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Fiesp e Ciesp esperam crescimento de 0,7% do PIB em 2014 ante projeção anterior

Participação da Indústria de Transformação no Produto Interno Bruto deverá recuar em 2014, atingindo 12,6%, nível próximo ao observado em 1954

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A economia brasileira deve crescer 0,7% este ano, projetaram, nesta quarta-feira (20/08), a Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp). Fundamentos como a baixa confiança do empresariado, estoques da indústria elevados, crise da Argentina e aumentos da taxa de juros fizeram as entidades revisarem para baixo suas expectativas para o desempenho econômico do país.

O Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp previa anteriormente uma expansão de 1,4%  da economia brasileira. Assim como no caso do Produto Interno Bruto (PIB), os prognósticos para outros indicadores econômicos também foram revisados para baixo pelo departamento.

A previsão para o PIB da indústria, por exemplo, foi revisada para uma queda de 1,6% contra estimativa anterior de queda de aumento de 1%, enquanto o PIB somente da indústria de transformação deve apresentar baixa de 3,1% contra prognóstico anterior de recuo de 0,8%.

“Claramente os vários indicadores referentes à atividade industrial e à atividade econômica como um todo indicam que as condições da economia brasileira são hoje bastante adversas”, afirmou o diretor do Depecon, Paulo Francini.

A Fiesp e o Ciesp projetam uma queda de 0,2% do PIB no segundo trimestre do ano. Enquanto o PIB da indústria de transformação no mesmo período deve cair 2,3%, configurando o quarto trimestre de queda.

Atividade industrial e emprego

A indústria paulista também deve apresentar uma queda significativa em sua performance este ano. Segundo o Depecon, a atividade industrial paulista deve cair 5% em 2014 versus prognóstico anterior de queda de 1,6%.

O prognóstico para o emprego industrial em São Paulo continua pessimista, mas a revisão das projeções foi ainda mais acentuada para baixo, indicando que o índice deve encerrar o ano com queda de 4,5% ante perspectiva praticamente estável de 0,1%.

Pelos cálculos do Depecon, o ano de 2014 para o desempenho e emprego na indústria deve se igualar à performance de 2009, ano de crise, no que diz respeito à trajetória negativa. “As condições da economia brasileira são hoje bastante adversas”.

Segundo o diretor da Fiesp e do Ciesp, qualquer medida de socorro por ventura anunciada é mais política do que efetiva. “Mas isso é sem julgamento de valor”. “Não existirão grandes alterações e mudanças este ano. E qualquer coisa que for feita no momento tem uma interpretação política que sobrepuja as consequências econômicas”, avaliou Francini.

Participação no PIB

A participação da indústria de transformação no PIB também deve diminuir para 12,6% este ano, o equivalente a uma queda de 12,2 pontos percentuais com relação à taxa média de participação verificada entre 1973 e 1992, quando a fatia era de 24,8%.

Francini acredita que a participação indústria de transformação no PIB não deve mais voltar ao patamar de 25% o que, segundo ele, indica uma deficiência do país em gerar riquezas.

“Estamos falando de décadas, de muitos governos e muitas responsabilidades, ninguém quer colocar a boca nesse cálice. Os países não abrem mão da sua indústria. Pergunta para a Alemanha se ela vai fazer isso”, avaliou o diretor. “A minha sensação de tristeza não é dedicada aos empresários, mas ao país que perdeu essa capacidade de geração de riqueza”, defendeu.

Investimento

A expectativa para a taxa de investimento total da economia também é de queda para 16,9% este ano, o menor nível desde 2006, quando a parcela chegou a 16,4%.

O Depecon também revisou para baixo suas estimativas para a formação bruta de capital fixo, termômetro do aumento de investimentos das empresas. Anteriormente, o departamento já previa uma queda de 1,1% em 2014. Agora a previsão é de queda de 6,5% para o mesmo ano.

Para o segundo trimestre de 2014, o departamento projeta uma queda de 5,2% da formação bruta de capital fixo, o quarto declínio consecutivo. “A economia brasileira realmente teve um comportamento esse ano bastante anormal”, completou o diretor.