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‘Lutei quando ninguém acreditava nos meus sonhos’, diz surfista Carlos Burle em palestra no Festemp da Fiesp

Festival de Empreendedorismo da federação foi aberto neste domingo (16/09) com workshops e atendimento aos empresários

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Uma história de empreendedorismo construída literalmente nas ondas do mar foi o destaque do Festival de Empreendedorismo (Festemp) da Fiesp na manhã desta segunda-feira (17/09). O evento foi aberto neste domingo (16/09), na sede da federação, em São Paulo, com a participação de quase 800 pessoas. Organizada pelo Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da casa, a maratona empreendedora envolve palestras, workshops, exposição e atendimento aos empresários. Presidente do CJE, Luis Hoffmann deu as boas-vindas aos participantes nesta segunda e convidou o surfista Carlos Burle para fazer a primeira palestra do dia.

Burle começou compartilhando o que ouviu do seu “grande ídolo”, o seu pai, aos 13 anos, quando, “cheio de sonhos”, teve coragem de dizer que queria ser surfista profissional. A resposta: “filho, se você quiser ser surfista, vai terminar a sua vida empurrando carroça e vendendo lixo”.

O baque não o fez desistir, pelo contrário. E Burle, que começou a surfar nos anos 1980, em Pernambuco, escreveu uma carta para o seu primeiro patrocinador onde registrou o seu plano e a sua visão para o esporte que escolheu. Não deixou de ser a sua primeira atitude empreendedora. “Escrevi que queria lutar para estruturar e conscientizar o público surfístico”.

Ao perceber que teria mais oportunidades no Sudeste, saiu do Nordeste ainda nos anos 1980. E chegou ao Havaí em 1986. “O Havaí foi a minha faculdade”, disse ele, que ficou cinco meses no destino em sua primeira temporada no paraíso do surfe mundial. “Era tudo aquilo que eu sonhava, mas não fui bem recebido”, contou.

Incomodado com a fama de que só encarava ondas pequenas, já que não há ondas gigantes no Brasil, ele resolveu se jogar no desafio de encarar apenas mares muito bravios. “Me preparei para isso, treinei muito, condicionei o meu corpo, fiz ioga”, disse. “Sempre digo que a minha mente é o meu músculo mais forte”.

O esforço foi recompensado: em 1998, ele foi campeão mundial de ondas grandes no México. Em 2001, entrou para o Guinness Book após ter encarado uma onda de 23 metros na Califórnia, nos Estados Unidos.

“Fui me desenvolvendo em meu trabalho e produzindo conteúdos diferentes”, explicou. “Sou igual a vocês: presto contas, às vezes até diariamente, quando vou renovar os meus contratos”.

Empreendedor que é, Burle tem um contrato de patrocínio de 18 anos com a fabricante de energético Red Bull. “E isso não é mais pela minha performance, me aposentei das competições, mas porque aprendi a me virar nos 30, a me desenvolver em outras áreas”, disse. “Onde os meus concorrentes viam desafios, eu procurava oportunidades”.

Sempre alerta, ele diz “que tem que estar 365 dias por ano preparado para viajar”. E que trabalha com conceitos como logística e orçamento, investidores e parceiros, execução de projetos, geração de conteúdo, assessoria de imprensa e gerenciamento de mídias sociais. “Precisamos encontrar os parceiros certos”, disse.

Na essência, ele se diz “o mesmo Carlinhos do passado”.  “Só me adaptei ao mundo, lutei quando ninguém acreditava nos meus sonhos”.

Burle ficou conhecido também por ter ajudado a resgatar a surfista brasileira Maya Gabeira no mar de Portugal, quando ela sofreu um acidente ao encarar uma onda gigante. “Adoro quando alguém chega para mim e diz que eu não posso fazer alguma coisa, porque isso me motiva ainda mais, me faz querer dar o meu melhor”.

Empreendedor dos mares e da vida, ele encerrou a sua apresentação querendo saber, dos empresários presentes na plateia, que onda eles iam “querer pegar”. “Se vão querer ficar na superfície ou se aprofundar”, questionou.

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Burle se diz o mesmo Carlinhos do passado: “Só me adaptei ao mundo”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp