesse país onde tanta música maravilhosa tem nos inspirado”.

Mais cedo, foi a vez grupo feminino Quarteto Elas apresentar suas músicas influenciadas pelo jazz e com forte apelo para elementos brasileiros, como o triângulo tocado pela percussionista e uma escaleta comandada pela pianista que remete ao som do acordeom.

O Quarteto Elas em sua apresentação na Mostra: elementos brasileiros. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

O Quarteto Elas em sua apresentação na Mostra: elementos brasileiros. Foto: Beto Moussalli/Fiesp


“Apesar do frio na barriga, estamos felizes e gratas em participar da mostra”, brincou a guitarrista Gabi Gonzales.