imagem google

Grafeno é oportunidade para setor têxtil brasileiro, diz na Fiesp especialista em nanomateriais

Material, à base de carbono, permite criar roupas com novas propriedades

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O grafeno, material revolucionário formado por átomos de carbono, dá à indústria têxtil brasileira a oportunidade de dar um salto, disse na reunião desta terça-feira (19 de junho) do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário da Fiesp (Comtextil) Thoroh de Souza, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, idealizador e coordenador do MackGraphe (Centro de Pesquisas Avançadas em Grafeno Nanomateriais e Nanotecnologias).

“Há muita coisa acontecendo no setor têxtil. Uma empresa sozinha não faz nada, mas um setor inteiro consegue fazer”, defendeu Souza diante de uma plateia lotada. “Mas é preciso haver união”, recomendou.

“Estou determinado a fazer tecnologia disruptiva aqui.” O setor têxtil brasileiro já tem capacidade produtiva convencional e pode incorporar o grafeno como inovação.

As empresas produtoras de grafeno estão na Ásia, Oceania, Europa, América do Norte, explicou Souza. A ausência de fabricantes na América Latina representa uma oportunidade, afirmou. Isso o levou a criar a Dream Tech, companhia de tecnologias disruptivas. “É um risco, mas a vida é um risco.”

E o que o grafeno tem como diferencial? Segundo Souza, o material vai permitir “vestir emoções”. O grafeno, disse, pode ser usado em têxteis, e entre as tecnologias emergentes, em vestíveis. Mostrou foto de um vestido feito de grafeno que acende e muda de cor conforme a respiração e o humor de quem o veste.

A nanotecnologia pode ser utilizada em sensores para monitoramento e bioindicadores, tecidos com a incorporação de produção de eletricidade, autolimpantes, tecidos que mudam de cor com a aplicação de eletricidade. Isso, explicou, permite criar roupas ativas, contra a atual passividade das produzidas atualmente.

Outro exemplo é a possibilidade de produzir tecidos que detectam gases e mudam de cor. Mais complexo, mas factível, é usar o grafeno para fazer o revestimento de próteses, uma espécie de pele eletrônica capaz de gerar eletricidade.

O que há com o grafeno? Alta resistência mecânica, o que permite aumentar a resistência de tecidos. Transmite corrente elétrica, o que também pode ser usado pelo setor. A densidade é muito baixa (1 metro cúbico de grafeno pesa 160 gramas). Com 3 gramas de grafeno se cobre um campo de futebol. É o material mais fino conhecido, com um milionésimo da espessura de um fio de cabelo. Uma folha sozinha é mais transparente que a lente de óculos. Também é excelente condutor térmico.

Flexível e transparente como o plástico, é excelente condutor de eletricidade, como o ITO, usado nas telas sensíveis a toque. Juntar essas duas propriedades permite criar algo que não existe hoje, eletrônica transparente e flexível.

É um cristal bidimensional, como um folha, composto de átomos de carbono ligados fortemente de forma covalente, na forma de hexágonos. Cada folha tem um átomo de espessura. É 200 vezes mais forte que o aço e mais duro que um diamante.

O grafeno foi isolado em 2004 por dois cientistas russos na Universidade de Manchester. Em 2010 ganharam o prêmio Nobel de Física.

O Brasil tem a maior reserva de grafite do mundo e exporta cerca de 70.000 toneladas por ano. A China produz 700.000 toneladas por ano, com reserva menor.

Aumenta exponencialmente o número de patentes envolvendo grafeno, disse Souza. A Ásia domina o ranking, com destaque para a Samsung. Destacou a importância de ficar alerta para isso. “Se essa marola vira e dá certo, é mais um tsunami vindo da Ásia.”

O diretor titular do Comtextil, Elias Miguel Haddad, destacou que a palestra ajuda a mostrar que o que parece impossível não é impossível. Lembrou da resolução do Comtextil de priorizar uma agenda positiva. “Tudo isso que imaginávamos no futuro está cada vez mais concreto”, afirmou, ressaltando a importância da imaginação para a execução de novas coisas.

Rafael Cervone Netto, 3º vice-presidente da Fiesp e do Ciesp, ressaltou que pode parecer distante o uso do grafeno, mas não está. Diversas indústrias brasileiras estão envolvidas na pesquisa de seu uso, explicou. O algodão, por exemplo, pode ganhar novos usos com o reforço do grafeno, disse.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1542273225

Reunião do Comtextil com palestra sobre o grafeno de Thoroh de Souza, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Foto: Everton Amaro/Fiesp