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François Hollande: Brasil e França precisam de políticas econômicas mais eficazes para fortalecer a competitividade e a inovação

Presidente francês cobrou maiores investimentos entre empresas e governos durante Encontro Econômico Franco-Brasileiro na sede da Fiesp

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

A França espera dobrar o intercâmbio monetário com o Brasil até 2020, afirmou o presidente da nação europeia, François Hollande, durante o Encontro Econômico Franco-Brasileiro, realizado nesta sexta-feira (13/12), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Durante seu discurso, ao lado de Dilma Rouseff e de Paulo Skaf, presidente da Fiesp, Hollande ressaltou a importância do crescimento de investimentos entre os dois países.

“Quero ver maiores investimentos franceses no Brasil, que já são elevados, em torno de dois bilhões de euros”, disse.  “Desejo, também, multiplicar o investimento brasileiro na França”, acrescentou.

Hollande destacou que Brasil e França precisam de políticas econômicas ainda mais eficazes para fortalecer a competitividade e a inovação das duas nações, apontando a necessidade de investimentos cada vez maiores em educação e a importância da criação de parcerias no campo da educação técnica.

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Hollande: necessidade de mais investimentos entre os dois países. Foto: Helcio Nagamine


“Os países ricos são aqueles que investem pesado em capital humano, especialmente na educação dos jovens. É um prazer ver o número crescente de estudantes brasileiros sendo recebidos na França pelo programa ‘Ciência Sem Fronteira’.”

Para o presidente francês, devem ser criados cada vez mais centros de educação técnica nas duas nações, para maior beneficio de intercâmbios culturais.

União Europeia e Mercosul

Importante também, na visão do dirigente, é a aproximação da União Europeia e do Mercosul.

“A Europa não precisa ter medo das economias emergentes. Precisamos, sim, criar novos canais para crescimento mútuo. A proximidade entre a União Europeia e Mercosul é uma boa opção para atingirmos nossos objetivos comuns”, concluiu.

Crescimento brasileiro

Segundo Hollande, o Brasil superou a fase de desenvolvimento econômico e social e já pode ser considerado uma potência global.

“O Brasil é um dos principais atores econômicos do mundo, e é capaz de crescer ainda mais no futuro, representando um grande aliado e concorrente aos países europeus”, analisou.

Hollande afirmou que o crescimento brasileiro foi possível graças ao apoio à inovação como alavanca para a competitividade.

Segundo ele, a economia brasileira tornou-se dinâmica também graças aos altos investimentos sociais. O mandatário destacou ainda a importância do enriquecimento do capital humano como alicerce para o crescimento da nação brasileira.

“Vemos que o crescimento brasileiro deu-se com a melhoria das condições da classe média e com a ascensão social de milhões de brasileiros”, analisou.

Para Hollande, é necessária também a identificação de áreas para novas parcerias comerciais, como a de energia para exploração petrolífera. De acordo com o presidente, a França tem muita a aprender com o Brasil sobre energia renovável.

Outra área de possíveis trocas de conhecimento é em mobilidade urbana, segundo ele.

“Transporte interurbano e cidades-verdes – temos muito a aprender conjuntamente sobre esses temas. Precisamos reinventar a cidade e o modo como vivemos nela. Podemos trabalhar juntos para isso”, opinou.

Europa saindo da crise

Hollande destacou a força da econômica europeia, a qual, em sua opinião, começa a sair da crise e dar sinais de recuperação.

“Precisamos saber que lições tiramos desse momento difícil da história econômica mundial. A Europa, como maior potência econômica do mundo, mostra que está pronta para voltar a crescer, dominando custos energéticos e apostando alto no crescimento da competitividade industrial”, disse.