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Mercado de moda deve crescer 3,1% ao ano até 2021

Dado foi apresentado em reunião do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário da Fiesp

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Marcelo Prado, diretor titular adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário da Fiesp (Comtextil), fez nesta terça-feira (22 de maio) balanço de 2017 do setor têxtil e de confecção e apresentou as perspectivas para 2018, além de estimativas para os próximos 4 anos. A palestra ocorreu durante reunião plenária do Comtextil, conduzida por seu diretor titular, Elias Miguel Haddad. Depois da apresentação de Prado, Haddad se mostrou otimista. “Pelo retrovisor vi um panorama ruinzinho, mas olhando pelo parabrisa há a demanda reprimida e a perspectiva de crescimento de 3,1% ao ano. Estamos às vésperas de uma coisa maravilhosa.”

Os resultados de 2017 mostram que é possível voltar a crescer um pouquinho no Brasil, disse Prado ao iniciar sua apresentação.

O Brasil no comércio internacional de têxteis e vestuário é pouco expressivo, sendo o 41º exportador, com apenas 0,3% do valor total exportado, e o 30º importador, com 0,7% do valor total importado.

São 27.000 indústrias na cadeia têxtil brasileira. Houve recuo de 17,2% no número de empresas têxteis e de 18% nas de vestuário entre 2012 e 2017. O número de empregos caiu 5,3% na cadeia têxtil e 3,4% no vestuário.

As manufaturas têxteis movimentaram R$ 164,7 bilhões e, 2017, aumento de 10,1% em relação ao ano anterior, em termos nominais.

A estimativa Iemi do volume produzido de têxteis é de crescimento de 5,1%, e em 2017 o aumento foi de 5,8%.

Houve recuo de 16,1% nas exportações de têxteis entre 2012 e 2016.

A produção de vestuário teve pico em 2010, com 6,4 bilhões de peças. Caiu de 2012 até 2016, mas em valores nominais houve crescimento de 23,3%. Em 2017 houve alta de 3,2% em peças e de 1,3% em valores nominais. E para 2018 a estimativa é crescer 2% em volume.

Em 2017 houve alta de 23,3% nas importações e de 13,6% nas exportações de vestuário.

As vendas no varejo de vestuário somaram R$ 220 bilhões em 2017, 9% mais que em 2016, com 6,2 bilhões de peças (8,1% mais que no ano anterior). A alta estimada para 2018 é de 5% em volume e de 7,6% em receitas nominais.

Dos 149.100 pontos de venda de vestuário, cerca de 52.000 (35%) estão em 571 shoppings. A crise levou ao fechamento de 17.000 pontos de venda de moda. As lojas independentes ainda são o principal canal de varejo do vestuário, com 36% do volume comercializado.

De 2013 a 2017 caiu 3,3% em peças o varejo de vestuário.

Alta estimada de 5% em 2018, depois de 8,1% em 2017 nas vendas em volume no varejo de moda.

Prado também mostrou números do comércio eletrônico, que em 2017 teve 55,1 milhões de consumidores, 16% mais que em 2016, com faturamento de R$ 47,7 bilhões (alta de 7,5%) em 112 milhões de pedidos. Em primeiro lugar no número de pedidos está Moda e Acessórios (14,2%, com 15,8 milhões de pedidos).

O B2B, comércio eletrônico entre empresas, movimentou R$ 420 bilhões, nove vezes mais que o B2C.

Até 2021 a estimativa é de crescimento acumulado de 13% do mercado de moda no Brasil, com média de 3,1% ao ano, o que pode levar a recorde de produção, de 6,68 bilhões de peças. A demanda deve superar a oferta somente em 2020, destacou Prado.

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Reunião do Comtextil sobre números de 2017 e perspectivas para 2018. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Missão à China

A missão empresarial à China International Import Expo também foi tema da reunião. Harry Chiang, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex) explicou a importância do evento e convidou os empresários presentes a participar. “Os objetivos da missão são vender, vender e vender.” A Fiesp vai tentar preparar os empresários que não têm experiência em vender para a China.

Segundo Chiang, há interesse da China em comprar do Brasil produtos mais sofisticados do setor de confecção. Recomendou aos participantes da reunião conhecer o Shanghai Fashion Center.

A China, disse, está promovendo, pela primeira vez, reuniões regulares com governos, inclusive o brasileiro, para que a feira seja bem-sucedida. A China pretende importar até US$ 10 trilhões nos próximos 5 anos. “O Brasil está em ótima posição para exportar”, afirmou, lembrando que as disputas comerciais entre China e EUA abrem oportunidades.

A classe média chinesa está aumentando, disse Chang, e tem grande interesse em produtos importados. E o Brasil é bem visto por ela. Nos próximos 3 anos (até 2020), mais 100 milhões de chineses deverão sair do campo para morar em áreas urbanas.

Devem passar 150.000 compradores pela feira, que ocupará 240.000 metros quadrados e terá a participação de 120 países. Destacou dos 8 pavilhões o de bens de consumo, que inclui vestuário. Realizada de 5 a 10 de novembro em Xangai, é a primeira feira organizada pelo governo central da China.