imagem google

Missão empresarial presente à Batimat 2013 participa de curso da Cátedra da Fiesp com a Universidade Sorbonne

“Globalização e Mundo Emergente” é o primeiro produto da parceria com a universidade francesa

Agência Indusnet Fiesp, com informações de Gabriel Rocha Gaspar 

Durante a Batimat Paris 2013, principal feira internacional do setor da construção, que aconteceu entre os dias quatro a oito de novembro, a missão empresarial organizada pelo Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) participou do curso de Gestão Empresarial, primeiro produto da Cátedra “Globalização e Mundo Emergente” criada pela Fiesp em parceria com a Universidade Sorbonne.

De acordo com a representante do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Beatriz Stevens, a cátedra é um “canal institucional para o desenvolvimento de projetos de interesse de ambas as instituições”, além de ser uma plataforma de “aproximação entre os dois países, tanto nos planos acadêmico e cultural, quanto empresarial”.

O presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco) e membro do Conselho Superior da Indústria da Construção (Consic) da Fiesp, Cláudio Conz, que participou da missão, concorda. “Fiz questão de participar e é sempre muito útil porque um professor internacional dá uma versão bastante macro das questões. A sala estava lotada, muita gente interessada em trocar esses conhecimentos e se prepara para esse mercado cada vez mais globalizado, em que nós vamos ter que nos inserir. Ou através das grandes corporações ou sendo grandes corporações”, disse.

Uma das precursoras da ideia desde 2009, a diretora titular-adjunta do Deconcic, Maria Luiza Salomé, resumiu o sucesso em números. “Era um curso que tinha um mínimo de 25 participantes e um máximo de 40; a gente levou 37. Então, acho que tá bom, né?”

Do lado francês, a iniciativa também agradou. O organizador pedagógico do curso, Guillaume Chanson, que dá aulas de economia no curso de mestrado da universidade, escolheu dividir os palestrantes, alternando pesquisadores acadêmicos e profissionais do mercado de construção civil. “Conseguimos fazer um equilíbrio perfeito”, avaliou. “Nos três dias que tivemos, foram quatro intervenções: dois professores da Sorbonne e dois profissionais, que costumam dar palestras no mestrado.”

Chanson também destacou um trabalho que, se for muito bem feito, passa despercebido dos participantes. “Fiquei muito feliz com a qualidade da tradução, que permitiu que nós que não falamos português nos entendessemos sobre temas complexos com aqueles que não falam francês”, observou. “Ainda que eu não tenha conseguido fazer intervenções mais interativas, como as que faço com meus alunos – o formato teve de ser um pouco mais expositivo –, foi possível trocar e debater ideias graças à tradução. O que também ajudou neste sentido foi o fato de que os palestrantes enviaram modelos de suas apresentações aos tradutores para que eles pudessem se familiarizar com termos e conceitos, visto que não são especialistas em gestão”.

Também professor na Sorbonne Paris 1, Claude Ménard não ministrou curso nesta primeira edição, mas participou ativamente da formação da cátedra, uma experiência que ele espera que seja duradoura. “O seminário obteve uma resposta muito boa. Mais de 20 projetos surgiram entre trabalhos de planificação urbana, gestão e gerenciamento. Acredito que criamos uma dinâmica entre nossas instituições. Estou otimista como os brasileiros”, brincou.

Para o ministro da embaixada, José Sarkis, as atividades de pesquisa entre acadêmicos e professores do Brasil e da França têm potencial de expansão para além dos limites da universidade e devem servir aos governos e setores privados dos dois países. “França e Brasil têm uma convergência muito forte em termos de valores, sabem trabalhar juntos, sabem estabelecer parcerias juntos, são dois países que avançaram bastante tecnologicamente na área de construção civil”, avalia.

E essa convergência natural é ainda mais arraigada na academia, de acordo com Sarkis. “Há uma comunhão em termos de percepção da engenharia. Muitas das escolas de engenharia no Brasil foram fundadas nos termos das escolas de engenharia francesas. Os termos das escolas de engenharia da França e do Brasil são parecidos, os engenheiros brasileiros e franceses têm facilidade em desenvolver parcerias, conceber novos projetos e executar esses novos projetos. Acho que Brasil e França começam um momento de resgate do potencial e realização deste potencial”, concluiu.