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Financiamento climático é tema relevante para meio ambiente

Em reunião com diretores ambientais da Fiesp e do Ciesp também se tratou da segurança hídrica

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Dois pontos essenciais do encontro realizado dia 22 de outubro pelo Departamento de Desenvolvimento Sustentável da Fiesp e do Ciesp foram financiamento climático e a segurança hídrica em São Paulo, após recente período de contenção no abastecimento de água no Estado.

Na abertura, Alexandre Vilella, coordenador regional de meio ambiente da casa, questionou se a crise da gestão da água acabou e o que muda no biênio 2018/2019 ao tratar dos futuros desafios. O cenário ainda não é tranquilo e é preciso fazer a lição de casa. A vazão aduzida total da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) é de 60 m3/s, e o São Lourenço acrescentará 2 m3/s.

Vilella tratou do cenário Alto Tietê mais a bacia PCJ: aproximadamente 1,5 milhão de empregos no setor industrial; 55% do PIB industrial no Estado; o PCJ conta com 16 mil indústrias e o Alto Tietê com 40 mil, o que dá a dimensão do desafio. Em todo o Estado, 28% da água captada é para uso industrial e 65% das indústrias de grande e médio porte já têm prática de reuso de água. Na região de Campinas e na Bacia PCJ, de 2002 a 2014, a indústria reduziu em 47% sua demanda hídrica.

Nas categorias de risco relacionados aos recursos hídricos relevantes aos negócios, citou os riscos financeiros, os derivados da companhia, físicos, reputacionais, regulatórios e os riscos derivados da própria bacia. Ao se tratar das classes de risco, deve-se levar em conta, na metodologia, a disponibilidade, a vulnerabilidade e a resiliência.

Publicações da indústria, como “Gerenciando a escassez de água na indústria” (da Fiesp, Ciesp, Sesi-SP e Senai-SP) e o “Guia para elaboração de Plano de Contingência para a crise hídrica” (da Abiquim) são boas referências.

A possibilidade de regularização da barragem Duas Pontes, no rio Camanducaia, e da Barragem Pedreira, no rio Jaguari terá benefício imediato com o aumento da disponibilidade hídrica nestas bacias, o que contribui para a segurança no abastecimento público de água, segundo o expositor.

Financiamento climático

Na sequência, ocorreu a apresentação sobre Diálogos do Financiamento Climático com Elisa Badziack (assessora de Meio Ambiente da Rede Brasil do Pacto Global) e Maria Eugenia Buosi (sócia-fundadora da Resultante).

A elaboração do conteúdo técnico se baseou no estudo e análise de apresentações e informações obtidas nos eventos tocados pelo Pacto Global e os Diálogos para o Financiamento Climático, em quatro edições, bem como entrevistas com debatedores dos eventos e especialistas em finanças sustentáveis e mudanças climáticas, 11, no total. Também serviram de base publicações e estudos de mercados ligados ao tema e pesquisa de produtos e serviços financeiros relativos à questão climática.

“Há oportunidades geradas a partir dos acordos e compromissos assumidos pelo Brasil no chamado Acordo de Paris”, disse Elisa, mas também pontuou o compromisso dos países desenvolvidos em disponibilizar US$ 100 bilhões/ano a partir de 2020 para países em desenvolvimento; e a necessidade de aportar R$ 890-950 bilhões para o cumprimento da NDC brasileira (Contribuição Nacionalmente Determinada).

Em contraponto, há o aumento da mobilização e iniciativas e tratou das tendências de mercado (TCFD) seus aspectos de transição (públicos e legais, tecnológicos, mercadológicos, reputacionais) e físicos (agudos e crônicos), bem como seus riscos e oportunidades e o impacto financeiro, que deve considerar despesas e receitas. Deve-se ter em conta o uso eficiente de recursos, fonte de energia, produtos/serviços, mercados e resiliência.

Em abril de 2018, havia 45 países e 25 governos subnacionais com sistemas de comércio de emissões e/ou tributação de carbono estabelecidos.

Como exemplo, citou o Laboratório de Inovação Financeira (LAB), projeto conjunto da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) reunindo diferentes setores para um fórum de discussão intersetorial. O objetivo é fomentar a criação de instrumentos de investimento e de estruturas financeiras. O BNDES figura como principal fonte de recursos no Brasil. Há um aumento do interesse de investidores institucionais pelo tema.

Ela apresentou as etapas de captação, estruturação, análise e monitoramento, que contemplam funding e origem dos recursos, identificação de oportunidades nas empresas e no setor financeiro, elaboração e análise de projetos de financiamento climático e o reporte de informações e resultados.

Na análise, por exemplo, atenção aos padrões e certificações, inclusive no mercado de green bonds. Entre os aspectos relevantes para determinar indicadores de monitoramento estão natureza do projeto, setor econômico, região, legislação aplicável, práticas de gestão, periodicidade do monitoramento e modalidade de financiamento/investimento.

Em entre as recomendações, Badziack enfatizou a necessária inovação em produtos e serviços; regulação e acordos voluntários, engajamento e formação de profissionais e líderes, com o devido engajamento da academia, das associações de comércio e indústria e entidades ligadas ao setor financeiro.