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Governo precisa da parceria privada para fazer todos os investimentos, diz BNDES

Evento acontece de 19 a 22 de maio, no Hotel Unique, em São Paulo

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

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Henrique Costa Pinto, do BNDES. Foto: Alberto Rocha/Fiesp

Mesmo que o BNDES consiga finalizar todos os projetos em andamento, ainda faltará muito o que fazer no setor logístico do Brasil, alertou o representante do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), Henrique da Costa Pinto, na tarde desta segunda-feira (19/05), no Hotel Unique, em São Paulo.

Costa Pinto participou do painel “O futuro da infraestrutura do Brasil”, parte do início da agenda de debates da Semana de Infraestrutura (L.E.T.S.), evento que tem a realização da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Sistema Firjan.

Em sua palestra, o executivo explicou que o BNDES criou uma área para cuidar de concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs) e apresentou oportunidades no setor logístico.

Ao falar de rodovias, ele apontou que a densidade de rodovias pavimentas é “baixa em comparação a outros países”, informando haver 202 mil Km de rodovias pavimentadas, sendo 65 mil sob jurisdição federal. Desse total, 19 mil são concedidas.

Para ele, as ferrovias demandam altos investimentos para melhorar seu papel na matriz de transportes do Brasil, mas é um investimento essencial para melhorar o fluxo logístico do país. “Não dá para falar de rodovias e ferrovias sem falar em investimentos e portos e aeroportos”, destacou ao lembrar as novas rodadas e concessões e arrendamentos de portos.

O representante do BNDES também destacou que a taxa de passageiros de aeroportos por habitante vem aumentando rapidamente. “Este é um mercado com grande potencial, mas ainda temos aeroportos muito defasados.”

“O programa de concessões contemple até o momento 48% do tráfego de passageiros atual”, informou Costa Pinto ao alertar que a Infraero deve se tornar um player mais competitivo para elevar o nível de qualidade dos aeroportos.

No que se trata de mobilidade urbana, ele disse que o tempo de deslocamento em algumas áreas metropolitanas brasileiras está entre os piores do mundo e que governos municipais e estaduais têm dedicado especial atenção a esta demanda da população.

Para ele, independentemente de ser ano de eleições ou não, os projetos de mobilidade urbana vão ter que se acontecer. “Um arranjo político dentro das três esferas é a prioridade”, destacou.

Ao concluir, Costa Pinto lembrou: “o governo precisa da parceria privada para fazer todos os investimentos de que o país necessita”.

Setor privado 

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Paulo Bilyk: Brasil precisa resolver a questão das decisões e licenças ambientais. Foto: Alberto Rocha/Fiesp

O coordenador da Rio Bravo Investimentos, Paulo Bilyk, explanou sobre os investimentos em infraestrutura. No papel de interlocutor com investidores nacionais e estrangeiros para administrar a gestão de investimentos em infraestrutura, ele disse estimar que, atualmente, o setor privado investe 10 bilhões de reais no setor. “É muito pouco dinheiro de origem de investimento privado versus tudo o que tem para ser feito e oportunidades de investimentos.”

Bilyk destacou que o Brasil precisa se sensibilizar em três aspectos para melhorar  oferta de investimentos privados no setor.

Em primeiro lugar, segundo ele, resolver a questão das decisões e licenças ambientais, pois há uma imprevisibilidade do processo decisório e dos prazos desse processo. “Isso é um atrasador de cronogramas e é um risco exclusivo do investidor”, explicou.

Outro ponto é a necessidade de estímulo à concorrência. “O maior inimigo do empresário e das taxas de retorno é a concorrência. Quanto mais pessoa disputando o mesmo ativo, maior o número de capital investido e maior será o valor de venda do ativo”, disse.

Por fim, a relevância das condições político-jurídicas regulamentadas no Brasil. “Infraestrutura é um jogo de longo prazo: 20, 30 anos ou mais. As regras precisam ser esclarecidas”, destacou ao enfatizar a importância do papel de agências reguladoras.

CAF 

O diretor representante da CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina), Victor Rico, destacou que infraestrutura é um tema de muita importância para o debate.

“A infraestrutura é essencial para melhorar a competitividade da economia. E se não melhorarmos esse setor, vai ser muito difícil de melhorar a competitividade da América Latina no cenário internacional”, afirmou.

Segundo Rico, em 2013 a CAF aprovou 29,9% de investimentos voltados para a infraestrutura. E entre 2007 e 20013, a empresa aprovou US$ 2,7 bilhões em infraestrutura no Brasil, no mais diversos setores: logística, energia, saneamento etc.

“Estudos estimam que para se obter um crescimento sustentável na América Latina, é necessário um nível de investimento em infraestrutura da ordem de 15% do PIB durante os próximos anos, o que representa montantes anuais em torno de US$ 250 bilhões”, afirmou, acrescentando que, para alcançar esse nível de investimento, os países deverão combinar fontes de financiamento dos setores púbico e privado.

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Paulo Cesena: Odebrecht Transport está muito demandada de investimentos em infraestrutura. Foto: Alberto Rocha/Fiesp

Para completar o painel, o representante da Odebrecht Transport, Paulo Cesena, afirmou acreditar que o país vive num grande paradoxo, pois há tempos que os investidores em infraestrutura não têm sido tão demandados, mas por outro lado, ainda há muito o que fazer. “O Brasil precisa manter a continuidade do que tem sido feito.”

Segundo Cesena, a Odebrecht Transport está muito demandada de investimentos em infraestrutura e quer causar cinco grandes impactos na sociedade brasileira, num prazo de três a cinco anos: a transformação do Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, às vésperas das Olimpíadas de 2016; a revitalização do transporte ferroviário de passageiros no Rio de Janeiro; a nova linha 6 do metrô de São Paulo, com 15 quilômetros subterrâneos; o descarregamento de grãos no centro-oeste; e a modernização portuária de conteineres no Porto de Santos.

Para ele, quando analisamos o gap do setor no Brasil, é preciso ter foco no investimento. “Não adianta a iniciativa privada sair investindo em infraestrutura, se não houver um norteamento dos planos do Governo”, disse.

“É fundamental que esse diálogo ocorra: a capacidade de planejamento do Governo e a pré-disposição de investimento da iniciativa privada”, afirmou.

L.E.T.S

A Semana da Infraestrutura da Fiesp (L.E.T.S.) representa a união de quatro encontros tradicionais da entidade: 9º Encontro de Logística e Transporte, 15º Encontro de Energia, 6º Encontro de Telecomunicações e 4º Encontro de Saneamento Básico. O evento acontece de 19 a 22 de maio (segunda a quinta-feira), das 8h30 às 18h30, no Centro de Convenções do Hotel Unique, em São Paulo.

Mais informações: www.fiesp.com.br/lets