Fiesp lança hotsite Guia da Edificação Segura

Criado pelo Departamento da Indústria da Construção da Federação, objetivo do site é promover a conscientização da sociedade sobre a importância de se ter imóveis, públicos e privados, com manutenção adequada, dentro das normas de segurança

Agência Indusnet Fiesp 

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) lançou, na segunda-feira, 30 de outubro, durante o workshop Edificação Segura, o hotsite Guia da Edificação Segura, uma ferramenta online desenvolvida pelo Grupo de Trabalho do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic), que pode ser acessada diretamente no link (www.fiesp.com.br/guia-edificacao-segura) ou por meio do portal Observatório da Construção (www.fiesp.com.br/observatoriodaconstrucao).

O projeto nasceu da preocupação do Deconcic com a segurança das edificações mais antigas, em especial com mais de 15 anos após a emissão do habitese, período em que as ocorrências de acidentes são mais frequentes devido à degradação de materiais e componentes, às falhas ou à inexistência de manutenções e as reformas realizadas de forma indevida”, comentou Valdemir Romero, diretor do Deconcic e coordenador do Grupo de Trabalho (GT) Segurança em Edificações, responsável pelo desenvolvimento do hotsite.

Entre os objetivos traçados pelo GT desde que foi criado, em 2014, conta o diretor do Deconcic, está o de buscar uma legislação que traga a obrigatoriedade de inspeções periódicas nas edificações antigas. “Com essa obrigatoriedade, teremos a emissão de relatórios técnicos da situação dessas edificações”, disse.

O propósito é o de que essa lei seja implementada de forma gradativa, abrangendo, em um primeiro momento, os locais com grande afluência de público. Após período de adaptação, devem ser incorporados os imóveis não residenciais e por último, os residenciais acima de quatro pavimentos.

Para balizar a proposta de trabalho nesse sentido, em 2015, o Deconcic fez um levantamento das leis internacionais e, a partir daí, iniciou a discussão de uma proposta de legislação estadual para edificações mais seguras.

Outra preocupação do GT diz respeito à conscientização da sociedade, tendo em vista, segundo ele, que ainda não existe no Brasil a cultura de investir em segurança pessoal e patrimonial. “Após mais de 20 palestras realizadas pelo Deconcic desde a criação do GT, como parte de uma campanha para essa tomada de consciência da população, o hotsite vem para coroar essa iniciativa”, contou.

A preocupação com a segurança nas edificações antigas reuniu especialistas, deputados, que participaram também do lançamento do guia sobre o assunto, coordenado pelo diretor do Deconcic da Fiesp, Valdemir Romero (quarto da esquerda para a direita na mesa).  Foto: Ayrton Vignoli

Hotsite

“O hotsite Guia da Edificação Segura foi criado a partir de um consenso do GT do Deconcic sobre a falta de informação a respeito do tema para a sociedade”, explicou Marcos Moretti, do Deconcic. O guia contém textos de fácil entendimento, que serão atualizados periodicamente. O objetivo é criar um canal forte de comunicação do setor da construção sobre o tema.

O hotsite contém uma área com algumas legislações vigentes do assunto, como, por exemplo, o Código Civil que trata da responsabilidade do síndico sobre a segurança dos condomínios. Conta, ainda, com o campo notícias, que abrigará os principais conteúdos veiculados em outros canais referentes à segurança em edificações. 

Na home, há um conjunto de matérias relevantes sobre o tema e, em um segundo nível, destaque para os principais fatores de garantia da segurança em edificações no entendimento do GT: projeto correto, mão-de-obra qualificada, materiais de construção, serviços de qualidade e inspeção e manutenção predial. Um terceiro nível de navegação traz informações sobre os subsistemas estrutural, hidráulico, de gás, elétrico e de proteção e combate ao incêndio. Em todos os campos há informativos para download e vídeos.

Os usuários do hotsite poderão encaminhar sugestões de conteúdo para o endereço de e-mail: observatorio@fiesp.com.br.

 Incêndios

Dentro do tema segurança em edificações, uma das preocupações é com relação à proteção e ao combate de incêndios. “A cada dez vistorias solicitadas, entre três e quatro detectam pendências em relação à segurança necessária contra incêndio”, relata o coronel PM e Comandante do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Cassio Roberto Armani.

Armani falou sobre os perigos de uma instalação elétrica malfeita nas edificações ou sem manutenção adequada e reforçou que uma inspeção visual e de testes constitui uma manutenção preventiva. “Apesar disso, nem todos os sistemas de proteção contra incêndio possuem normas específicas ou requisitos em normas sobre inspeção predial que sejam suficientemente detalhadas”, afirmou.

Para Hilton Moreno, especialista em instalações elétricas, as instalações malfeitas estão entre as principais causas de incêndio em edificações antigas. “No Brasil, dados baseados em pesquisas indicam que cerca de 700 pessoas morrem por ano devido à eletricidade e seus problemas. Por isso, todas as utilidades dentro das edificações são importantes, sendo que a elétrica e a de gás, especificamente, quando não bem elaboradas, matam e por isso a necessidade de fiscalização dessas edificações”, afirmou.

Desenvolvimento

Representando o vice-presidente da Fiesp e diretor titular do Departamento de Segurança da Federação (Deseg), Ricardo Lerner, o diretor José Roberto Sevieri falou sobre a importância da segurança predial e como ela pode gerar desenvolvimento. “Melhorar a segurança nas edificações com mais de 15 anos, cuidar das inspeções técnicas periódicas, criar esses processos de manutenção periódica e capacitar os profissionais para essa inspeção, ações que estão dentro do GT do Deconcic, são fundamentais”, disse.

Segundo o executivo, em situações de emergência, as edificações não têm grupos treinados para controle da situação nem um plano de segurança. “Os equipamentos instalados não estão de acordo com os riscos existentes, porque não tem havido inspeção. Os moradores ou usuários das edificações não entendem muitas vezes sobre segurança. Por isso, a conscientização é algo mais do que necessário”, afirmou.

Para Sevieri, tudo isso traz oportunidades. “Além de salvarmos vidas e o patrimônio, a segurança nas edificações gera empregos para os profissionais que serão responsáveis pelos projetos. Teremos novas necessidades, novos produtos serão desenvolvidos e vão ocupar parte de nosso processo industrial, mas para isso precisaremos ter normas, estrutura e estudos, e tudo isso com certeza trará desenvolvimento”, completa.

O arquiteto Pedro Mendes da Rocha, responsável pela reconstrução do Museu da Língua Portuguesa, destruído por um incêndio, em dezembro de 2015, falou sobre a importância da cultura da zeladoria, especialmente em edificações públicas. “A questão do dia a dia na utilização dos edifícios é uma das coisas a se destacar quando o assunto é segurança. Falo da gestão do edifício, da necessidade de não se fazer interferências nas instalações e nos projetos que coloquem em risco o imóvel”, disse.

Luiz Ricardo Santoro, secretário-adjunto de Serviços e Obras do Município de São Paulo, falou que, entre outras atribuições, a secretaria é responsável pela construção e manutenção de equipamentos municipais, atendendo as secretarias de educação, saúde, esporte, cultura, entre outras.

Desde 2000, a secretaria construiu 424 edificações, basicamente na área de saúde, além de promover reformas, uma preocupação com as edificações mais antigas. “A Prefeitura tem como desafio garantir a segurança nas edificações do município, considerando diferentes tipos de uso, o bom desempenho e a durabilidade”, destacou.

O secretário adjunto explicou que “a obra do município tem de durar, deve ser bem empregada, não pode necessitar de manutenção constante. Ao longo do tempo, sabemos que, para ter um bom empreendimento, é preciso pensar na segurança desde o primeiro momento”, conclui Santoro.

Carlos Alberto Cruz Filho, presidente da Associação Paulista de Municípios (APM), que congrega e representa os 645 municípios de São Paulo, chamou a atenção para a realidade desses municípios, que, avalia, não têm sequer a presença do corpo de bombeiros. Falou sobre a relevância da iniciativa da Fiesp com o lançamento do hotsite Guia da Edificação Segura e de como ele pode auxiliar os prefeitos dos pequenos municípios, para que se tomem todos os cuidados nas licitações de obras públicas e na análise e aprovação dos projetos das edificações particulares, uma vez que muitos desses prefeitos não têm isso à disposição hoje”, disse.

O deputado estadual Itamar Borges (PMDB), coordenador da Frente Parlamentar da Indústria da Construção (FPIC), lembro do Projeto de Lei sobre inspeções periódicas nas edificações do Estado de São Paulo, de sua autoria, baseado na proposta do GT Segurança em Edificações do Deconcic, e aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) em dezembro de 2016. “A ideia não é onerar os municípios, mas sim proteger a população. Estamos com a expectativa de um avanço positivo na minuta apresentada para a Casa Civil. O Guia lançado hoje nesta casa já é uma forma de inserir a cultura, o alerta e a preocupação acerca da segurança”, ressaltou o deputado. Borges acrescentou que conta com o apoio da APM para fomentar a importância do assunto junto aos municípios.