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“Fazer mais com os mesmos recursos”, destaca Ricardo Barros ao expor na Fiesp balanço de sua gestão na Saúde

Ministro fala em revisão de contratos, digitalização e valorização dos profissionais da área

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

De saída da pasta da Saúde para disputar a reeleição a deputado federal, Ricardo Barros fez nesta quinta-feira (8 de março) na Fiesp um balanço de sua gestão como ministro. Ao apresentá-lo, Ruy Baumer, diretor titular do Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde e Biotecnologia da Fiesp (ComSaude), destacou a capacidade analítica de Barros e sua disposição de conversar. “Ninguém fica sem respostas” ao procurar Barros, afirmou.

“Nosso lema lá é ‘não também é a solução’”, disse Ricardo Barros, explicando que a negativa pode levar à busca de alternativa. Em sua apresentação, destacou as importantes contribuições dadas a ele em reuniões na Fiesp.

Houve durante sua gestão economia na compra de medicamentos e mais recursos para investimentos, com execução 94% superior à de 2016. Todos os contratos do ministério foram revistos, e os preços foram renegociados para baixo. Os números do ministério podem ser acompanhados online pelo aplicativo criado para a pasta, lembrou. “Dá para fazer mais com o mesmo recurso”, disse.

Houve incorporação de novos tratamentos no SUS, por exemplo na hepatite C, cujo custo por paciente caiu de 9.000 para 3.000 dólares. Estamos praticamente rumo à erradicação, disse. No Dolutegravir, contra a Aids, a redução foi de 82%. Também há ações específicas para grupos mais vulneráveis ao HIV. Na compra de alfapoetina a economia anual foi de R$ 182 milhões.

Outro destaque do balanço foi a valorização dos funcionários da Saúde.

E, segundo Barros, o Ministério da Saúde será o primeiro órgão a utilizar os serviços de biometria propostos pelo governo federal para todos os programas sociais.

O investimento na atenção básica foi de R$ 1 bilhão, e com o treinamento os agentes passarão a resolver problemas, em vez de apenas relatá-los, explicou.

E a informatização avançou, conforme, lembrou, a prioridade que elencou quando assumiu a pasta. O DigiSUS, a digitalização de todo o ministério, vai integrar toda a saúde, com mais eficiência na gestão dos recursos.

Quando a digitalização estiver concluída, haverá economia de R$ 50 bilhões por ano, com a redução de repetições de exames e de entregas de medicamentos e com o pagamento por procedimentos.

Quando estiver completo o sistema Hórus de gestão de medicamentos a economia anual esperada será de R$ 1,5 bilhão, de acordo com o ministro.

Barros também destacou a finalização da renovação da frota do Samu, para pronto atendimento. Até o final do ano, disse, toda a frota terá menos de 3 anos de uso.

Outra alteração importante é a transferência de poder para os municípios na aplicação dos recursos para a saúde, com novo modelo baseado em custeio e investimento, em vez das mais de 800 formas de transferir recursos do modelo vigente, que provoca paralisação de dinheiro nas contas de Estados e municípios.

Saúde representa 9,1% do PIB brasileiro, explicou o ministro. Pelo afastamento do governo federal os municípios vêm assumindo parcela maior do financiamento, o que, segundo Barros, precisa ser corrigido.

Também estão surtindo efeito medidas contra a judicialização em relação a tratamentos não reconhecidos.

Em relação aos hospitais filantrópicos há ações de auxílio e gestão.

Há, segundo Barros, um excesso de demanda de exames e de especialistas, e não se resolve o problema. “Precisamos resolver na unidade básica de saúde. As pessoas precisam saber que ela funciona, para usá-la, afirmou.

Outra economia prevista se dará graças à implantação de complexo industrial da saúde.

A pedido de Baumer, deixou como recomendação para seu sucessor ter determinação para mudar o SUS. “Não economizei R$ 4,5 bilhões tentando agradar ninguém”, disse, criticando lobbies contrários às mudanças na saúde.

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Reunião na Fiesp em que Ricardo Barros fez balanço de sua gestão no Ministério da Saúde. Foto: Helcio Nagamine/FIesp