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Fórum Econômico Brasil-França tem como foco mudança do clima, com a proximidade da COP21, em Paris

Tema envolve também infraestrutura, mobilidade urbana e preservação de recursos hídricos

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O 3º Fórum Econômico Brasil-França, realizado nesta segunda-feira (15/6), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ocorreu em momento especialmente oportuno, em função da proximidade da COP21 (Conferência das Partes do Clima). Na reunião, programada para 30 de novembro a 11 de dezembro, em Paris, os países devem informar suas contribuições voluntárias para a redução da emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE). A preocupação central para a COP21 é que haja um acordo entre todos os países-participantes a fim de garantir que a elevação da temperatura não ultrapasse 2 graus Celsius até o final do século.

Para Thomaz Zanotto, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, “o assunto mudanças do clima está à frente das questões políticas e econômicas, atende aos reclamos da sociedade”, mas também abre oportunidades de negócios. A afirmativa tem base em números robustos: a corrente de comércio bilateral, em 2014, foi de US$ 8,6 bilhões. A França investe por ano quase US$ 3 bilhões no Brasil, e atuam aqui aproximadamente 500 empresas francesas, algumas delas centenárias.

A questão climática entrou na agenda internacional graças à atuação empresarial na condução de seus negócios, enfatizou o vice-presidente da Fiesp, diretor do Departamento de Meio Ambiente (DMA) e integrante do Comitê do Clima da casa, Nelson Pereira dos Reis.

Ao tratar da recente manifestação dos Estados Unidos e da China quanto à emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE), Reis avaliou como firme o papel exercido pela União Europeia (UE) ao não permitir que as discussões sobre o aumento da temperatura no planeta fiquem reduzidas a um mero tratado de boas intenções.

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Nelson Pereira dos Reis, diretor do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


“Espera-se grande esforço no sentido da adaptação e da mitigação de todos os países participantes da COP21, e esse processo necessitará contar com o desenvolvimento de pesquisas e novas tecnologias para a produção sustentável”, avaliou.

Para a COP21, em Paris, são esperadas mais de 40 mil pessoas. A expectativa é que os membros da ONU, com suas representações, alcancem uma proposta concreta. Estão em curso em Bonn, na Alemanha, as reuniões intermediárias relativas ao clima, que contam, inclusive, com representantes do Comitê do Clima da Fiesp, que acompanham a delegação brasileira.

Ainda na abertura do evento, Jean Burelle, presidente do Movimento Empresarial da França (Medef) à frente de uma delegação de 40 pessoas, enfatizou que o tema requer forte trabalho em três frentes: energia, infraestrutura e meio ambiente. Para ele, é preciso colocar o mundo no bom caminho e, com a expectativa de um encontro ambicioso, enfatizou o papel essencial das empresas na busca de soluções inovadoras.

A Fiesp já celebrou convênios com a França, lembrou o diretor secretário e diretor da cátedra Fiesp-Sorbonne Globalização e Mundo Emergente, Mario Frugiuele. O objetivo é a elaboração de projetos de interesses comuns, voltados ao ensino e pesquisa.

Há algumas premissas importantes para o Brasil e a França, como a facilitação do acesso aos mercados e o favorecimento de trocas acadêmicas – como o Ciência sem Fronteiras – que envolvem 10 mil universitários, além de convênios de estágios e a promoção de encontros business to business (B2B). A observação inicial para tratar do papel das empresas na luta contra as mudanças climáticas, de Claude Risac, diretor de relações externas do Grupo Casino e representante da missão especial para o Brasil do Ministério francês das Relações Exteriores, foi acompanhada de outras. Para ele, é preciso identificar setores promissores no cenário B2B, como turismo, infraestrutura, saúde, inteligência e processos alimentares de ponta. Em sua avaliação, França e Brasil têm vocação exemplar quando se trata de hidroeletricidade e energia nuclear e, por isso, há grande expectativa de participação de empresas de ambos os países na COP21.

Os debates sobre o clima, iniciados há 23 anos, na chamada COP zero, no Rio de Janeiro, em 1992, evoluíram de tal forma que agora se espera a participação de mais de 40 mil pessoas, em Paris, segundo observou Christian Stoffäes, presidente do Conselho de Análise Econômica Franco-Brasileira e representante em Paris da Fundação Getúlio Vargas. Em sua avaliação, adotou-se um princípio de cautela e se estabeleceu um paradoxo entre economistas e ecologistas, quando os primeiros não desempenharam o seu papel e os segundos politizaram as questões ambientais, apontando para uma retração da economia. O mesmo teria ocorrido com o Protocolo de Kyoto, em 1997, quando pela primeira vez foram quantificados os Gases de Efeito Estufa (GEE).

O especialista frisou que as energias renováveis têm um aspecto relevante em termos sociais: geram 8 milhões de empregos mundiais. Esse mercado pode se expandir rapidamente, na ordem de 15 a 20% ao ano, em função de dois fatores: a curva de experiência e a restrição que leva à inovação. Na conclusão de Stoffäes, o processo que se iniciou como um conflito hoje necessita ser colaborativo.

Na sequência, os especialistas do Fórum debateram a economia e o papel das empresas na luta contra as mudanças do clima.