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‘Manter o ambiente de trabalho seguro e saudável não é mais uma opção, é um valor’

Grácia Fragalá foi uma das palestrantes do Fórum Sou Capaz, com Eduardo Arantes, do Sesi-SP, no painel sobre Segurança e Saúde do Trabalhador

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Segurança e saúde do trabalhador foi um dos temas do Fórum Sou Capaz, realizado na manhã desta segunda-feira (31/03), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), sendo organizado pela federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). Grácia Fragalá, executiva da área de Segurança e Saúde do Trabalho do Grupo Telefônica, e Eduardo Arantes, gerente de qualidade de vida do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) participaram do painel sobre o tema.

Grácia falou sobre os problemas das áreas de segurança e saúde da empresas e também sobre as contribuições que podem dar na questão da inclusão e reabilitação.  Entre as principais dificuldades dessas áreas, segundo a executiva, estão a centralização no cumprimento da legislação, a falta de integração com as outras áreas, o foco excessivo no controle e não na gestão, a realização de ações pontuais e fragmentadas, a falta de avaliação sistemática e de divulgação do resultado do trabalho e a atuação desintegrada do contexto do negócio.

“Há várias formas de romper com isso”, afirmou Grácia, que apresentou o modelo da Organização Mundial de Saúde para ambiente de trabalho saudável, que é o que tem utilizado na Telefônica. “Gosto desse modelo porque trata quatro pilares interessantes e essenciais para o dia a dia: ambiente físico, ambiente psicossocial, recursos para saúde, envolvimento da empresa para a comunidade. Ou seja, todos os elementos para que a gente consiga evoluir.”

Grácia: ambiente físico, ambiente psicossocial, recursos para saúde, envolvimento da empresa para a comunidade. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Grácia: ambiente físico, ambiente psicossocial, recursos para saúde, envolvimento da empresa para a comunidade. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Para a executiva, os departamentos de segurança e saúde do trabalho precisam focar no ser humano para contribuir com a empresa e com a sociedade. “Manter ambientes de trabalho seguros e saudáveis não é mais uma opção, é um valor”, disse. “E isso precisa estar integrado aos processos de gestão para que a empresa seja mais competitiva e saudável e, assim, construir uma sociedade mais justa e solidária, expressão de um Brasil moderno e igualitário.”

Questão de escolha

Já o gerente de qualidade de vida do Sesi-SP falou sobre a sua mudança de foco ao assumir o cargo. “Para estar aqui hoje, tive que fazer escolhas. Sou médico de formação e tive que trocar o estetoscópio pela gravata, o bisturi pela caneta, a farmácia pela feira”, explicou. “Mas a troca mais difícil foi trocar a doença pela saúde. O médico que trata a doença se sente mais poderoso do que aquele que promove a saúde. E promoção da saúde é o que o Sesi-SP faz.”

Depois de apresentar um caso clínico hipotético e tentar encaminhá-lo com a ajuda da plateia, Arantes falou sobre o trabalho do Sesi-SP na reabilitação profissional. “É difícil falar em reabilitação porque ela quer dizer que falhamos em alguma coisa, como instituição como empresa ou como pessoa”, afirmou.

“Se nós não fizermos atividade física, não nos alimentarmos bem, não pararmos de fumar, nem reduzir o estresse, isso vai causar prejuízos”, disse. “Da mesma forma, se não tivermos uma condição de trabalho boa, pode ser que isso resulte em alguma alteração na saúde. E se nada for feito para corrigir isso, causa a necessidade de reabilitação e o afastamento do trabalho.”

Arantes: "Se não tivermos uma condição de trabalho boa, pode ser que isso resulte em alguma alteração na saúde". Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Arantes: "Se não tivermos uma condição de trabalho boa, pode ser que isso resulte em alguma alteração na saúde". Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Arantes apresentou o trabalho realizado nos centros de reabilitação do Sesi-SP (Vila Leopoldina, Ipiranga e Santo André) e explicou o fluxo de atendimento. “O trabalho não é feito apenas com o reabilitado. O objetivo principal dos nossos centros é desenvolver uma cultura de promoção de segurança, saúde e qualidade de vida.”

Sobre o Sou Capaz 

O  Sou Capaz tem como finalidade oferecer a equivalência de oportunidade a todos os cidadãos por meio da capacitação técnica de pessoas com deficiência e aprendizes.

Por meio de fóruns e cursos em modelo itinerante, que percorrem diferentes regiões do estado de São Paulo, bem como da ação contínua do Depar, o programa aborda assuntos legais, jurídicos e institucionais com a finalidade de obter resultados positivos nos níveis de empregabilidade, possibilitando também que instituições de formação profissional otimizem sua oferta de pessoas com deficiência e aprendizes para a indústria.

Acompanhe a programação completa da iniciativa, que prevê ações em Jundiaí, Sorocaba e Marília, entre outras cidades, no site do programa: http://hotsite.fiesp.com.br/soucapaz/#home.

O Sou Capaz é organizado pela Fiesp e pelo Ciesp, com patrocínio da Bayer e da Eaton.