Fiesp e Sorbonne lançam cátedra que dá início à cooperação em temas como globalização e mundo emergente - FIESP

Fiesp e Sorbonne lançam cátedra que dá início à cooperação em temas como globalização e mundo emergente

Acordo visa elaborar projetos de cooperação em treinamento e capacitação de pessoas, cooperação científica, técnica e consultiva e atividades de visibilidade institucional

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) recebeu nos dias 8 e 9 de abril, em sua sede, a visita  de uma comitiva da Universidade de Paris 1 Pantheon-Sorbonne.

O encontro marcou o lançamento da cátedra “Globalização e mundo emergente Fiesp-Sorbonne”, resultado de um acordo de cooperação firmado em novembro de 2012 entre as duas instituições.  A parceria prevê treinamento e capacitação de pessoas, cooperação científica, técnica e consultiva e atividades de visibilidade institucional.

Fizeram parte da delegação francesa dois vice-reitores da Sorbonne, Nadia Jacoby (Comunicação e Sistema de Informação) e Jean-Marc Bonnisseau (Relações Internacionais) e o coordenador da cátedra na França, o professor Guillermo Hillcoat.

Na foto, da esquerda para a direita: Guillermo Hillcoat, coordenador da cátedra na França; os vice-reitores da Sorbonne, Nadia Jacoby (Comunicação e Sistema de Informação) e Jean-Marc Bonnisseau (Relações Internacionais); e o 2º diretor secretário da Fiesp e coordenador da cátedra no Brasil, Mario Eugenio Frugiuele. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Entre as ações previstas no escopo da cátedra estão a promoção de módulos de formação de curta duração nos dois países, intercâmbio de experiências e de conhecimento entre as instituições por meio de grupo de pesquisas, workshops, seminários, jornadas, conferências, mesas redondas, colóquios ou mesmo estudos e projetos, além de dois eventos institucionais, um em São Paulo e outro em Paris.

Para o 2º diretor secretário da Fiesp e coordenador da cátedra no Brasil, Mario Eugenio Frugiuele, as expectativas são as melhores possíveis. “É um trabalho conjunto da academia com o setor privado. É a primeira vez que este tipo de acordo é feito fora da França. A Fiesp é uma entidade que, pela forma como está atuando – principalmente em função da posição segura, decidida e dinâmica de nosso presidente Paulo Skaf –, tem a confiança da própria Sorbonne, fundada no ano de 1200. O acordo com uma instituição desse nível é uma grande honra. Esperamos que, dentro do tamanho e da força das duas entidades, os projetos sejam tão importantes quanto isso”, afirma Frugiuele.

Comitiva francesa participa de reunião da diretoria da Fiesp. Foto: Junior Ruiz/Fiesp

De acordo com a vice-reitora Nadia Jacoby, a Fiesp tem preocupações similares às da Sorbonne, no que se refere ao comportamento das relações industriais. “Nós questionamos as coisas como universidade, do ponto de vista acadêmico, e nosso parceiro, a Fiesp, faz o mesmo tipo de perguntas, mas de um ponto de vista muito mais operacional e, eu diria, muito mais pragmático.”

Segundo Guillermo Hillcoat, há convergência de interesses. “Hoje, temos problemas que são comuns – aqui e na Europa – como a questão da desindustrialização, o problema do êxodo de empresas com a concorrência asiática, as questões ligadas à pesquisa, desenvolvimento e inovação, com novos produtos e métodos produtivos. Então, temos problemáticas que são transversais. Não há somente os antigos países industrializados e os países em desenvolvimento como nos anos 60/70. Hoje, existe uma multipolaridade de regiões emergentes”, explicou.

O coordenador da cátedra na França comentou suas expectativas nessa cooperação entre as entidades: “Consideramos esta relação [com a Fiesp] uma relação de aprendizagem e de colaboração entre iguais, entre pares, e é neste espírito que nós começamos a identificar certos projetos”.

Visita

No primeiro dia de visita (08/04), Nadia Jacoby, Jean-Marc Bonnisseau e Guillermo Hillcoat, foram recebidos pelos 1º e pelo 2º diretores secretários da Fiesp, Nicolau Jacob Neto e Mario Frugiuele, respectivamente.

Comitiva da Sorbonne em reunião de trabalho com diretores da Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Em seguida, os convidados tiveram reuniões de trabalho com diretores de departamento da Fiesp, como Nelson Pereira dos Reis (Meio Ambiente), José Ricardo Roriz Coelho (Competitividade e Tecnologia), Antonio Carlos Teixeira Alvares (Pesquisas e Estudos Econômicos) e Newton de Mello e Antonio Fernando Guimarães Bessa (Relações Internacionais e Comércio Exterior), além de Walter Vicioni Gonçalves, diretor regional do Senai-SP e superintendente do Sesi-SP.

A programação do dia foi encerrada com uma entrevista ao jornal Valor Econômico e a participação em reunião de diretoria da Fiesp.

No segundo dia, a comitiva francesa visitou uma escola do Sesi-SP e outra do Senai-SP, no bairro da Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo.

Segundo Jean-Marc Bonnisseau, vice-reitor de Relações Internacionais da Sorbonne, o interesse da universidade francesa em torno do sistema Sesi-SP e Senai-SP é um exemplo de como efetivamente são bilaterais as trocas proporcionadas pela cátedra.

Visita dos representantes da Sorbonne à escola do Sesi-SP na Vila Leopoldina. Foto: Everton Amaro/Fiesp

“Na França, toda essa questão da formação profissional está no centro de vários debates, particularmente por causa da elevada taxa de desemprego que temos – e que continua a aumentar. E está claro que a formação profissional talvez não seja tão eficaz quanto deveria ser no sistema francês para lutar contra o desemprego e ajudar os trabalhadores a adquirir qualificações novas para uma melhor integração no mercado de trabalho”, explicou.

Sobre o seu contato com o Senai-SP, Jean-Marc Bonnisseau expressou suas expectativas de aprender com a instituição. “E, talvez, importar boas práticas do Brasil para a França, no tocante à organização da formação profissional”, completou.

Atividades

Para implementar a iniciativa, Fiesp e Sorbonne estão convidando interessados em apresentar projetos. A Fiesp, com chamados a instituições de ensino superior e entidades privadas, entre outras; a Sorbonne, junto à rede acadêmica na França.

O objetivo é receber projetos – posteriormente selecionados por uma comissão paritária – sobre diversos temas: relações de trabalho no Brasil e na França; fenômeno da desindustrialização e desafios de reindustrialização; arquitetura sustentável; agronegócio; infraestrutura; meio ambiente; inovação tecnológica e competitividade.