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Melhor resultado em 2014 dependerá do nível de confiança do empresário

Guilherme Moreira foi um dos convidados da reunião do Comitê da Cadeia Produtiva de Papel, Gráfica e Embalagens (Copagrem) da Fiesp

Dulce Moraes, Agência Indusnet

As perspectivas econômicas para o setor industrial foram apresentadas na manhã desta segunda-feira (07/04) pelo gerente do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp, Guilherme Moreira, durante reunião do Comitê da Cadeia Produtiva de Papel, Gráfica e Embalagens (Copagrem) da entidade.

Guilherme explicou, inicialmente, que as expectativas para 2014 são muito piores do que a dos anos anteriores. “No final de 2012, tínhamos a expectativa que 2013 seria um ano de expectativa de retomada, o que não aconteceu. 2013 foi um ano que começou bem mas perdeu o fôlego. 2014 já é o contrário. O ano começou como se já fosse um ano perdido.”

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Guilherme Moreira, gerente do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, foi um dos convidados da reunião do Copagrem. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Ele ressaltou que, para reverter essas expectativas ruins, o nível de confiança do empresário deverá aumentar.  Segundo o economista, historicamente, três a seis meses antes de toda retomada da produção industrial, há um estouro da confiança. “Esse é um padrão da indústria em todos os setores: a confiança cresce fortemente e, em seguida, cresce a produção”.

Mas essa não tem sido a realidade dos últimos meses, que tem demonstrado que a confiança do empresário industrial está uma trajetória muito baixa. “Para que tivéssemos uma recuperação forte de atividades este ano, o gráfico (da confiança) deveria estar embicado para cima. Confiança baixa significa investimento baixo; e investimento baixo significa produção baixa amanhã”, afirmou.

Armadilhas do modelo atual

Um fato preocupante apontado por Guilherme Moreira é que, além da indústria, os setores de comércio e serviços já estão com indicadores de confiança em queda. “Até esse motores tradicionais do modelo pós-crise estão perdendo o impulso e isso tem a ver com a queda da renda do brasileiro”.

Segundo o analista, há  um sinal claro do esgotamento do modelo econômico atual, baseado no consumo, no gasto do governo em crédito, mas sem priorizar a produção. E as consequências serão sentidas no próximo ano. “Foi montado uma armadilha que está para estourar em 2015”, afirmou. Entre as razões para isso está no fato do mecanismo antigo de controle da inflação – o câmbio – não ter resultado com o Real menos valorizado, além do governo manter o modelo buscando controle via preços administrados.

A tão esperada Copa do Mundo não tem apresentado resultados positivos para os setores industriais consultados, segundo Guilherme Moreira. Mas, segundo ele, há dois pontos positivos no horizonte: a economia mundial está numa trajetória de retomada e o câmbio está favorável. “Há uma correlação direta entre a retomada da economia mundial e atividade da indústria no Brasil. E o câmbio que deve fechar no ano em 2,40 também tem um efeito positivo para a produção”, concluiu.