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Investimento da indústria de transformação deve cair 4,7% em 2014

Segundo levantamento da entidade, taxa de investimento do PIB deve encerrar ano abaixo dos 18%, inferior à meta do Plano Brasil Maior para 2014 (de 22,4%)

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Em meio ao abalo da confiança do empresário e incertezas com a política econômica em ano de eleições presidenciais, o investimento da indústria de transformação em máquinas, equipamentos e instalações, gestão, inovação e pesquisa e desenvolvimento (P&D) deve cair 4,7% esse ano com relação ao ano anterior.

As informações são de um levantamento do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), depois de ouvir 1.204 empresas –539 de pequeno porte, 355 de médio e 310 de grande – no estado de São Paulo entre 6 de fevereiro e 24 de abril deste ano.

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José Ricardo Roriz Coelho: falta de investimento resulta no aumento do custo de produção e da ausência de condições para competir no mercado externo. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A pesquisa revela que a parcela de empresas que não devem realizar investimentos em 2014 corresponde a 33,5% das companhias consultadas, enquanto a taxa de investimento da economia com relação ao Produto Interno Bruto (PIB) também deve cair este ano e chegar a 17,9%. Em 2013, a parcela de investimento do PIB correspondeu a 18,4%.

O percentual está muito abaixo até do projetado pelo Plano Brasil Maior para o ano de 2014, que seria de uma taxa equivalente a 22,4% do PIB.

“Além de não atingirmos o valor que esperávamos naquele momento em que foi feito o Plano, ele deve ser menor que foi no ano passado isso nos preocupa porque quando olhamos para frente a situação é de sinal amarelo porque as perspectivas de crescimento são quase nulas”, avalia José Ricardo Roriz Coelho, diretor titular do Decomtec, departamento responsável pela Pesquisa Fiesp de Intenção de Investimento 2014.

Roriz explica ainda que a falta de investimento resulta no aumento do custo de produção e da ausência de condições para competir no mercado externo. Outro efeito colateral extremamente nocivo da falta de investimento é a redução da oferta de emprego por parte da indústria.

“O não investimento significa que nós não estamos melhorando nossa competitividade. Significa menos emprego. E, principalmente, menos empregos de boa qualidade porque investimento implica agregar tecnologia e inovação. E, para fazer frente a esses novos investimentos, procura-se pessoal qualificado”, afirma.

Cabe ao próximo presidente da República, de acordo com o diretor da Fiesp, reverter o atual modelo econômico com base no consumo para estimular o crescimento da indústria e a consequente intenção de investir.

“O próximo presidente, seja ele quem for, vai ter de fazer modificações bastante profundas. Está esgotado esse modelo voltado ao consumo. E esses ajustes devem ser feitos no próximo ano. Então, não dá para esperar um ano de 2015 com números expressivos relativos ao crescimento de mercado no Brasil”, diz Roriz.

Segundo ele, as empresas de médio porte foram as que mais apresentaram uma intenção menor de investir. O diretor esclarece que essas empresas não têm escala como as de grandes e nem mesmo custo menor das pequenas.

“E muitas vezes, no investimento, a maior parcela é de capital próprio. E essas empresas têm dificuldade em acessar bancos e mercado de capitais. Então, dentro do que foi mostrado pelas respostas, elas investiriam menos”, acrescenta. “Mas o cenário no caso de máquinas e equipamentos é que todos teriam queda.”

A pesquisa da Fiesp mostra que somente o investimento da indústria em máquinas, equipamentos e instalações deve apresentar um recuo de 7,2% em 2014. Este ano, as projeções apontam para investimentos da ordem de R$110,7 bilhões, contra R$119,3 bilhões em 2013.


Investimento defensivo

A demanda por financiamentos públicos para investir em inovação e P&D, no entanto, deve aumentar ao menos 75% em 2014 ante 2013.

Mas Roriz explica que se trata de um “investimento defensivo”.

“As vendas atuais também ficam ameaçadas. A tendência é tentar melhorar a gestão e as condições de produção de uma maneira mais barata”, diz Roriz.

A demanda por instituições de financiamento público deve crescer sustentada na gestão para destravar vendas atuais e não em aumento da produção.

“O empresário vai tentar produzir de uma maneira mais barata ou ter produtos mais inovadores com os equipamentos que se tem. Isso se chama investimento defensivo. É uma ação de defesa de mercado”, conclui.