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‘Governo não vê operadoras de telecomunicações como parceiras’, diz diretor da Fiesp

De acordo com Dionísio Freire, diretor da divisão de telecomunicações do Departamento de Infraestrutura da entidade, governo não pode mais apenas reclamar da má qualidade do serviço sem pensar em soluções conjuntas para a melhoria

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

No terceiro dia da Semana da Infraestrutura (L.E.T.S.) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo Fiesp), o diretor da divisão de Telecomunicações do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da entidade, Dionísio Freire, alertou para o crescimento da demanda pelos serviços do setor no Brasil. Também defendeu as obras compartilhadas e criticou a atuação do governo nessa área.

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Freire: "Governo não enxerga operadoras de telecomunicações como parceiras". Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


“A regulação das telecomunicações é moldada para a realidade das grandes empresas que ocasionam a necessidade de estruturas administrativas substanciais, inibindo a competitividade das operadoras menores”, disse Freire durante painel na manhã desta quarta-feira (21/05), no Hotel Unique, em São Paulo.

Segundo ele, as grandes concessionárias têm pouco interesse no atendimento do mercado de nicho, mesmo onde há a presença de rede.  Para Freire, isso é um problema, pois a demanda por serviços de banda larga no Brasil é crescente e que continuará assim por anos. “Mesmo nas grandes cidades ainda existem áreas densas desatendidas ou sobrecarregadas. Nem em São Paulo estamos completamente atendidos, pois existem lugares na periferia da capital em que internet ainda é discada”.

O diretor de Telecomunicações da Fiesp disse entender que o governo tem parte na responsabilidade no processo de melhoria.

“As empresas de telecomunicações têm, no geral, um bom relacionamento com a Eletropaulo. Mas São Paulo é a única cidade do país que facilita isso. O governo não enxerga as operadoras de telecomunicações como parceiras para o desenvolvimento econômico e social”, afirmou.

Para Freire, o governo não pode mais apenas reclamar da má qualidade do serviço, sem pensar em soluções conjuntas para melhorias. “Não dá mais para eles baterem e a gente apanhar sem resolver a situação.”

Obras compartilhadas

Dionísio Freire defende o compartilhamento de obras, pois acredita que traz diversos benefícios, como menos intervenções físicas, redução de investimentos, otimização da implantação dos serviços e, principalmente, aumento da competitividade.

“Se houver uma regra compulsória de compartilhamento, há mais competitividade porque há atuação em parceria.”

Para ele, embora essa seja uma solução viável, falta coordenação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), além de homogenia nas legislações das diferentes cidades brasileiras.

“O compartilhamento não é tão simples, pois o acesso aos postes é caro e restrito e há dificuldade na negociação com as concessionárias para utilização do poste”, disse ao alertar para a dificuldade de se viabilizar um projeto em áreas subterrâneas com direitos de passagens em rodovias e ferrovias, porque além da dificuldade técnica, ‘os valores cobrados pelas concessionárias são abusivos’.

Ao propor alguns projetos como soluções de melhorias, Freire citou a criação de como um marco regulatório comum, que incentive o compartilhamento da infraestrutura para os setores público e privado. “Essa responsabilidade deve ser do governo”, ressaltou.

Além disso, ele sugeriu a redução de impostos em obras compartilhadas e legislações mais claras, com leis e parâmetros federais igualitários para o compartilhamento de infraestrutura nas cidades.

“Outra solução é a criação do compartilhamento do acesso ao cliente final, que parece apenas um detalhe, mas é muito relevante para evitar transtornos, atrasos e intervenções desnecessárias, como vários acessos para atender os mesmos prédios”, afirmou.

“O compartilhamento permite maior capilaridade de rede, o que gera o aumento da inclusão digital; mais economia; maior possibilidade de acesso em regiões atendidas; e redução de custos ao consumidor”, defendeu.

L.E.T.S.

A Semana da Infraestrutura da Fiesp (L.E.T.S.) representa a união de quatro encontros tradicionais da entidade: 9º Encontro de Logística e Transporte, 15º Encontro de Energia, 6º Encontro de Telecomunicações e 4º Encontro de Saneamento Básico.

O evento acontece de 19 a 22 de maio (segunda a quinta-feira), das 8h30 às 18h30, no Centro de Convenções do Hotel Unique, em São Paulo.

Mais informações: www.fiesp.com.br/lets