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Mais de 45% da população pode não ter acesso à quantidade mínima de água em 2050

Malu Ribeiro destacou a necessidade de ações mais eficazes para resolver o problema da escassez dos recursos hídricos

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

A coordenadora da Rede de Águas da Fundação SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, participou, nesta terça-feira (18/03) do Seminário Água, Saúde, Enchentes e Escassez, evento promovido pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).

Entre os principais temas tratados, Malu ressaltou a necessidade da discussão do problema que o Brasil enfrenta em relação ao abastecimento e distribuição do recurso.

Segundo ela, se o modelo atual de desenvolvimento for mantido, mais de 45% da população mundial não terá acesso a quantidade mínima de água para consumo diário em 2050.

“Mais de 1 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável. Nos países em desenvolvimento, mais de 70% das mortes e enfermidades são causadas por veiculação hídrica”, alertou a especialista.

Malu: mais de 1 bilhão de pessoas sem acesso à água potável. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Malu: mais de 1 bilhão de pessoas sem acesso à água potável. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Malu ressaltou a necessidade da população compreender que é falsa a ideia de que o Brasil conta com uma quantidade abundante do recurso hídrico.

Para Malu, o Brasil detém 13% da água doce no mundo, “mas a distribuição não é igualitária e os principais rios brasileiros apresentam índices críticos ou preocupantes”.

De acordo com a representante da SOS Mata Atlântica, 9% dos rios monitorados pelo programa Córrego Limpo da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e que cortam áreas urbanas apresentam índice de qualidade regular. Isso porque recebem carga e despejamentos irregulares, contendo fósforo e nitrato.

Pacto de responsabilidade

Esse retrato, conforme Malu, reforça a necessidade de um pacto entre a sociedade, as indústrias e o poder público, para que possamos todos assumir responsabilidades de consumo consciente e responsável.

Ela ainda cobrou dos agentes governamentais e da iniciativa privada uma gestão da descentralizada e integrada.

Eduardo San Martin, diretor titular adjunto do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) mediou o evento, que contou ainda com a presença de profissionais que trabalham no rádio.

O primeiro painel do seminário na Fiesp: discussão deve ir além das enchentes. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O primeiro painel do seminário na Fiesp: discussão deve ir além das enchentes. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Para Rafael Colombo, da Rádio Bandeirantes, Patrick Santos, da Jovem Pan e Haisen Abaki, da Rádio Estadão, a imprensa preocupa-se mais em casos de enchentes e escassez, quando deveria tratar com mais frequência do tema, considerado pelos três como de extrema importância para o bem estar da comunidade.

“Precisamos encontrar um modo de tratarmos desse problema com mais frequência”, disse Colombo.

Realizado nesta terça-feira (18/03), no Teatro do Sesi-SP, na Avenida Paulista, o Seminário Água, Saúde, Enchente e Escassez debate questões diversas ligadas ao tema.