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Mercado de pescados em debate na Fiesp

Encontro Mesa dos Brasileiros: a Semana do Peixe reuniu autoridades na sede da federação na manhã desta sexta-feira (21/09)

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp 

Hora de, literalmente, vender o peixe. E estimular o consumo desse alimento no país. Com esse objetivo, foi realizada, na manhã desta sexta-feira (21/09), na sede da Fiesp, em São Paulo, o debate “Mesa dos Brasileiros: a Semana do Peixe”. O evento reuniu especialistas na área e apresentou os dados da pesquisa “A Mesa dos Brasileiros”, apresentada pela federação no primeiro semestre de 2018. O encontro foi uma iniciativa do Departamento do Agronegócio (Deagro) da casa.

Participaram da abertura do gerente do Deagro, Antonio Carlos Costa, o diretor titular adjunto da área Roberto Imai, o secretário especial de Aquicultura e Pesca (Seap), vinculada à Secretaria Geral da Presidência da República, Dayvson Franklin, e a superintendente Federal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento no Estado de São Paulo, Andrea de Moura.

“Hoje a Fiesp é a casa da indústria e do pescado”, disse Imai. “Todos os elos da cadeia produtiva estão aqui, unidos por objetivos em comum”.

Ele lembrou que a Semana do Peixe foi criada há 15 anos pelo governo federal, com o objetivo de estimular a produção e o consumo. Todos os elos da cadeia produtiva aqui, unidos por objetivos em comum.

Segundo Andreia, o setor tem sofrido “golpes fatais” no Brasil, mas a união dos agentes envolvidos na área “vai trazer um norte” para os desafios a serem enfrentados.

Já Franklin lembrou que a Fiesp é “uma base forte para a semana do pescado, promovendo um debate diário em prol do setor”.

Na ocasião, ele anunciou a oferta de um montante de R$ 1 milhão para financiar ações de incentivo ao consumo de peixes. Isso será feito a partir de um concurso que selecionará os melhores projetos. “A ideia surgiu a partir de um debate na Fiesp, no Deagro”, contou.

Primeiro painel

Participaram do primeiro painel de debates do encontro o fundador das redes China in Box e Gendai, Robson Shiba, o editor-chefe da revista Seafood Brasil, Ricardo Torres, e o consultor Renato Dolci, especializado no mundo digital e suas transformações.

“Estamos no mercado há 26 anos” disse Shiba. “E pudemos confirmar os resultados da pesquisa “A Mesa dos Brasileiros”, da Fiesp: os consumidores querem preço acessível, mas sempre com a percepção de que o dinheiro deles foi bem aplicado”, explicou. “Por isso investimos cada vez mais em produtos customizados e porções para compartilhar”.

Outro foco para ganhar espaço no mercado é investir em plataformas digitais, com parceria com aplicativos de entrega de comida como iFood e Uber Eats, entre outros. “Fazemos muita pesquisa para lançar novos produtos”.

Sobre os pescados, ele destacou que esses alimentos são “identificados com o conceito de saudabilidade”.

Para Torres, o setor “ainda está na fase de construção de um discurso próprio”.

Já Dolci lembrou que os brasileiros são líderes de consumo de informação digital em qualquer rede. E que isso impacta o modo como um setor como o de pescados pode se divulgar. “Ficamos, em média, cinco horas e 32 minutos por dia no Facebook, por exemplo”, disse. “Um cenário em que as receitas de doces e as dicas de alimentação saudável crescem em igual proporção: não há controle sobre como a informação é disseminada”.

Outra informação importante: segundo ele, o mercado de alimentação é a maior vítima de notícias falsas, as conhecidas fakenews. “As pessoas podem ler e compartilham qualquer coisa”, destacou.

Mais uma dica importante: é preciso prestar atenção na explosão do delivery na internet. “É preciso estar onde o usuário está”, disse. “Os brasileiros usam, em média, 14 aplicativos por dia”.

A mesa

Ao apresentar o estudo “A Mesa dos Brasileiros” no debate, Costa destacou as mudanças observadas nos resultados obtidos pela pesquisa em sua primeira edição, em 2010, e na mostra feita em 2017 e divulgada esse ano.

“Em 2010, 40% dos entrevistados buscavam informação sobre alimentos pela TV e apenas 19% recorriam à internet com esse objetivo”, disse. “Em 2017, a internet respondeu por 40% das buscas, com apenas 24% dos entrevistados procurando saber mais sobre comida pela TV”.

Segundo ele, agora, “impactados pela crise, os brasileiros revisaram seus hábitos de consumo”. “Nos últimos anos, o preço baixo ganhou importância no processo de compra”, disse. “E ganhou força a tendência de cozinhar em casa”.

Nesse contexto, foi observado um aumento de 15 pontos percentuais na categoria dos homens que preparam alimentos em seus lares. “O número de pessoas que disse não ter tempo para cozinhar passou de 46% para 38% dos entrevistados, o que prova que as pessoas estão mais determinadas a cozinhar em casa”.

Para ler a pesquisa completa, é só clicar aqui.

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O evento que debateu as oportunidades para o mercado de pescados no Brasil. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp