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Indústria paulista deve fechar 65 mil vagas de emprego em 2012

Diretor de Economia da Fiesp estima, no entanto, cenário mais otimista em 2013

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Paulo Francini, diretor do Depecon/Fiesp, durante coletiva de divulgação do índice de emprego. Foto: Mauren Ercolani

A indústria de transformação do Estado de São Paulo deve encerrar o ano com 65 mil empregos a menos. Essa é a projeção de Paulo Francini, diretor-titular do Departamento de Estudos e Pesquisas Econômicas (Depecon) da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp). De acordo com a pesquisa divulgada pelas entidades nesta terça-feira (13/11), a indústria paulista fechou 3.500 postos de trabalho em outubro na comparação com o quadro de funcionários verificado em setembro.

Apesar dos resultados negativos verificados na indústria ao longo do ano, Francini projeta um cenário mais otimista para 2013. A Fiesp/Ciesp manteve projeção de queda de 2,4% para a atividade da indústria em 2012, mas prevê um crescimento de 2,8% no desempenho industrial no próximo ano.

“Teremos um carregamento estatístico muito positivo para 2013. Um crescimento trimestral da ordem de 0,8 ponto percentual haverá de nos levar a uma expansão do Produto Interno Bruto de 3,5% para o próximo ano”, afirmou o diretor.

O índice de emprego da Fiesp/Ciesp também deve mostrar recuperação no mercado de trabalho da indústria no próximo ano, mas os ganhos não devem compensar as perdas de 2012, alerta Francini. Segundo ele, o emprego industrial deve fechar o ano em baixa de 2,3 pontos percentuais e apresentar alta de 1,8 ponto percentual em 2013, o que significa uma recuperação de aproximadamente 50 mil postos de trabalho.

Segundo a pesquisa de Nível de Emprego do Estado de São Paulo, a variação do emprego ficou negativa em 0,05% no mês com ajuste sazonal.

No acumulado do ano, a indústria paulista gerou 21,5 mil novos postos de trabalho, com uma variação positiva de 0,81%. O estudo aponta, no entanto, que esta é a menor taxa de criação de vagas desde 2006, início da pesquisa, com exceção da crise de 2009, quando o índice apurou perdas de 1,10% no acumulado daquele ano. Nos últimos 12 meses foram fechadas 62,5 mil vagas, ou seja, um recuo de 2,35% em relação ao mesmo período imediatamente anterior.

Nível de Emprego – Outubro 2012 from Fiesp Federação das Indústrias do Estado de SP

Surpresa negativa

Francini avalia que 2012 foi um ano surpreendentemente negativo tanto para indústria quanto para o governo, o qual tem anunciado ao longo do ano medidas de incentivo à produção nacional, como a redução ou isenção do IPI para diversos setores, o corte da taxa básica de juros Selic para o menor patamar da história do Comitê de Política Monetária do Banco Central e a elevação do câmbio a um patamar mais competitivo.

“Acredito que nem o próprio governo esperava que o desempenho fosse tão ruim. Foram dados vários mecanismos e estabelecidas providencias para recuperar a indústria de transformação. Acreditamos que está respondendo, porém em um ímpeto e vigor muito menor do que o desejado e o necessário”, avaliou o diretor.

Açúcar e Álcool

Do total de demissões ocorridas em outubro, o setor de açúcar e álcool contribuiu com o fechamento de 1.302 postos no mês, o equivalente a uma taxa negativa de 0,05% para o mês na comparação com setembro. Segundo Francini, o setor sucroalcooleiro ainda não devolveu as vagas criadas para a temporada de colheita da safra por uma questão climática.

“Um retardamento motivado por chuvas fez com que a colheita se prolongasse e, por causa disso, não houve ainda queda acentuada no mês de outubro dos empregos gerados, mas é esperada para acontecer até o final do ano”.

No acumulado do ano, a indústria sucroalcooleira criou 41.588 vagas, enquanto os outros segmentos da produção brasileira fecharam 20.088, deixando um saldo de 21,5 mil empregos gerados entre janeiro a outubro deste ano.

Setores e regiões

Das atividades analisadas no levantamento, nove apresentaram efeitos negativos, nove fecharam o mês em alta e quatro ficaram estáveis. O emprego no setor de Produtos Diversos registrou a maior queda, com 1,2% em outubro versus setembro, seguido pelo desempenho ruim na indústria de Metalurgia, que encerrou o mês com queda de 1%.

Já os segmentos de Bebidas e Produtos de Borracha e Material Plástico apuraram ganhos no mês de 2% e 0,4%, respectivamente. A pesquisa mostrou ainda que das 36 regiões analisadas, 16 apresentaram quadro negativo, 12 ficaram positivas e oito regiões encerraram o mês estáveis.

Santa Bárbara do Oeste apresentou a maior alta, com taxa de 2,54% em outubro, impulsionada por Produtos Têxteis (5,12%) e Produtos de Borracha e Plástico (3,62%). A região de Franca registrou ganho de 0,94%, sob influência positiva dos setores de Máquinas e Equipamentos (2,64%) e Artefatos de Couro e Calçados (1,40%). Enquanto Botucatu subiu 0,91%, influenciado por Confecção de Artigos do Vestuário e Acessórios (3,28%) e Produtos de Metal, exceto Máquinas e Equipamentos (1,95%).

Entre as cidades com desempenho negativo, destaque para Araçatuba, que computou a queda mais expressiva do mês, com 1,11%, abatida pelas perdas em Produtos de Madeira (-3,57%) e Coque, Petróleo e Biocombustíveis (-2,30%). Jacareí fechou o mês com baixa de 0,99%, pressionada pelo desempenho ruim dos setores de Produtos de Metal, exceto Máquinas e Equipamentos (-2,64%) e Produtos Têxteis (-0,84%). O emprego em Cubatão caiu 0,65%, com perdas mais expressivas em Metalurgia (-2,01%) e Produtos de Metal, exceto Máquinas e Equipamentos (-0,35%).

Confira aqui a íntegra do estudo da Fiesp/Ciesp.