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Fiesp e Ciesp emitem comunicado sobre escassez de água

Objetivo é o de alertar as empresas situadas em algumas regiões do Estado para que possam se prevenir e garantir seu abastecimento do insumo

Agência Indusnet Fiesp

Em reunião de diretoria do Ciesp, realizada no dia 24/04/14, Eduardo San Martin, diretor de Meio Ambiente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), analisou a atual situação de escassez de água nos reservatórios do Sistema Cantareira e seus impactos para o abastecimento público e das empresas.

Leia abaixo a íntegra do comunicado enviado às diretorias regionais e aos sindicatos afiliados.

A atual situação de criticidade de água das regiões das bacias dos rios Piracicaba/Capivari/Jundiaí – PCJ e do Alto Tietê está afetando o abastecimento público e as atividades produtivas, devido à situação do Sistema Cantareira ter atingido nível mínimo histórico de 10,5% de seu volume útil, ou seja cerca de 110 milhões de metros cúbicos.

Segundo dados oficiais dos órgãos gestores, neste período crítico, a operação do Sistema é de responsabilidade da Sabesp que tem autorização para retirar 24,8 m3/s para atender a Região Metropolitana de São Paulo e 3 m3/s para a região da bacia do rio Piracicaba, o que implica numa retirada de cerca de 72 milhões de metros cúbicos de água por mês do volume útil, que se esgotará em meados de julho.

Desta forma, para manter o abastecimento público será necessária a utilização do chamado volume morto destes reservatórios, com início previsto para o final de maio, estimando-se ser suficiente para atender as demandas até meados de novembro, quando se espera novo período chuvoso.

A Fiesp e o Ciesp têm acompanhado este cenário e participado das discussões que estão ocorrendo por intermédio de seus representantes nos comitês de bacias hidrográficas e nos respectivos Conselhos Estadual e Nacional de Recursos Hídricos, além de realizar eventos e reuniões com especialistas na matéria. Cientes da importância da água, temos fomentado a adoção de boas práticas de conservação e uso racional pelos setores produtivos, e verificamos que as indústrias paulistas estão sistematicamente reduzindo seu consumo e adotando o reuso de água e efluentes, minimizando desta forma sua dependência dos mananciais e da rede pública.

Analisando todos os dados disponíveis, verificamos que por decorrência da operação do Sistema Cantareira teremos duas regiões seriamente afetadas:

1. Nas bacias PCJ:

a. cerca de 3,2 milhões de habitantes poderão sofrer com algum tipo de racionamento pelas concessionárias públicas de abastecimento, a exemplo do município de Valinhos.

b. pelo menos 75 empresas que captam água diretamente dos rios poderão ser afetadas pela redução em suas respectivas captações, em especial no Polo Petroquímico de Paulínia, e empresas localizadas em Americana, Limeira, Piracicaba, Cosmópolis, Itatiba, Jaguariúna e Jundiaí.

c. os órgãos gestores de recursos hídricos já declararam que estão suspensas novas autorizações para captação de água superficial ou subterrânea (outorga), bem como a ampliação das existentes nos rios Atibaia, Jaguari e Camanducaia, da bacia do rio Piracicaba, por tempo indeterminado, o que implica no impedimento de novos licenciamentos ambientais.

2. Na Região Metropolitana de São Paulo:

a. cerca de 8,1 milhões de habitantes que são abastecidos pelo Sistema Cantareira poderão sofrer algum tipo de rodízio ou mesmo racionamento, a exemplo de Guarulhos.

b. poderão ser afetadas também mais de 15.000 atividades econômicas de pequeno e médio porte, usuárias da rede pública localizadas nas zonas Norte, parte da Leste e Oeste do município de São Paulo, bem como aquelas localizadas nos municípios de Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba, São Caetano do Sul, Guarulhos, Barueri, Taboão da Serra e Santo André.

Este comunicado objetiva alertar as empresas que se localizam nestas regiões para poderem avaliar a situação no sentido de se prevenir e garantir seu abastecimento para não ter maiores impactos na produção.