imagem google

Livro físico não acaba tão cedo, diz economista da Fipe em reunião na Fiesp

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Mariana Bueno, economista responsável pela pesquisa Produção e Venda do Setor Editorial Brasileiro, da Fipe, apresentou o Censo do Livro Digital durante reunião nesta quinta-feira (14 de setembro) do Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem da Fiesp (Copagrem). O mercado, na avaliação de Mariana Bueno, ainda é muito incipiente, com a adesão dos heavy readers, que muitas vezes compram e-books e depois os mesmos títulos em papel. Os e-books não são substitutos do livro físico. “O livro físico não vai acabar tão cedo”, disse.

Foram comercializados 2.751.630 e-books em 2016, com faturamento de R$ 42,54 milhões e preço médio de R$ 12,52. Para os livros físicos, o valor médio é de R$ 19,50. O faturamento com conteúdo fracionado atingiu R$ 3,6 milhões, e mais R$ 4,47 milhões vieram do aluguel/assinatura, principalmente em livros técnicos, como os da área jurídica.

O trabalho, iniciativa da Câmara Brasileira do Livro e do Sindicato Nacional das Editoras de Livros, partiu do envio de um questionário online às editoras, para saber quais vendiam conteúdo digital, seu acervo, novos ISBN, unidades vendidas de e-book e faturamento. Foi considerada a divisão em didáticos, religiosos, CTP (científicos, técnicos e profissionais), obras gerais.

Das 794 editoras, 294 atuam no setor de e-books, com a produção de 9.483 números novos de ISBN, 45% em CTP e 44% em obras gerais, proporção semelhante à dos livros físicos. Do faturamento total com e-books, 59% veio de obras gerais e 35% de CTP. Havia 49.662 livros no acervo digital no final de 2016.

A reunião, conduzida por Levi Ceregato, diretor titular do Copagrem, teve também apresentação das principais alterações trazidas pela modernização trabalhista, a cargo de Fábio Pupo Barboza, diretor do escritório Honda, Teixeira, Araújo, Rocha. Ceregato frisou a importância das mudanças. “É um passo gigantesco”, disse.

Logística reversa

Erick Nomura, da startup Boomera, de reciclagem de resíduos complexos, fez na reunião do Copagrem apresentação sobre o Programa Oficial para Destinação de Baldes Plásticos de Tintas da Braskem, de logística reversa. Pesquisa na indústria gráfica mostrou o grande uso de baldes de polipropileno, explicou.

As operações de reúso e reciclagem dos baldes plásticos de tintas são em sua maior parte informais e geram problemas como a falta de tratamento dos efluentes e da borra de tinta. A partir desse diagnóstico a Braskem lançou o programa, uma tentativa de formar uma cadeia de logística reversa.

A Braskem vai desenvolver aplicações e vai comprar as resinas produzidas por meio da reciclagem dos baldes plásticos, a cargo de operadores credenciados, eliminando para as empresas participantes do programa o gasto com a logística reversa. Outra vantagem é a garantia da correta destinação dos resíduos. A Braskem espera chegar em dois anos a 100 toneladas recicladas.

Associativismo

Paulo Henrique Schoueri, diretor titular do Departamento Sindical da Fiesp (Desin), fez na reunião do Copagrem a palestra “A importância do associativismo diante da modernização das leis trabalhistas e o fim das contribuições compulsórias”.

A reforma trabalhista alterou a sustentação dos sindicatos, com o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical, destacou Schoueri. A questão é como sobreviver. Agregar valor é a resposta, explicou. O sindicato não pode ficar acomodado; as empresas precisam encontrar valor nele.

Busca-se o reposicionamento dos sindicatos, para seu fortalecimento. Pesquisa entre as empresas mostra que elas valorizam o papel dos sindicatos, que precisam ser sensíveis às necessidades dos associados.

Precisam ser transparentes em sua atividade e na prestação de contas. Têm que ser atuantes, com visão estratégica de negócios, articuladores na defesa de interesses do setor e da categoria econômica que representam.

E precisam estar comprometidos com a busca de soluções, de parcerias, de produtos e serviços que aproximem as empresas, fortalecendo sua base.

O associativismo, explicou Schoueri, tem benefícios como a criação de soluções coletivas que levem à redução de custos e riscos. Pode haver ganhos de escala graças ao poder de negociação junto a fornecedores e compradores. E o compartilhamento de experiências, o debate de problemas comuns e a aprendizagem coletiva.

Parcerias para qualificação de mão de obra, ampliação de mercado e inovação com entidades como Sesi, Senai, Sebrae, centros de tecnologia e outros.

A Central de Serviços da Fiesp (Cser), explicou Schoueri, atua no planejamento estratégico dos sindicatos, ajudando-os a conhecer seus pontos fortes e fracos e a se posicionar em relação às empresas. Também oferece uma série de publicações e ferramentas, como Inteligência de Mercado, Ponte de Negócios (um aplicativo de licitações), a Central de Inteligência FAP/RAT/NTEP e o Atlas da Competitividade.

A Cser busca o que os departamentos da Fiesp fazem para oferecer aos sindicatos, disse Schoueri.

E há na Fiesp postos de atendimento da Receita Federal e da Junta Comercial, além do oferecimento de Certificado de Origem e de Certificado Digital.

Ceregato defendeu que haja apoio efetivo das federações aos sindicatos.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539864672

Reunião de 14 de setembro do Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp