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Indústria de plástico investe em ações para derrubar imagem de vilã do meio ambiente

Segundo o engenheiro e professor do Senai-SP, Pedro Márcio Munhoz, fabricantes de polímeros têm se destacado em investimentos na Avaliação do Ciclo de Vida (ACV)

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Não é mais uma certificação. Empresas têm investido na Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), um recurso que avalia o impacto ambiental de produtos industrializados para ganhar, inclusive, participação de mercado. Entre os setores, os que mais se destacam são os fabricantes de plástico, avaliou na manhã desta terça-feira (03/06) o engenheiro Pedro Márcio Munhoz. Ele é professor de Tecnologia em Processos Ambientais e Tecnologia em Polímeros da Faculdades Senai –SP.

“A indústria de polímeros (matéria-prima do plástico) está buscando fazer  a Avaliação de Ciclo e Vida justamente mostrar que o plástico não é esse vilão para o Meio Ambiente como todo mundo imagina que é”, afirmou Munhoz ao participar de uma rodada de palestras durante a 16º Semana de Meio Ambiente da Fiesp.

O professor avaliou ainda que a aplicação de ferramentas com a ACV é um recurso a mais para a empresa que quer competir no mercado uma vez que ela pode ganhar vantagem com um produto com design e função sustentável.

“Se eu tenho uma empresa que faz um produto mais sustentável, eu posso comparar e comprovar que esse produto é mais sustentável em relação ao meu concorrente”, explicou. “Também posso usar a avaliação para desenvolver o ecodesign, ou seja, produtos inovadores que sejam mais sustentáveis para a sociedade”, disse Munhoz.

Munhoz: ecodesign e produtos mais sustentáveis. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Munhoz: ecodesign e produtos mais sustentáveis. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Ele explicou ainda que a fase mais complexa da ACV é o fazer o levantamento do inventário, um balanço da massa e energia empreendida na produção. Embora haja softwares dedicados a esse cálculo, outro obstáculo se coloca a frente desse processo: a base de dados desses programas recomendados é formada segundo a realidade de empresas norte-americanas e europeias.

“Nem todas as profissões têm essa competência para fazer esse balanço, então as empresas usam softwares com uma base de dados não brasileiras. Mas com uma pequena adaptação consegue-se fazer esses inventários”, disse.

Apesar dos desafios, Munhoz afirmou que um número expressivo de empresas de grande porte tem incorporado a Avaliação de Ciclo de Vida em seus processos. Ele destacou a Rede Empresarial de Avaliação de Ciclo de Vida, criada em outubro do ano passado e formada por nove corporações, entre elas a petroquímica Braskem, o grupo Bosch, a indústria de alimentos Danone e outras.

“A Bosch, por exemplo, fez a Avaliação de Ciclo de Vida do seu ferro de passar e mostrou que poderia reduzir a massa em 30%, tendo uma economia em matéria-prima, no transporte e na logística”, exemplificou.

A 16º Semana de Meio Ambiente é promovida pela Fiesp e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) com o apoio do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP). Aberta nesta segunda-feira (02/06), a Semana terá prosseguimento até sexta-feira (06/07).

>> Confira a programação completa da 16ª Semana de Meio Ambiente da Fiesp