imagem google

Mark Crowell apresenta experiência da Universidade da Virgínia em biotecnológicos

Executivo da universidade norte-americana participou do Workshop de Inovação promovido pelo Bio Brasil e Combio da Fiesp.

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

É preciso que universidades e empresas mudem a forma de ver Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). A opinião é de Mark Crowell, diretor executivo e vice-presidente de Inovação da Universidade daVirgínia (UVa), dos Estados Unidos (EUA).

Imagem relacionada a matéria - Id: 1542242146

Mark Crowell, da Universidade da Virgínia. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

Ele foi um dos palestrantes do primeiro dia do Workshop de Inovação em Biotecnologia, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), por meio do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria  (BioBrasil), e pela Biotecnology Industries Association (BIO). O evento, de dois dias, termina nesta quarta-feira (29/04) na sede da Fiesp.

Com vasta experiência em licenciamento de tecnologia, formação de startups em universidades e desenvolvimento de capital semente, Crowell compartilhou com empresários as formas de parcerias desenvolvidas pela UVa.

“Thomas Jefferson, fundador da UVa, costumava dizer que ‘cada vez que uma ideia ou inovação mostra-se útil ela deve ser tentada’. E, nos dias de hoje, se não estamos fazendo isso, ficamos para trás”.

Crowell disse que se surpreendeu quando visitou Cingapura há poucos anos atrás e percebeu como o país asiático colocou a inovação e desenvolvimento de patentes no centro de suas estratégias. “Encontrei vários estudantes nas ruas com bottons com as iniciais ‘RIP’. Imaginei que fosse alguma gíria local, mas, na realidade, as iniciais estavam relacionadas a Research and Intellectual Property (Pesquisa e Propriedade Intelectual)”.

Atualmente, a patentes de biofármacos nos EUA são predominantemente de universidades e apenas algumas áreas são dominadas pela indústria.  Isso foi possível, segundo Crowell, devido às novas modalidades de parcerias que estão sendo criadas, e não só entre empresas e universidades.  “Antes, a iniciativa de financiar era do governo federal. Hoje, até os pacientes estão financiando as pesquisas e fazem doações de milhões de dólares”, afirmou.

O especialista comentou que, cada vez mais, as universidades têm sido demandadas para promover pesquisas e que essa flexibilidade no programa de parcerias criou um sistema que se retroalimenta. “Se não conseguirmos pensar nesse sistema não seremos mais competitivos”, ressaltou.

Todo esse avanço tem sido possível também com a mudança de visão das universidades e do meio acadêmico. Há dez anos, os pesquisadores imaginavam o envolvimento com a indústria como algo impuro. Como consequência, havia um grande conhecimento guardado nas prateleiras, mas de maneira pouco produtiva. “O foco, agora, é no mercado, isto é, em produzir inovação realmente útil e aplicável, como predisse Jefferson.”, destacou o especialista.

Os alunos que estão se formando nas universidades também estão com um novo perfil, mesclando o desenvolvimento científico a habilidade de empreendedorismo. “Os talentos são incentivados a realizar roadshows. Eles têm que estar preparados para falar com o mercado, com os investidores capitalistas. Estão sendo estimulados a sempre pensar nas necessidades dos pacientes e também do mercado.”

De acordo com Crowell, as grandes empresas também estão atentas e participando desse movimento, investindo em startups dentro das universidade. “A farmacêutica Pfizer e a UVa estão para lançar uma nova terapia para câncer de ovário, fruto do investimento da indústria farmacêutica em uma startup dentro da universidade”, destacou.

Leita também:

>> Sinergia é a chave para o desenvolvimento em biotecnologia, afirma especialista da Universidade de Haifa

>> Diretores da Fiesp e da BIO destacam importância do Workshop de Inovação em Biotecnologia