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‘Ganhamos o direito de sonhar outra vez’, diz CEO da Santista em reunião na Fiesp

Gilberto Stocche foi o convidado da reunião do Comtextil na sede da federação, na tarde desta terça-feira (21/08)

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Hora de debater inovação, avanços, crises e recomeços. Tudo a partir da história de uma empresa de 90 anos de mercado. Assim foi feito na  reunião plenária do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecções e Vestuário (Comtextil) da Fiesp, realizada na tarde desta terça-feira (21/08), na sede da federação, em São Paulo. O encontro teve a participação do CEO da Santista, Gilberto Stocche, que apresentou a estratégia da empresa para avançar no mercado nos últimos anos. E foi coordenado pelo diretor titular do comitê, Elias Haddad.

“A Santista tem 90 anos, é parte da história da indústria de vestuário no Brasil”, disse Stocche.  “Vivemos um processo recente de inovação”.

Fundada em 1929, a companhia tem três fábricas: duas no Brasil, em Americana e Tatuí, ambas no estado de São Paulo, e outra na Província de Tucumã, na Argentina.

Em 2017, conforme Stocche, a marca registrou um faturamento de R$ 800 milhões a partir de duas linhas de negócios: jeanswear e workwear, com camisas para usar no trabalho, por exemplo.

O CEO definiu a história da empresa em quatro partes: a primeira de crescimento e consolidação, entre 1929 e 2005, a segunda de internacionalização e perda de foco, entre 2006 e 2012, a terceira de reestruturação e reconstrução, entre 2013 e 2017 e a quarta, de retomada do crescimento, a partir de 2018.

“Introduzimos o jeans no Brasil em 1975”, afirmou. “Somos uma empresa de engenheiros, trabalhamos com eficiência e método, sendo uma referência no mercado”, disse.

Segundo ele, a crise de 2008 abalou fortemente os mercados consumidores das operações recém adquiridas pela empresa na época. Em 2007, a empresa havia mudado a sua razão social para Tavex depois da junção com a Tavex Algodonera da Espanha, passando a focar nos mercados europeu e norte-americano.

Mais adiante, em 2013, foi feita uma mudança na governança internacional para diretorias gerais locais dos segmentos de negócios, com um plano de recuperação dos parques industriais da Europa e México para a venda dos mesmos.

Em 2015, veio a retomada do nome Santista e a volta da sede da companhia para o Brasil. “Focamos na industrialização e na venda de jeans e workwear na América do Sul”, disse. “Isso com a revisão do modelo do nosso modelo de gestão, questionando toda e qualquer despesa”.

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Stocche, da Santista, sobre a reestruturação da empresa: ‘Trabalhamos com eficiência e método’. Foto: Everton Amaro/Fiesp


De acordo com Stocche, a companhia “não compete com preço”. “Somos uma empresa que vende valor”, disse. “O nosso investimento é em diferenciação e produtividade, buscamos eficiência em tudo”, afirmou. “Temos um departamento de Gestão com dez pessoas, vendo tudo o que acontece na empresa o tempo todo”.

Reestruturação

Desse modo, em 2016, a empresa seguiu com o seu processo de modernização, compra do maquinário e investimento em inteligência industrial. “Em 2017 foi criada a nossa área de Planejamento Estratégico, a fim de garantir que as estratégias definidas pela empresa tivessem visão de longo prazo”, disse. “A transparência e o senso de time/dono garantiram maior agilidade nas melhorias necessárias, tanto nas fábricas como no escritório”.

Em 2018, de acordo com Stocche, foi consolidada a retomada do crescimento nos mercados nacional e internacional em jeanswear e workwear, com crescimento de dois dígitos em volume de vendas no primeiro semestre e projeções similares para o segundo.

“Trabalhamos com produção, promoção, foco no cliente”, afirmou.  “A nossa Universidade Santista, por exemplo, já treinou mais de 6 mil profissionais do mercado”.

Outro ponto destacado nesse processo de reestruturação da empresa é a preocupação com a sustentabilidade na produção. “Usamos amaciante à base de manteiga de cupuaçu e conseguimos uma redução de até 70% do consumo de água no tingimento, por exemplo”, disse.

Com tudo isso, segundo o executivo, “a Santista ganhou o direito de sonhar outra vez”.