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Fora das categorias olímpicas e paraolímpicas, esporte para surdos busca apoio

Reunião do Departamento do Esporte da Fiesp mostra desafios e conquistas no Brasil

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

A reunião do Departamento do Esporte da Fiesp (Code) desta quarta-feira (30 de agosto) teve como destaques os temas Esporte para Surdos e Manual de Boas Práticas de Gestão e Compliance. Foi conduzida por seu diretor titular, Mario Frugiuele.

Mario Xandó, técnico da seleção brasileira de vôlei de surdos, fez apresentação sobre o esporte para os atletas com essa deficiência. Alguns deles, destacou, têm desempenho muito próximo ao de atletas de rendimento. Um problema do esporte para surdos é que não se enquadra nas categorias olímpicas nem paraolímpicas, explicou. “É um mundo que não tem nada a ver com o olímpico nem com o paraolímpico.” A audição é especialmente importante nos esportes coletivos, destacou Xandó.

Uma dificuldade inicial para o trabalho esportivo com surdos, revelou Xandó, foi encontrar profissionais, como professores de educação física, que soubessem libras e a usassem com a velocidade necessária ao esporte.

Vêm de 1924 os Primeiros Jogos Internacionais Silenciosos de Verão de Paris, sendo em 2000 adotada a denominação Surdolimpíadas. Em 2002 o Brasil realizou a 1ª Surdolimpíada, e em 2014 houve em Caxias do Sul a primeira edição dos Jogos Sul-americanos de Surdos.

Segundo o IBGE, há no Brasil 9,72 milhões de surdos, 5% da população do país. No Estado de São Paulo, 1,89 milhão. A estimativa é que 300.000 surdos pratiquem esporte no Brasil. A Confederação Brasileira de Desportes de Surdos tem 3.000 atletas e técnicos filiados. A seleção brasileira masculina de vôlei de surdos tem, no meio de sua coleção de títulos, a medalha de prata no Pan 2012 e a de ouro no Pan 2016. Foi a quarta no Mundial 2016 e a quinta colocada nas Surdolimpíadas 2017. E ano que vem começa o processo de preparação para Dubai 2021.

Usando a Lei Paulista de Incentivo ao Esporte, foram realizadas 24 clínicas inclusivas em 12 cidades paulistas, com o objetivo de incentivar e integrar por meio do vôlei crianças e jovens surdos e ouvintes. Participaram 2.400 pessoas, das quais 400 surdas – e 2 viraram atletas da seleção brasileira.

Em 2017/18 se aguarda a liberação para execução do valor captado graças à Lei Paulista de Incentivo para nova etapa das clínicas inclusivas de vôlei. E está em planejamento a edição 2018/19 das clínicas.

Também se aguarda a liberação de recursos para as seletivas e treinamento preparatórios para os jogos Sul-Americanos de 2018 de Bogotá, de 8 a 18 de novembro.

Com a coordenação de Xandó e do mesa-tenista Hugo Hoyama, está em planejamento pelo Instituto Santa Terezinha o Centro de Desenvolvimento Esportivo Inclusivo – Surdos e Ouvintes, nas modalidades vôlei, futsal, judô, tênis de mesa e badminton.

Compliance

Paulo Cesar Movizzo explicou as razões para criação do Manual de Boas Práticas e Compliance pelo Sindicato dos Clubes do Estado de São Paulo (Sindi-Clube), presidido por ele. O manual se segue à incorporação, pela instituição, do compliance.

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Reunião do Code, da Fiesp, com a participação de Mario Xandó. Foto: Everton Amaro/Fiesp