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Fiesp discute programa de investimentos em logística durante workshop sobre o setor

Durante encontro, especialistas debateram o Programa de Investimento em Logística do governo

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

O Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) reuniu na tarde desta quarta-feira (24/06) especialistas da área de logística e transportes e representantes do governo para discutir a nova fase do Programa de Investimento em Logística (PIL), anunciado pelo Governo no começo do mês.

Formulado pela equipe de governo da presidente Dilma Rousseff, o PIL tem como objetivo privatizar aeroportos, rodovias, ferrovias e portos a fim de modernizar a infraestrutura de transportes do Brasil e fomentar a retomada do crescimento econômico.

“O lançamento deste novo pacote tem um papel muito importante neste momento de reajuste econômico”, afirmou o diretor de rodovias, ferrovias e hidrovias do Ministério do Planejamento, Felipe Borim Villen, durante a abertura do evento.

“Além do aumento de investimentos, que gera vários benefícios como o crescimento de emprego e competitividade, conseguiremos escoar a produção brasileira com maior eficiência e menor custo. E o resultado de tudo isso é a ampliação das exportações”, completou.

Ao todo serão investidos R$ 198,4 bilhões, sendo R$66,1 bilhões para rodovias, R$86,4 bilhões em ferrovias, R$37,4 bilhões destinados a portos e R$8,5 bilhões para aeroportos.

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Especialistas debatem impactos do Programa de Investimento em Logística do governo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Para o diretor de portos e aeroportos do Ministério do Planejamento, Ian Ramalho Guerriero, o “padrão logístico mundial muda permanentemente” e por isso, o Brasil deve buscar a otimização de seus recursos com o intuito de “ampliar a infraestrutura, melhorar a qualidade e viabilizar uma logística mais eficiente e barata”.

“Isso torna a economia nacional mais competitiva, seja ela voltada para o mercado interno ou para o externo”, resumiu.

Desconfiança

Apesar dos números expressivos, o mercado recebeu o PIL com certa desconfiança, afirmou a advogada Rosane Lohbauer. Também presente no evento, ela contou que clientes a procuraram com um “pessimismo sobre se, de fato, o programa e os projetos apresentados sairão no tempo desejado”.

“Isso me surpreendeu porque não é a minha visão e nem a do grupo para o qual trabalho. Acreditamos que as coisas sairão sim do papel. A forma como foram escolhidos os projetos me parece bastante positiva”, declarou Lohbauer.

Segundo o diretor do Itaú BBA, Alberto Zóffmann, baseado nos três anos anteriores, referentes a primeira fase do Programa de Investimento em Logística, o mercado tem condições de absorver, ao longo do tempo, os quase R$ 20 bilhões que serão injetados na segunda fase. Para ele o número é “bastante factível e realista”.

O professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA / USP), Juarez Rizzieri, endossa a visão de Zóffmann e Lohbauer. Ele afirmou em sua exposição durante o workshop que “sem investimentos, não tem crescimento” e que é preciso “remover as desconfianças que o mercado tem sobre o nível do investimento e recuperar a confiança do investidos e do consumidor”.

“Estamos iniciando um processo que é uma tentativa mais técnica de conciliar uma política de estímulo a oferta e evitar o absurdo de uma perda de demanda, o que seria uma tragédia”, concluiu.